
Ao trocar o União Brasil – onde militou em siglas antecessoras desde o começo de sua carreira política e elegeu-se para a Câmara dos Deputados, Senado Federal e Governo de Goiás, o governador Ronaldo Caiado, conduz a sucessão presidencial a um novo patamar. Transferiu-se ao PSD (Partido Social Democrático), dirigido pelo ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, agremiação política forte, que tem filiado o maior número de prefeitos. Ao final da apuração das eleições de 2024, onde foram eleitos os atuais governantes e legisladores municipais, o PSD restou com 885 prefeitos no seu quadro, seguido pelo MDB (853) e PP (746). Considere-se a existência no território nacional de 5568 municípios (cada um com seu prefeito) e o regular funcionamento de 30 partidos registrados no Tribunal Superior Eleitoral, verifica-se com facilidade a importância daqueles que elegeram o maior número de filiafos.
Desde que a política nacional polarizou-se, o setor vive às turras entre a esquerda encabeçada por Lula e a direita de Jair Bolsonaro. Há momentos em que não parece existirem o centro e as tendências intermediárias, apesar das dezenas de partidos que as compõe. Agora mesmo - na largada da campanha rumo às eleições de 2026 - o destaque é entre esquerda e direita tendendo a mudar e incluir ao processo nomes que dele ainda não participaram ou o fizeram sem sucesso.
A mudança partidária de Caiado poderá representar um novo tempo na partição política brasileira. Governadores e outras lideranças políticas – Caiado, Ratinho Junior (Paraná), Romeu Zema (Minas Gerais), Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e outros que ainda venham se apresentar poderão, isoladamente ou em conjunto, constituir a terceira via para concorrer à presidência da República, paralelo aos clãs de Lula e Bolsonaro. Não se deve esquecer do governador Tarcísio de Freitas (São Paulo) que insiste em concorrerá reeleição mas enfrenta as demandas daqueles que o querem candidato à Presidência da República.
O surgimento dessas lidernças coincide com a tramitação no Congresso Nacional da PEC do Fim da Reeleição que deverá eliminar da legislação eleitoral brasileira a possibilidade do presidente da República, governador de Estado e prefeito municipal concorrerem a um novo mandato sem ter concluído o período em que governa sua unidade federativa. Por conta da reeleição – criada no fim dos anos 90 em atendimento ao interesse do então presidente Fernando Henrique Cardoso, o País vive em constante crise política. Os titulares do poder são beneficiados e as perspectivas de mudança decorrente do processo eleitoral praticamente inexistem. Exemplos disso são os dois governos seguidos de FHC e dos outros governantes que se reelegeram. Dilma Rousseff sofreu impeachment, Lula já está no ultimo ano do terceiro mandato e luta para conquistar um quarto período e Jair Bolsonaro foi derrotado nas eleições de 2022
Se a PEC do Fim da Reeleição for aprovada, as próximas eleições municipais não comportarão a reeleição e, em seguida o mesmo ocorrerá nas de níveis federal e estadual. A partir de 2034, todos os mandatos serão de cinco anos e a eleição para todos os postos – de vereador a presidente da República – acontecerão num único dia. Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo)

