Por Ivo Peron
No consultório, o narcisista quase nunca chega se reconhecendo como tal. Pelo contrário: ele sempre chega como vítima. Na narrativa psicológica, alguém o feriu, o desrespeitou, o abandonou, o injustiçou. O outro seja parceiro, filho, pai ou mãe é sempre o culpado. Ele apenas reagiu.
Do ponto de vista psicológico, o narcisista constrói sua identidade a partir da autoproteção. Ele não sustenta culpa, não suporta frustração e não tolera a ideia de falha interna. Para sobreviver emocionalmente, precisa transferir a responsabilidade. O erro nunca é dele. A dor nunca começa nele. O problema sempre vem de fora.
Mas quando ampliamos o olhar e incluímos a visão espiritual, o quadro muda completamente.
Espiritualmente, o narcisista não é apenas uma vítima emocional. Ele atua como um espírito cobrador. Um espírito que exige, controla, cobra reconhecimento, lealdade, submissão emocional e validação constante. Ele não se relaciona para trocar; relaciona-se para se abastecer.
Essa cobrança não é apenas psicológica. É energética.
O narcisista cobra atenção, cobra afeto, cobra obediência emocional. Quando não recebe, pune com silêncio, desprezo, inversão de culpa ou agressividade velada. A vítima começa a duvidar da própria percepção, do próprio valor e, muitas vezes, da própria sanidade.
A mãe narcisista
A mãe narcisista não ama o filho pelo que ele é, mas pelo papel que ele cumpre. Ela se sente no direito de controlar escolhas, emoções e decisões. Usa frases como “eu fiz tudo por você” para gerar dívida emocional. Quando o filho tenta crescer, se individualizar ou discordar, ela se coloca como vítima ingrata e o transforma em culpado. Espiritualmente, essa mãe cobra do filho uma reparação que não pertence a esta vida.
O pai narcisista
O pai narcisista costuma se expressar pelo autoritarismo emocional ou pela ausência manipuladora. Ele exige respeito, mas não oferece presença. Cobra admiração, mas não constrói vínculo. Quando confrontado, se fecha, se vitimiza ou explode. O filho cresce tentando provar valor para alguém que nunca se satisfaz.
O relacionamento com um narcisista
No relacionamento amoroso, o narcisista homem ou mulher começa encantador. Ele seduz, valida, coloca o outro no centro. Depois, gradualmente, retira. O parceiro passa a se esforçar cada vez mais para voltar ao início da relação. Vive tentando “consertar” algo que nunca esteve equilibrado. Psicologicamente, sente culpa. Espiritualmente, está preso a uma relação de cobrança kármica.
O homem narcisista costuma cobrar admiração, submissão e validação. A mulher narcisista costuma cobrar atenção constante, exclusividade emocional e controle afetivo. Ambos drenam. Ambos se colocam como injustiçados quando contrariados.
O ponto central
O narcisista não se vê como agressor porque, internamente, ele se sente ferido. Mas sentir-se ferido não autoriza ferir. Do ponto de vista espiritual, ele atua como alguém que cobra do outro aquilo que acredita lhe ser devido seja amor, reconhecimento ou poder.
Por isso, lidar com o narcisista exige algo que ele não oferece: limite.
A cura começa quando a vítima entende que não está ali para pagar uma dívida invisível. Psicologicamente, isso é resgate da identidade. Espiritualmente, é encerramento de um ciclo de cobrança.
Nem todo sofrimento é culpa sua.
E nem toda dor precisa ser carregada como expiação.
Reconhecer o narcisismo é o primeiro passo para sair do jogo.
—
Ivo Peron
Especialista em Saúde Emocional
Hipnoterapeuta | Professor de Hipnose | Palestrante
Redes sociais: @peronhipnoterapia
Contato: contato@ivoperon.com.br
