OpiniãoSaúde

O que é Síndrome do Impostor?

A Síndrome do Impostor é a condição da consciência de considerar-se não merecedora do sucesso, por imaginar-se sem a capacidade de realização.

Vivian Cury Lunardi

O termo foi criado em 1978 por duas psicólogas e pesquisadoras da Universidade do Estado da Geóriga, Pauline Rose Clance e Suzanne Imes. Contudo, elas não mencionaram diretamente como uma “síndrome”, mas uma experiência à um mecanismo psicológico de defesa.

Elas publicaram, em 1978, o primeiro artigo com o nome “impostor” usada para designar quem demonstrava sinais de auto-sabotagem. Esse artigo era direcionado a mulheres que se lançavam aos negócios, numa época onde o mercado profissional tinha um grande preconceito e eram vistas como inferior ao sexo masculino. O estudo que deu origem ao artigo examinou cerca de 150 mulheres bem-sucedidas (com títulos acadêmicos, profissionais nas suas áreas ou estudantes do ensino superior com excelente histórico escolar), e o resultado foi claro: todas se consideravam impostoras. “Contrariando as suas realizações acadêmicas e profissionais, mulheres que apresentam o fenômeno do impostor insistem em acreditar que elas não são boas o suficiente e que apenas enganam quem pensa o contrário”, diz o artigo.

Na década de 80, Gail Matthews, psicóloga, professora e pesquisadora americana da Universidade Dominicana da Califórnia juntou-se a Clance para novas pesquisas. Descobriram que 80% das pessoas bem-sucedidas (tanto mulheres quanto homens) já tiveram episódios de Síndrome do Impostor durante o seu percurso profissional. Com o tempo, a síndrome foi se ampliando para ambos os sexos, em proporção maior para as mulheres.

Gail Matthews também concluiu que um dos ambientes mais propícios para a manifestação do fenômeno é o meio acadêmico, sobretudo entre os alunos de mestrado e doutorado. Devido a alta competitividade, a rigorosidade dos processos de seleção.

Características:

A ideia central deste mecanismo envolve a auto percepção, de como cada um vê a si próprio, principalmente, em relação as conquistas profissionais e pessoais. A pessoa não acredita nas suas competências, porque há um fator de inferioridade e incapacidade em relação aos outros.

Os sentimentos envolvidos tem basicamente a ideia principal de não merecer reconhecimento ou elogio de algo que tenha feito. O mérito não faz parte de suas conquistas para o impostor , seu único feedback positivo é a sorte. Pode existir medo de que um dia descubram que ela é uma fraude, pois é assim que a pessoa se sente. Existem algumas características que ajudam na identificação do problema:

1. Fazer mais do que consegue

A pessoa acredita que sabe menos que os outros, por isso sente que precisa de se esforçar muito mais, para justificar as suas concretizações. O perfeccionismo é utilizado como justificação do desempenho, mas causa muita ansiedade, cansaço e desgaste.

2. Procrastinação

A pessoa acha que seus méritos serão criticados de forma negativa, adiando ao máximo os compromissos e tarefas levando o máximo do tempo para cumprir estas obrigações como fuga.

3. Auto-sabotagem

A pessoa acredita que o fracasso é inevitável, e que a qualquer momento alguém irá desmascarar à frente dos outros. Desta forma, pode não se esforçar tanto, evitando gastar energia para algo que acredita que não irá correr bem.

4. Comparação com os outros

Ser perfeccionista, exigente consigo e comparar-se com os outros apercebendo-se que é inferior, são algumas das principais características desta síndrome. Gera muita angústia, tristeza, frustração e insatisfação.

6. Querer agradar a todos

Para compensar o que a pessoa acha que não tem e procurar alcançar aprovação pelos outros, pode adoptar uma atitude de tentar causar boa impressão e tentar agradar a todos, podendo até, sujeitar-se a situações humilhantes.

Como se desenvolve? 

A síndrome do impostor é um mecanismo psicológico caracterizado pela dificuldade / incapacidade de assimilar os próprios méritos e conquistas, não importa o quão perfeccionista e exigente seja a pessoa. Se ela sofre da síndrome do impostor, vai acreditar que tudo foi apenas sorte. A origem desta crença é a comparação elevada de exigência.

Como podemos aprender a lidar com isso?

Ao nos conscientizarmos com a identificação da síndrome (identificar a síndrome do Impostor nos pensamentos e nas ações) é importante encontrar estratégias para redirecionar esse processo cognitivo, que nos leva apenas a ver apenas o lado negativo.

Para lidar com a síndrome do impostor é necessário aceitar que esse processo não vai passar de um dia para o outro. E mudar certos hábitos irão ajudar nessa mudança. Aceitar elogios, ver e admitir os pontos fortes, avaliar o trabalho usando os feedbacks dos outros (fazer uma lista dos comentários positivos).

Combater e aceitar que todos temos dúvidas e que essas que outras pessoas também podem te-tê-las. Evitar comparações constantes com os outros e falar das realizações com os amigos e familiares dando uma pausa nas preocupações.

– Busque ajuda de um profissional de saúde para ressignificar crenças limitantes que te impedem de ter os resultados esperados no âmbito pessoal e profissional. Treinamento de inteligência emocional e acompanhamento psicológico podem te auxiliar nesse processo.

Psicóloga Vivian Cury Lunardi, Botucatu São Paulo

Instagram: @vivian_cury

e-mail: Vivian.cury@live.com

whatsapp: (14) 995653824

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