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Oficinas de grafite mobilizam jovens e dão identidade cultural a espaços públicos no território do PR e MS

Projeto já percorreu mais de 140 cidades do Paraná e do sul do Mato Grosso do Sul, promovendo oficinas de grafite que unem expressão cultural, identidade local e protagonismo juvenil

Luiz Sampaio, 16 anos, morador de Castro (PR), participou de oficinas de grafite pela primeira vez e agradeceu a oportunidade.

“Eu sempre enxerguei a arte como vida, como algo que gera sentimentos e emoções.” A frase é de Luiz Paulo Sampaio, de 16 anos, que antes de segurar uma lata de spray pela primeira vez já enxergava arte nos muros, nas músicas e na cultura hip-hop que o acompanha. Morador de Castro (PR), ele nunca tinha encontrado espaço ou incentivo para transformar admiração em prática, até participar de uma das oficinas de grafite dos Núcleos de Cooperação Socioambiental, iniciativa da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec.

“Sempre gostei desse estilo, mas nunca tinha encontrado incentivo. Foi muito importante ter um profissional ensinando e mostrando o caminho, porque isso inspira a gente a continuar”, contou o adolescente.

A experiência vivida por Luiz Paulo tem se multiplicado em cidades do Paraná e do Sul do Mato Grosso do Sul. Promovidas em parceria com o convênio Linha Ecológica, as oficinas já passaram por mais de 140 municípios com mais de 2.800 participantes. Até o fim do ano, chegarão aos 434 municípios do território.

Os resultados dessa caminhada com arte pelo território podem ser vistos em um minidocumentário especial lançado pelos Núcleos, com relatos e destaque sobre o impacto da ação. O vídeo pode ser assistido pelo canal do YouTube do Itaipu Parquetec: https://youtu.be/B0bJCeTBmIg.

Mais de 2.800 pessoas já participaram da oficina que seguirão por todas as cidades do PR e MS.

“A cada oficina, uma nova história surge. São jovens descobrindo talentos, comunidades se reconhecendo nas próprias referências culturais e os espaços públicos ganhando vida por meio da arte”, destacou o diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri.

Nesta sexta-feira (19), os Núcleos realizaram ainda um webinar com o grafiteiro Isaac Souza, referência em arte urbana e com painéis grafitados em diversas partes do mundo. O bate-papo também está disponível no YouTube do Itaipu Parquetec: https://www.youtube.com/watch?v=TfLocvMax3g

Identidade cultural

Os grafites carregam símbolos que fazem parte da memória coletiva: a capivara que virou orgulho regional, a cuia e o chimarrão presentes no cotidiano das famílias, os grãos, frutos e sementes que representam quem vive da terra, entre outros símbolos e histórias.

“Passamos por São João do Triunfo (PR), por exemplo, e fizemos os pontos turísticos da cidade, com características muito típicas deles. É dessa forma que os moradores vão se identificar com essa arte, passando por ela e dizendo: ‘Isso tem a ver comigo’. Foi essa representatividade que buscamos”, disse o grafiteiro Michel Devis.

Participantes conhecem técnicas de luz, sombra e pintura.

De grandes centros a pequenas cidades do interior, as oficinas de grafite têm levado incentivo, acesso à cultura e novas formas de expressão para centenas de jovens do território. Além de transformar os espaços públicos, a iniciativa também ajuda a mudar a percepção sobre o grafite, reconhecido mundialmente como uma das mais importantes linguagens de arte urbana e expressão coletiva.

“Aqui na cidade muita gente ainda enxerga o grafite como vandalismo. Então é muito importante quando existe um projeto que investe nisso para nós, principalmente em cidades pequenas. Não temos tantas opções de lazer e cultura, então conhecer um artista que já esteve em tantos lugares através da arte e que veio aqui ensinar foi incrível”, contou Vitória Silveira, 16 anos, moradora de Ventania (PR), cidade com pouco mais de 10 mil habitantes.

Oficinas são ministradas por grafiteiros profissionais.

Ações em todo o território

As oficinas de grafite vão percorrer os 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental, deixando marcas em muros de escolas, instituições públicas, espaços comunitários e outros pontos coletivos nos municípios.

Convidados pelos integrantes dos Núcleos, os participantes têm contato direto com equipamentos e materiais utilizados na arte urbana e aprendem técnicas básicas de grafitagem, como traços, preenchimento, luz e sombra, detalhes e realismo.

As atividades são conduzidas por grafiteiros profissionais moradores do próprio território, artistas com trabalhos realizados em diferentes estados brasileiros e em outros países, levando para as oficinas experiências construídas dentro e fora do Brasil.

Grafites representam características locais e identidades dos territórios.

Para o diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Colombo, as oficinas mostram como a arte pode se tornar uma ferramenta de transformação social e conexão com o território.

“Quando levamos esse tipo de atividade para os municípios, criamos oportunidades para que os jovens descubram talentos, fortaleçam sua autoestima e expressem a própria visão de mundo. Além disso, as oficinas ajudam a valorizar a identidade cultural de cada cidade e estimulam o cuidado coletivo com os espaços públicos”, afirmou.

Sobre os Núcleos

Criados em 2024 no âmbito do programa Itaipu Mais que Energia, os 21 Núcleos de Cooperação Socioambiental fazem parte de uma iniciativa alinhada às estratégias do Governo do Brasil voltadas ao meio ambiente e à transformação econômica e social. A ação, coordenada em parceria pela Itaipu Binacional e pelo Itaipu Parquetec com o programa de Governança Participativa para a Sustentabilidade, abrange os 399 municípios do Paraná e 35 do sul do Mato Grosso do Sul, região prioritária da usina.

Os Núcleos funcionam como espaços de escuta ativa, formação e educação, baseados na metodologia da governança participativa. O objetivo é mobilizar coletivamente as instituições parceiras para melhorar a qualidade de vida e promover um futuro sustentável nas comunidades.

Crédito das fotos: Video Up/Parquetec.

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