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Ex-namorado é condenado a mais de 23 anos por ser mandante de tentativa de feminicídio

JACAREZINHO

Gladys Santoro Biaggioni  

Teve início na segunda-feira´, às 9 horas, no Tribunal do Juri de Jacarezinho-PR-, o julgamento de Débora Aparecida Custódio Ferreira e de Marlon Ferreira Lemes. Ambos acusados de feminicídio contra Isabelly Aparecida Ferreira Moro. O julgamento começou na segunda e terminou na terça-feira, 9, por volta das 19 horas, quando o juiz doutor Renato Garcia leu a sentença de Marlon, que pegou 23 anos e três meses de reclusão, em regime fechado. Débora não chegou a ser julgada, porque sua defesa abandonou o recinto no período da tarde de ontem, 9. Ela terá uma nova data para seu julgamento.

Ao todo, o Conselho de Sentença foi formado por sete pessoas. Elas mantiveram as qualificadoras pré-estabelecidas: Recurso que dificultou a Defesa da Vítima(ela foi pega de surpresa); Motivo Torpe (sentimento de posse do ex-namorado), e Meio Cruel (Foi atingida por soda cáustica- produto químico corrosivo).

Como e quando aconteceu

Isabelly Moro havia namorado Marlon, mas o romance já tinha acabado quando ele começou a namorar Débora; porém, o rapaz acabou sendo preso por roubo de celular e a atual passou a ler mensagens dele destinadas a Isabelly e  os ciúmes a atormentaram. Ela passou a cobrar dele mais fidelidade, e foi quando, segundo ela, ele sugeriu que Débora se disfarçasse com perucas e roupas escuras e jogasse soda cáustica no rosto da ex, assim ela “ficaria mais feia”. 

Débora sabia a rotina de Isabelly e foi ao seu encontro na manhã do dia 24 de maio de 2024, quando a rival saia da academia e jogou nela soda cáustica dissolvida em água, que acertou sua boca e parte de seu tronco. Isabelly ainda chegou a engolir um pouco do liquido. Desesperada, ela conseguiu socorro até a Santa de Misericórdia de Jacarezinho, que diante de seu estado a transferiu para o Hospital de Londrina, onde ela foi intubada e ficou 30 dias. Hoje a vítima se encontra bem, mas ainda em recuperação.

Débora, por sua vez, fugiu e jogou em um canto, dentro de uma mochila, o material e a peruca utilizados para atacar Isabelly. Dois dias depois ela foi presa e confessou que teria feito por ciúmes. Depois, ela acabou contando que a ideia foi toda do Marlon, e que ele chegou a ameaçá-la para que ela cumprisse o combinado.

Durante o julgamento, Marlon tentou dizer que não era bem assim, que a iniciativa tinha sido de Débora, mas depois ele acabou assumindo os fatos. 

Não ficou bem esclarecido no julgamento se Marlon eDébora eram casados legalmente. Em alguns trechos do julgamento, ele se defende dizendo que Débora havia ficado revoltada quando ele pediu o divórcio e por isso ela atacou Isabelly, achando que ele queria se separar para ficar com a vítima. Porém, em todas as descrições sobre o assunto, Débora é definida como companheira.

Novo Julgamento

Após a desistência em dar sequência ao julgamento, a Defesa de Débora pode ter preferido essa estratégia para que a cliente tivesse a oportunidade de ser julgada sozinha em uma nova ocasião. Portanto, aguarda-se agora, uma nova data para o julgamento apenas de Débora.

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