Segundo o MPPR, mulher de Abatiá ameaçou o filho de 16 anos com uma faca para impedir que ele denunciasse o plano de matar uma servidora da Casa Lar

DA REDAÇÃO – FOLHA EXTRA
ABATIÁ – Um novo desdobramento do caso que chocou o Norte Pioneiro revelou que a mulher acusada de planejar o assassinato de uma servidora da Casa Lar de Abatiá também ameaçou matar o próprio filho depois que o adolescente descobriu o crime e decidiu denunciar o caso às autoridades
A informação consta na denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), que acusa a mulher, de 41 anos, e o marido pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, perseguição e coação no curso do processo. Segundo o órgão, a mulher utilizou uma faca para intimidar o filho de 16 anos e impedir que ele revelasse às autoridades o plano de execução.
O caso ganhou repercussão em julho, quando a mulher foi presa preventivamente após a denúncia feita pelo próprio adolescente. Agora, com a divulgação do teor da denúncia, o Ministério Público detalhou que a ameaça contra o filho foi determinante para incluir um novo crime na acusação apresentada à Justiça.
Adolescente descobriu plano e decidiu impedir o crime
Conforme a investigação, mesmo vivendo em uma instituição de acolhimento, o adolescente continuava visitando os pais. Em uma dessas visitas, ele ouviu conversas que indicavam que a mãe pretendia mandar matar uma funcionária da Casa Lar.
Desconfiado, o jovem acessou o celular da mulher e encontrou mensagens trocadas com um intermediário, nas quais ela negociava a execução do crime por R$ 3 mil.
Em uma das conversas obtidas pela investigação, a mulher chega a escrever: “Vamos deixar para o dia sete, é o dia em que eu recebo”, em referência ao pagamento pelo homicídio.
Segundo o Ministério Público, após perceber que o filho havia descoberto o plano, a mulher passou a ameaçá-lo com uma faca para evitar que ele procurasse a polícia.
Apesar da intimidação, o adolescente decidiu denunciar o caso e avisou a servidora que seria alvo do atentado. A atitude impediu que o crime fosse consumado.
Plano era motivado pela perda da guarda dos filhos
De acordo com a denúncia, o casal culpava a funcionária da Casa Lar de Abatiá pela perda da guarda dos três filhos.
O Ministério Público informou que acompanha a situação da família desde, pelo menos, 2022. Conforme o órgão, diversas medidas foram adotadas para tentar manter as crianças com os pais, mas a retirada da guarda tornou-se necessária após a constatação de um quadro considerado grave de negligência.
Segundo as investigações, os menores viviam em situação de risco, com relatos de maus-tratos, alimentação inadequada, abandono intelectual e ausência frequente da escola.
Ainda conforme o MP, a servidora ameaçada exercia regularmente suas funções na instituição e nenhuma irregularidade foi encontrada na Casa Lar durante as fiscalizações realizadas pelo órgão.
Prints revelaram negociação do assassinato
Embora as mensagens tenham sido apagadas do celular da investigada, a Polícia Civil conseguiu identificar o homem que intermediava a conversa.
Foi ele quem apresentou os prints utilizados na investigação, permitindo que os policiais reconstruíssem a negociação do crime.
Nas mensagens, a mulher afirmava que queria “apagar uma infeliz do mapa”, além de atribuir à servidora a responsabilidade por ter perdido os filhos e por, segundo ela, influenciar a atuação do Ministério Público.
O delegado responsável pelo caso informou que o intermediário colaborou espontaneamente com as investigações e afirmou que pretendia comunicar a Polícia Civil caso percebesse que a mulher realmente levaria o plano adiante.
Casal pode pagar indenização de R$ 100 mil
Além da condenação pelos crimes de tentativa de homicídio qualificado, perseguição e coação, o Ministério Público do Paraná pediu que o casal seja condenado ao pagamento de R$ 100 mil por danos morais às vítimas.
A mulher permanece presa preventivamente desde o dia 10 de julho. Segundo o MP, a medida foi considerada necessária para garantir a segurança das vítimas e evitar novos episódios de violência.
Para o Ministério Público, o homicídio só não foi consumado porque o adolescente teve coragem de denunciar a própria mãe, frustrando o plano antes que ele fosse executado. A investigação prossegue e o caso segue sob análise da Justiça.



