“Guerra de Narrativas”
Não, a diretoria da Santa Casa não vai entrar em uma guerra de narrativas contra profissionais da mentira; fatalmente, seria uma batalha perdida. Em vez de histórias, mentiras e invenções, traremos fatos, pois contra fatos, as mentiras não se sustentam.
Primeiramente, cabe esclarecer que o “grupo” INBASES iniciou suas atividades no dia 15 de fevereiro. Posteriormente, uma nova diretoria foi eleita e empossada em 1º de abril, ou seja, 45 dias após o início da atuação do grupo, sem, no entanto, conseguir exercer qualquer papel efetivo na administração da instituição devido à presença desse grupo.
A antiga diretoria da Santa Casa aceitou o acordo com o “grupo” INBASES apoiando-se em pontos garantidos por essa empresa, o que foi também presenciado por membros da Associação. Prometeram grande expertise em gestão hospitalar, experientes que seriam em recuperação de hospitais em crise e otimização do funcionamento da instituição. Porém, durante o período probatório, ficou evidente que a maioria dessas pessoas não possuía experiência real em gestão hospitalar ou empresarial.
Logo no início de suas atividades alguns líderes colocaram seus familiares para atuar, um desses familiares, sem esclarecer suas qualificações, várias vezes gritava para os funcionários dizendo “agora quem manda aqui sou eu” certa vez se intitulou “a nova dona do hospital”. Na prática, o que se observou foi exatamente o contrário do que se espera de uma administração profissional: desrespeito, coação, constrangimento e assédio moral direcionados aos funcionários que há anos dedicam suas vidas a este hospital. Demissões infundadas passaram a ocorrer, motivadas muitas vezes apenas pela vaidade de dirigentes, sem justa causa e sem respeito às normas trabalhistas. Muitos colaboradores precisaram buscar reparação judicial para garantir direitos básicos. O mais alarmante é a maneira como tratam essas situações. Segundo relatos, afirmavam que os funcionários “não queriam trabalhar” e que, ao “enrolar na justiça”, conseguiriam reduzir os prejuízos causados pelas demissões. Em nenhum momento houve preocupação com o sofrimento humano provocado por suas atitudes.
Tudo isso gera um enorme passivo trabalhista, ou seja, dívidas que permanecerão para a Santa Casa pagar no futuro, quando essas pessoas já não estiverem mais no hospital.
Entre pessoas honestas, a palavra tem valor — principalmente quando promessas são feitas diante de homens e mulheres sérios, responsáveis e comprometidos com a instituição. Esse grupo prometeu um aporte inicial de 3 milhões de reais com recursos próprios para quitar dívidas emergenciais do hospital. Entretanto, com o passar do tempo, esse compromisso simplesmente desapareceu, como se jamais tivesse sido feito.
Em uma reunião da associação, um membro com mais de 90 anos questionou se esse aporte havia sido realizado. Bastou essa pergunta para que o líder do grupo se exaltasse, apontasse o dedo e passasse a acusar os membros da associação das mais absurdas situações, causando constrangimento geral. A situação foi tão constrangedora contra um senhor respeitadíssimo que gerou paralisia e espanto a todos ali presentes e os próprios integrantes do grupo precisaram intervir.
Também foi prometida a reabertura da maternidade e do serviço de ginecologia e obstetrícia nos primeiros 15 dias de gestão. Mais uma promessa vazia. Este parece ser o método utilizado: identificar os pontos sensíveis da instituição e oferecer exatamente a solução que se deseja ouvir.
Entretanto, não foi apenas o descumprimento de promessas que prejudicou a instituição. Houve ações concretas que colocaram o hospital e a população em risco. Listaremos aqui 6 FATOS objetivos, capazes de desmentir qualquer narrativa fantasiosa.
1 — Interferência direta na compra de medicamentos e materiais básicos.
Houve interferência na lista de compras elaborada pelo profissional com conhecimento técnico (farmacêutico) responsável pelo abastecimento da farmácia, até onde se sabe no grupo não tem nenhum farmacêutico ou especialista em estoque de farmácia hospitalar, ainda assim interferiram na lista de compras desse setor, o que demonstra tamanha audácia de prepotência. Em pouco tempo começaram a faltar medicamentos e materiais essenciais, como fitas de glicemia, compressas, luvas, seringas, agulhas, morfina, heparina, entre muitos outros.
O estoque passou a ser mantido no limite mínimo. Quando ocorre a falta, pequenas compras emergenciais ou empréstimos de outros hospitais são realizados no dia seguinte ou naquela mesma semana, permitindo que a administração negue a existência do problema. Porém, basta perguntar a qualquer técnico de enfermagem, enfermeiro ou profissional da assistência dentro do hospital para confirmar a realidade dos fatos.
2 — Má gestão de pessoas e destruição do ambiente de trabalho.
Logo nas primeiras semanas instalou-se um ambiente de medo, insegurança, angústia e desmotivação. O relacionamento hostil com os colaboradores resultou em um número de pedidos de demissão nunca antes observado em tão curto espaço de tempo, além de paralisações e risco iminente de greve.
3 — Conflitos com fornecedores e apropriação indevida de equipamentos.
Por incapacidade de manter diálogo adequado com fornecedores antigos, contratos com laboratórios e serviços de imagem foram rompidos. Equipamentos pertencentes a esses parceiros permaneceram sendo utilizados indevidamente pelo hospital, havendo inclusive denúncias de adulteração desses aparelhos para continuidade do uso. Atualmente, existem disputas judiciais envolvendo a tentativa desses fornecedores de recuperar seus bens.
4 — Total negligência diante da interrupção de serviços essenciais ao funcionamento da UTI.
Novamente, por incapacidade de negociar e manter um diálogo adequado, o mencionado grupo permitiu a interrupção dos serviços de Neurocirurgia e Hemodiálise, deixando a UTI sem esses suportes fundamentais. O serviço de Neurocirurgia encontra-se interrompido desde o início das atividades do INBASES, enquanto a Hemodiálise está suspensa desde 30/04/2026.
O mais assustador é que essa situação não parece gerar preocupação nem medidas reparadoras por parte dessas pessoas. Mesmo após diversos alertas sobre a gravidade do problema, limitaram-se a negar os fatos e transferir suas responsabilidades para terceiros.
5 — Retirada de medicamentos do estoque da farmácia sem autorização da diretoria.
Foi registrada, em mais de uma ocasião, a retirada de caixas de medicamentos diretamente do estoque da farmácia sem autorização formal da diretoria e sem esclarecimento sobre o destino dessas medicações. Parte dessas situações foi registrada por câmeras de segurança e também denunciada por funcionários desligados da instituição, sendo objeto de denúncia junto às autoridades e já está sob investigação. Os responsáveis pela farmácia têm conhecimento desses episódios.
6 — Falta de manutenção de equipamentos indispensáveis ao funcionamento do hospital.
Quando não se valoriza o trabalho técnico das pessoas, principalmente por não compreender a importância de suas funções, as consequências podem ser devastadoras.
Na manhã do dia 10 de maio, domingo de Dia das Mães, o gerador de energia do hospital apresentou uma falha catastrófica, interrompendo completamente o fluxo interno de energia elétrica da instituição. Importante esclarecer: não houve falha da CPFL. O problema ocorreu internamente, no sistema do hospital.
Esse episódio ocorreu apenas 10 dias após a saída de um dos funcionários responsáveis pela manutenção do equipamento. A manutenção e os testes do gerador são procedimentos diários e indispensáveis. Bastaram poucos dias sem acompanhamento adequado para que a falha acontecesse.
Pacientes precisaram ser transferidos às pressas para UTIs de municípios vizinhos. O SAMU precisou reorganizar sua logística para priorizar essas transferências emergenciais.
Mantendo o padrão de fugir de suas responsabilidades, tentaram atribuir a culpa às gestões anteriores. Entretanto, a empresa já estava há aproximadamente três meses à frente da administração do hospital. Transferir responsabilidades próprias para terceiros diante de um problema causado pela falta de manutenção diária não é apenas irresponsável — é imoral.
Diante do exposto pedimos a todos os cidadãos que confirmem essas informações com as pessoas que estão vendo o problema de perto, depois disso ficará muito fácil ver o lado verdadeiro e correto.
É importante lembrar que as Santas Casas de todo o Brasil enfrentam dificuldades financeiras. São mais de 2.000 instituições filantrópicas convivendo com graves desafios estruturais. Reduzir essa realidade complexa a uma simples “má administração” é uma análise rasa e pueril, pois o problema é muito mais profundo. A saúde pública brasileira vive uma crise histórica e, infelizmente, permanece excessivamente dependente das decisões políticas e da forma como os recursos públicos são conduzidos.
A Associação Santa Casa possui plenas condições de continuar conduzindo esta instituição, como faz há quase 100 anos. Boa parte dos serviços médicos que ainda permanecem em funcionamento só continuam ativos graças à atuação direta dos membros desta diretoria. Os serviços de Anestesiologia, Cirurgia e Terapia Intensiva seguem operando por influência e intervenção direta desses diretores, que, mesmo diante de ataques baixos, injustos e constantes tentativas de desmoralização, mantêm o foco em sua principal missão: proteger a instituição e a população.
Os cidadãos de Jacarezinho têm plena capacidade de cuidar do próprio hospital. Não precisamos entregar nossa instituição a terceiros movidos por interesses duvidosos.
Por isso, pedimos a todos os colaboradores e médicos que tenham coragem e firmeza para enfrentar aqueles que utilizam o medo, a intimidação e a ameaça como ferramenta de poder. Pedimos também aos agentes políticos que se posicionem de maneira clara, honesta e transparente diante da população. Digam, sem rodeios, de que lado estão: ao lado da nova Diretoria legitimamente eleita ou ao lado do “grupo” INBASES.
Não há mais espaço para discursos vagos, frases prontas ou neutralidade conveniente. Expressões como “estou do lado da Santa Casa”, “meu compromisso é com a comunidade” ou “precisamos aguardar a justiça” já não bastam quando a instituição enfrenta uma crise dessa magnitude. Em momentos decisivos, a omissão também é uma escolha.
Assumam suas posições com clareza, responsabilidade e honestidade perante a população. A história raramente absolve os covardes e dificilmente se lembra daqueles que se omitiram diante do dever de agir.
Por fim, pedimos aos cidadãos de Jacarezinho que busquem conhecer a realidade dos fatos, cobrem responsabilidade daqueles que possuem poder de decisão e salvem a Santa Casa.
E que fique claro:
Na língua portuguesa, quando um conjunto de pessoas atua coletivamente, chamamos de grupo. Porém, quando ações coletivas passam a envolver ameaça, coação, intimidação e constrangimento, existem outras palavras para definir esse “grupo”.
Temos certeza de que contaremos com a solidariedade de todos e, especialmente do apoio qualificado da comunidade local e regional, que tem ciência de fato público e notório: a necessidade da união de esforços para romper com uma condição que já é crônica, a da ausência de recursos que sejam suficientes para atender a demanda de saúde de um contingente cada vez mais expressivo de cidadãos, no cenário dos altos custos da Ciência Médica.
Alessandro Martini Ferreira
Santa Casa de Misericórdia de Jacarezinho
segue abaixo decisão



