



ABATIÁ
Ação integra a Operação Mulher Segura/PR, reforça canais de denúncia e fortalece a proteção das mulheres indígenas.
PM
A Patrulha Maria da Penha dos municípios de Cornélio Procópio e Jacarezinho promoveu uma palestra na Aldeia Indígena Ywy Porã – Posto Velho, em Abatiá, dentro da Operação Mulher Segura/PR. O evento reuniu cerca de 80 pessoas e integrou a programação da Festa Tradicional TekoaYwy Porã, que celebrou 20 anos de resistência, preservação cultural e fortalecimento da identidade indígena sob a liderança do cacique Walace.
Conscientização e prevenção
A soldado Dhynes, pertencente ao 18º BPM (18º Batalhão de Polícia Militar), ministrou a palestra “Os desafios da PMPR no enfrentamento ao feminicídio”, apresentando dados, exemplos e reflexões sobre a realidade enfrentada pela corporação no atendimento às ocorrências de violência doméstica. Foram explicadas as cinco formas de violência doméstica – física, psicológica, sexual, patrimonial e moral – com situações práticas que auxiliam no reconhecimento de sinais de abuso. Também foi abordado o ciclo da violência, suas fases e consequências, além da influência de fatores como álcool, drogas e questões emocionais, incluindo o risco de suicídio.
O Soldado Manuel, também do 18º BPM, explicou sobre os desafios e os resultados obtidos com a proposta de policiamento de proximidade. Destacou que, em característica específica, essa modalidade é essencial nas Patrulhas Maria da Penha, que atuam não apenas na repressão (prisões e abordagens), mas principalmente na prevenção. O trabalho envolve identificar problemas locais, interagir com moradores — como estudantes, idosos e comerciantes — e buscar soluções conjuntas, valorizando o diálogo e a participação cidadã para ampliar a sensação de segurança.
O Soldado Jacob enfatizou a área de atuação e responsabilidade do 2º BPM (2º Batalhão de Polícia Militar), destacando também os mecanismos e ações de suporte às vítimas realizados em conjunto com a rede de apoio de cada município, composta pelo CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), CREAS (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), profissionais da área da saúde e pelo Conselho Tutelar.
Participação comunitária
O encontro contou com espaço para diálogo aberto, permitindo que os participantes compartilhassem experiências, dúvidas e preocupações. A receptividade da comunidade demonstrou interesse em aprofundar o debate e firmou o compromisso de seguir promovendo ações de conscientização.
União de forças
A atividade teve a presença de diferentes instituições, como a FUNAI, acadêmicos do curso de Direito da Universidade Estadual de Ponta Grossa, além de representantes de setores públicos e parceiros regionais. A união entre órgãos públicos, lideranças tradicionais e sociedade civil reforçou a importância da cooperação para o enfrentamento da violência doméstica e para a proteção das mulheres indígenas.
Formas de denúncia e canais de apoio
Durante a palestra, foram reforçados os principais canais de denúncia e apoio às vítimas de violência doméstica:
• Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) – serviço nacional gratuito e disponível 24 horas, que orienta e encaminha casos de violência.
• Disque 190 (Polícia Militar) – para situações de emergência e risco imediato.
• Delegacias da Mulher – unidades especializadas no atendimento às vítimas, com suporte jurídico e psicológico.
• Aplicativo 190 PR – ferramenta digital que permite acionar a Polícia Militar de forma rápida e segura.
• Rede de apoio comunitária – incentivo para que familiares, vizinhos e lideranças locais denunciem casos suspeitos e ofereçam suporte às vítimas.
A equipe destacou que denunciar é um ato de proteção e responsabilidade coletiva, fundamental para romper ciclos de violência e salvar vidas. Também foi ressaltada a importância de fortalecer a rede de apoio dentro das comunidades indígenas, garantindo que mulheres tenham acesso à informação, acolhimento e segurança.



