Santo Antônio da Platina

Zezão tenta criminalizar a imprensa

Tribuna do Vale denunciou abuso sexual contra criança em ônibus escolar do Município e prefeito entra com queixa crime contra jornalista

Da Redação


O prefeito de Santo Antônio da Platina, Jose da Silva Coelho Neto, o Professor Zezão (PHS), não bastasse a penca de processos por danos morais que move contra veículos de comunicação pedindo indenizações por matérias jornalísticas às quais define como injuriosas e caluniosas, agora parte para esfera criminal, tentando impor a lei da mordaça na imprensa local. A vítima da vez é a Tribuna do Vale, cujo diretor de redação terá que depor na Delegacia de Polícia Civil local respondendo a uma queixa crime movida por Zezão. 

A origem da denúncia formulada perlo prefeito é uma reportagem publicada no dia 19 de março deste ano denunciando abuso sexual cometido por um adolescente contra uma criança de oito anos no interior de um ônibus escolar da prefeitura. A reportagem teve o intuito de alertar pais de alunos e as autoridades sobre um grave problema; o transporte escolar em Santo Antônio da Platina é realizado em veículos sem a presença de monitores, que poderiam ter evitado esta ocorrência contra uma criança. 

O prefeito Zezão, logo após a veiculação da reportagem, ocupou espaço na Rádio Difusora FM, no programa do jornalista Juninho Queiroz e, ao invés de apresentar propostas para melhorar o sistema de transporte de alunos, preferiu atacar o jornal Tribuna do Vale, acusando o veículo de ter cometido crime ao divulgar uma reportagem sobre um inquérito que, por determinação legal, corre em segredo de justiça.

O jornal preservou as identidades da criança e seu agressor, um adolescente de 15 anos, a identificação da linha de transporte escolar, bem como do veículo e seu condutor respeitando o sigilo das investigações imposto pela legislação nesses casos.

Irregularidades

O prefeito investe contra a imprensa processando a Tribuna, o Portal Tá no Site e o jornal Folha de Londrina, e contra os jornalistas Marco Martins, Luiz Guilherme Banwart e Benedito Francisquini pedindo indenização por dano moral, totalizando 14 ações, em todas pedindo indenizações de quase R$ 40 mil por processo.    

Em outra reportagem após a entrevista do prefeito na rádio, a Tribuna citou o caso de uma mãe, a trabalhadora Daniele Cristina Medeiros, que mora na zona rural, obrigada a retirar uma de suas filhas da escola, impedida de usar o transporte escolar por conta da inexistência de monitores nos veículos.  

O jornal citou também um festival de irregularidades envolvendo o transporte escolar, como por exemplo, condutores de veículos permitirem o transporte de pessoas estranhas ao meio, o que é proibido por lei; ônibus com capacidade para 30 lugares, transportando três a quatro alunos, operação que poderia ser realizada por veículo menor, deixando de onerar os contribuintes.

Críticas

A denúncia foi comentada na Câmara pelo vereador Jose Jaime Mineiro (PSDB) que fez duras críticas à gestão do transporte escolar, lembrando a desumanidade com alunos obrigados a deixar as salas de aula porque a prefeitura não disponibiliza monitores para cuidar dos estudantes.

Sem solução

Em recente reportagem a Tribuna voltou a abordar o assunto envolvendo transporte escolar em entrevista com a secretária de Educação, Adriane Cavatoni. Ela assinalou que o assunto é uma preocupação da administração e que está em estudo a viabilidade destas contratações, mas até aquele momento o problema persistia.

O transporte escolar do município atualmente demanda 35 veículos, sendo seis do município e 29 terceirizados. “Estamos verificando com outros municípios que já trabalham com monitores, a forma de contratação e como funciona a logística e o impacto financeiro.

Gostaria de frisar que este assunto não caiu no esquecimento, estamos em estudo, e queremos colocá-lo em prática, mas no momento não podemos garantir prazo”, assinalou a secretária.

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