DIRCEU CARDOSO GONÇALVES

O que queremos para 2024


            Terminamos 2023 melhor do que o previsto no começo do ano. O crescimento anual da economia brasileira, previsto inicialmente em 1%, deverá fechar em algo próximo a 5%, e a inflação, estimada em 4,5%, ficará em 3%. O mercado de veículos não superou os níveis de antes da pandemia, mas  aumentou em relação ao ano de 2022. É preciso lembrar, no entanto, que o investimento na produção/instalação de máquinas e equipamentos – importante setor industrial, que alavanca a geração de empregos – caiu  bastante (-19%).  Mas o PI B (Produto Interno Bruto), que é a soma de todos os bens produzidos, fecha com aumento de 3%., sendo 2% vindos do agronegócio, setor que os ideológicos da esquerda e do governo vêem com maus olhos.
            No balanço geral, o ano não foi excelente, mas também não pode ser classificado como ruim. Principalmente porque o relativo equilíbrio econômico – inclusive o nível alto de produção de postos de trabalho – não tem podido contar com algo que se possa chamar de estabilidade político-institucional, mas de força da iniciativa privada, que avança, principalmente quando o governo não atrapalha. Ainda vivemos o impacto do trauma de 8 de janeiro, quando aquele bando de incautos queria induzir as Forças Armadas a dar o golpe (ainda bem que não foram ouvid os) contra e eleição e, de outro lado, o tema virou exploração política que ate hoje turva o ambiente institucional e sacia os apetites de políticos e politiqueiros radicais.
            O governo, eleito sem sequer ter um plano de ação, bate-se por reformas e prioriza a elevação de impostos, procedimento inaceitável pelo Congresso Nacional, que tem de aprovar as medidas para que possam ser implementadas. Os congressistas acordaram e passaram a exigir mais do governo e, principalmente, o respeito às prerrogativas do Parlamento. Mas o governo faz de conta que não entendeu o novo momento e faz coisas como a Medida Provisória que pretende revogar a desoneração fiscal, em oposição e desprezo à lei recentemente aprovada, que estende até 2027 o benefíci o aos 17 setores que mais empregam. A MP poderá ser devolvida sem apreciação e Lula poderia passar sem mais essa pendência no seu relacionamento com deputados e senadores.
            Na síntese, temos um panorama econômico promissor em razão da força da economia nacional pilotada pelo empresários e não atrapalhada pela máquina pública. Os três poderes – Legislativo, Executivo e Judiciário – têm o dever de cumprir suas obrigações e não tumultuar a fluidez econômica. Os político, especialmente, devem trabalhar no pólo positivo. Abandonar a polarização e a xingação que transformam o adversário em inimigo. Em vez de falar mal dele, o governante, parlamentar ou candidato a um dos postos em di sputa nas eleições deve prometer fazer melhor. Jamais falar mal do oponente. Questão de civilização. Político não foi concebido para brigar, mas para resolver os problemas.
            Quanto ao presidente Lula e seu governo, é de se esperar que tenha todo o tato para se comportar como chefe do maior pais e economia do continente sulamericano e se relacione bem com os outros governantes, independente da ideologia de cada um deles. Que – como amigo – aconselhe o venezuelano Nicolas Maduro, o aconselhe a não fazer a estupidez de invadir a Guiana. Que tenha relacionamento protocolar com o argentino Javier Milei (porque isso será bom para os dois países) e não se meta na questão da Bolívia, onde a Justiça acaba de impedir que Evo Morales concorra a mais um mandato na presidência. Não se esqueça que Morales, mesmo sendo seu parceiro de ideologia, já deu prejuízo ao Brasil, quando invadiu e nacionalizou instalações da Petrobras em solo boliviano (e o Brasil então governado pelo PT aceitou pateticamente o esbulho de seus bens). Todos os brasileiros – tanto os que nele votaram como os que o rejeitaram – querem hoje que o presidente vá bem. Porque, se for mal, todos sofreremos as consequências. Que 2024 seja um bom ano, se possível, melhor e de melhores definições que 2023.  

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) 
aspomilpm@terra.com.br

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