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Dr. Leônidas teme que financiamento de R$ 12 milhões para contrapartida de obras pode “quebrar” o município

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O vereador Leônidas salientou ainda, que o FPM é essencial para o pagamento de salários e a manutenção de serviços públicos. “Se a prefeitura não conseguir pagar o empréstimo (financiamento), toda a questão financeira de Santo Antônio da Platina estará comprometida!”, esclareceu.

Gladys Santoro/Tribuna do Vale

Preocupado com o futuro de Santo Antônio da Platina, na última sessão da Câmara Municipal de Vereadores da cidade, ocorrida na segunda-feira, 11, o parlamentar Dr. Leônidas Silva Neto, foi o único (sempre é), a votar contra o projeto de financiamento do Poder Executivo que pretende financiar R$ 12 milhões através doprograma Finisa, da Caixa Econômica Federal, para conseguir o dinheiro necessário às contrapartidas de obras, inclusive, já anunciadas, para o município. 

O projeto de Lei nº 20/2026, do executivo foi aprovado por 10 votos contra 1.

O vereador Dr. Leônidas explica que o financiamento está atrelado ao Fundo de Participação do Município – FPM – que é um repasse de dinheiro do governo federalpara os municípios, para garantir autonomia financeira às administrações públicas. O dinheiro é repassado mensalmente e o valor depende de uma série de critérios, entre eles, inclusive, o número de habitantes. O FPM é uma verba de livre utilização pelo prefeito, com a obrigatoriedade de parte dela ser aplicada, além de contribuições previdenciárias, em Educação e Saúde.  

O vereador Leônidas salientou ainda, que o FPM é essencial para o pagamento de salários e a manutenção de serviços públicos. “Se a prefeitura não conseguir pagar o empréstimo (financiamento), toda a questão financeira de Santo Antônio da Platina estará comprometida!”, esclareceu.

Dr Leônidas comentou que as contrapartidas seriam para obras em diversas áreas que somariam R$ 147 milhões. “O problema é que todo o valor mensal do FPM iria para o pagamento do financiamento. Esse recurso (do FPM) é o único livre que a prefeitura tem, que pode usar em caso de necessidade. Fora isso, para qualquer obra que precisa de licitação, tem que entrar com a contrapartida. Ou seja, vamos ficar sem reserva financeira para uma necessidade, o que também dificultará contrair um novo empréstimo caso venha a ser preciso”, explicou.

Ex-prefeito deixou dinheiro em caixa

O ex-prefeito professor José da Silva Coelho Neto, o Zezão, administrou Santo Antônio da Platina oito anos consecutivos e deixou, segundo ele mesmo, R$ 20 milhões em caixa para a nova administração. 

Para o vereador Leônidas Silva, seus pares na Câmara Municipal não reconhecem esse valor e sim apenas R$ 16 milhões. “Que seja. Então comecei a questionar onde foram aplicados esses R$ 16 milhões. Alguém, depois de muito custo me disse que R$ 8 milhões haviam sido usados para pagar precatórios. Muito bem: mas e os outros R$8 milhões? Ninguém me respondeu até hoje. Então minha preocupação é essa. Não sabem explicar direito que fim deu R$ 16 milhões ou que sejam R$ 8 milhões. Como vão dar conta desse financiamento sem comprometer as finanças municipais? Será que estão pensando no futuro? questionou.  

Obras paradas

E nessa toada, Dr. Leônidas fez o que todos os moradores da cidade vêm fazendo ultimamente: vendo obras começadas e paradas, como a Praça São Jose, parte da avenida Oliveira Mota, UBS da Vila Claro, Escola Joel Carlos Silva Coelho (onde era o Centro Social), e outras, além de promessas de campanha que nunca mais saíram do papel, como a Guarda-Municipal. “Já cobrei, mas me disseram que não tem orçamento. E olha, que essa foi uma forte promessa de campanha do atual prefeito”, comentou.

Único vereador a votar contra

Dr Leônidas Silva Neto é um promotor de Justiça aposentado. Tão ativo em seus anos de Ministério Público que achou que poderia continuar ajudando o município se entrasse na politica e acabou sendo o terceiro vereador mais votado. E essa votação tem seus motivos. Ele entende de lei, de problemas pouco e muito complicados, de erros e de acertos de seres humanos que acabam tendo que se explicar na Justiça. 

Em sua cadeira na Câmara Municipal, ele vota contra sempre que acha que o assunto poderia ser tratado de outra forma, como é o caso do Vale Alimentação. Com tantos eleitores sem dinheiro para comprar o leite das crianças e vereadores ganhando um vale-alimento de mais de R$ 700 reais por mês para comer. Menos, aquele que sempre vota contra: esse doa o valor a quem precisa.

E assim vai.  A impressão que dá é que os demais votam para agradar o prefeito e não para retribuir quem os elegeram. Uma Câmara Municipal praticamente unânime, onde 12 dos 13 vereadores sempre votam com o executivo. Isso merece um troféu, uma matéria no Fantástico ou em outra circunstância, poderia ser chamado de CARTEL.

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