Agronegócios

Falta de sementes pode comprometer a próxima safra de trigo Após quebra na safra e perda de qualidade do cereal em 2023, setor cogita reduzir 10% da área plantada com o grão

Foto: Gilson Abreu/AEN

Rural News

Os estragos provocados pelo excesso hídrico do El Niño em 2023 devem trazer muita dor de cabeça para os triticultores neste ano. Após quebra de 50% na última safra gaúcha e perdas também no Paraná, os produtores começam a se deparar com a possível falta de sementes para o ciclo 2024/2025.

O cenário é tão preocupante que o próprio setor já estima uma redução de 10% a 15% na área plantada com o cereal. “Muita gente faz a própria semente. É o que a gente chama de ‘semente salva’. Mas a colhida em 2023 não tem boa qualidade. E, se não plantar a lavoura com semente de boa qualidade, não vamos ter alta produtividade, além de gastarmos mais porque o custo vai subir”, alerta o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Culturas de Inverno do Mapa, Hamilton Jardim.

Projeções do departamento de Análise da TF Agroeconômica mostram que uma redução de 10% na área cultivada com o grão na região Sul do Brasil faria com que agricultores, governo, cooperativas, cerealistas e revendedoras de insumos do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná tivessem prejuízos aproximados de R$ 3,6 bilhões ou US$ 715,91 milhões – considerando a saca média balcão à R$ 85.

Por enquanto, a compra e venda de sementes acontece diretamente entre cooperativas, “principalmente as que tiveram grandes perdas”, informa a TF Agroeconômica. A consultoria projeta que os primeiros agricultores a comprar sementes, neste ciclo, sejam os do Cerrado.

No Rio Grande do Sul, maior produtor de trigo do Brasil, os especialistas de mercado da TF identificam negociações entre as empresas fornecedoras do insumo, que estão com dificuldade de encontrá-lo. No Paraná, a estimativa é que as aquisições comecem somente após definição da safrinha de milho, cujo plantio está previsto para encerrar em março.

Outro limitador para o cultivo de trigo, neste inverno, está na contratação de seguro rural. Além da natural elevação no custo de contratação após de três anos de estiagem (La Niña) e um de enchentes (El Niño), faltam recursos para subvenção federal. “Este assunto é grande limitador e desestimulador do produtor”, assegura Jardim.

A Conab consolidou a safra nacional de trigo do ciclo 2023/2024 em 8,14 milhões de toneladas. O resultado é 22,8% menor que o da safra passada, contabilizada pela companhia em 10,55 milhões de t.

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