
Ao completar seus 112 anos, Santo Antônio da Platina desperta o orgulho dos platinenses pelo desenvolvimento rápido, por sua população trabalhadora, por seu comércio pujante, indústria em plena fase de crescimento, apesar de tantos reveses em níveis nacionais e mundiais.
A impressão é que a cidade avança porque o povo arregaça as mangas. E aí, toda a atenção para as ações da Câmara Municipal, que têm que cumprir seu papel de fiscalizar, porque a população já faz isso por conta própria. E eleição corre a cada quatro anos. E promessa não engana mais e compra de voto acaba em cassação. Basta ver a queda de prefeitos da região.
Mas o bonito de Santo Antônio é que quem trabalha é o que mais gosta de servir a cidade. Pessoal do Sindicato Rural há anos tem realizado a Exposição Feira Agropecuária e Industrial de Santo Antônio da Platina – Efapi – , que está em sua 54ª edição e que já há alguns anos, acontece junto com as festividades de aniversário da cidade, com apoio da Prefeitura Municipal.
Durante muitos anos, a cidade era conhecida como a “Rainha do Norte Pioneiro
Solo fértil sempre foi atrativo
Santo Antônio da Platina começou a reunir moradores no século XIX, por causa do solo fértil. Também surgiu nessa época, uma forte corrente religiosa, de onde nasceu o nome Santo Antônio. A Platina veio, segundo moradores antigos, por causa das águas brilhantes dos córregos da região, que refletiam como prata com o brilho do sol.
A emancipação política aconteceu em 20 de agosto de 1914, e o município foi oficialmente instalado após se desmembrar do território de Jacarezinho. O primeiro prefeito foi Evergisto Alves Capucho.
A cidade cresceu impulsionada pela cultura do café, tornando-se ao longo das décadas um polo comercial, agropecuário e de prestação de serviços estratégico no Norte Pioneiro paranaense.
As festividades do aniversário integram a 54ª EFAPI (Exposição Feira Agropecuária e Industrial), realizada no Parque de Exposições Dr. Alício Dias dos Reis.
Nesta quinta-feira, 20, dia do aniversário, o Parque de Diversões será Gratuito: sem nenhum custo para as crianças, das 11h às 18h


Jornal Tribuna do Vale comemora os 112 anos da cidade homenageando a cultura de um povo com seu leitor mais antigo
UMA VIDA EM S.A.PLATINA
Ao 92 anos, “seo Pedro” lê a Tribuna do Vale regularmente e conhece boa parte da história platinensepelas matérias do Jornal que já completou mais de 30 anos de existência; a trajetória de vida de “seo Pedro” se mistura em vários aspectos com a população platinense, que chegou aqui por acaso, trabalhou, formou família e nunca mais foi embora

Gladys Santoro
Gostar de ler, acompanhar as notícias, saber até quem as escreveu não é para qualquer um. Hoje, a internet “roubou” o prazer de muita gente de folhear os jornais, de ler até os anúncios e depois guardá-los para posteriormente ir confrontar uma informação. O cheiro da tinta, o contato com os jornalistas, repórteres, fotógrafos: tudo isso era e ainda é um prazer para pessoas que sabem bem o que é uma rede social, mas que não abrem mão desses pequenos prazeres. Assim é o homenageado da Tribuna do Vale: “seo” Pedro Sosnieszki, um morador de 92 anos, que quando o jornal não chega em suas mãos, faz questão de sair de sua casa, na rua 7 de Setembro e ir andando até a Vila Ribeiro onde fica a gráfica para buscar o que é seu de direito. Afinal, depois das redes sociais, o jornal acabou com as assinaturas, mas “seo” Pedro não aceita. Além de querer o jornal, ele também quer pagar. É claro que tem alguém encarregado especialmente para levar o jornal para ele e mais evidente ainda, que ninguém deve receber o dinheiro dele. Pedro ri quando dessa condição, mas não concorda.
Ontem, uma equipe da reportagem da Tribuna do Vale esteve em sua casa, que por sinal, é bem próxima da redação do Jornal, na rua 7 de Setembro. A conversa só não avançou noite afora porque os compromissos não deixaram, mas ele e Maria, sua esposa há 62 anos, tinham história demais para contar. Eles têm quatro filhos, que moram em suas devidas casas, que cuidam do bem-estar deles. O casal não se interessa por televisão. Dona Maria, aos 85 anos, não gosta de novela. Apenas de programas de igreja, como ela diz. “Seo Pedro”, gosta de notícias”, de preferência da Tribuna do Vale, “porque tem notícias daqui”, explicou.
Uma trajetória digna de um platinense de coração
Nesses 112 anos que Santo Antônio da Platina completa em 20 de agosto, o Jornal Tribuna do Vale não esconde seu orgulho pelos platinenses genuínos e também por aqueles que acabaram adotando o município para viver. Todos ajudaram a cidade a crescer, a sair do “ramal da fome”, a figurar entre as melhores da região Norte Pioneiro do Estado. Mas há um orgulho ainda muito maior do que o que se pode colocar nas tabelas numéricas: Santo Antônio da Platina foi e é formada por gente que trabalha, que luta, que cobra por melhorias, que faz a suaprópria melhoria.
“Seo Pedro Sosniezki, de origem ucraniana, nasceu em Prudentópolis-PR, onde morou com os pais e mais seis irmãos. O pai, na época, um estudante de magistério (normalista), precisou se mudar para se formar na faculdade em Curitiba e levou toda a família junto. Depois, conforme assumia escolas no interior do Estado, mudava-se também com a família. Dessa maneira, o Sosnieszki levou a família para várias cidades do interior chegando aos poucos, perto de Santo Antônio da Platina, por volta dos anos 1950. Eles chegaram a morar em Uraí, Assai, Irati e outros municípios.
Os sete filhos do casal d origem ucraniana também viajaram bastante. Seo Pedro, influenciado por um padre amigo da família, já em Santo Antônio da Platina, resolveu que seria seminarista e passou quatro anos em seminários no Paraná e Santa Catarina. La pelos anos 1950, resolveu que não queria mais ser padre. Talvez os olhos castanhos de Maria, uma bela moça da cidade, o tivesse convencido a se casar (ele não admitiu), e em 1960, eles se uniram. Em 1961, tiveram a primeira dos quatro filhos. Hoje, completam 62 anos de matrimônio.
Aqui, trabalhou em escritório de contabilidade, depois noRodoviário Afonso, no Fórum (Cartório Cível), Telepar (que depois mudou para Jacarezinho), e por fim, mais 26 anos na Princesa do Norte, onde aposentou.
Ao nosso homenageado, sua esposa Maria e seu filhos, nossos votos de vida longa, saúde e reconhecimento por parte da população e autoridades, porque a vida é feita de pessoas como as que formam essa família: trabalhadoras e honestas.



