Educação

Voltas às aulas presenciais anunciada por SP deixa estudantes da região apreensivos

Universitários se sentem inseguros com medida anunciada de retomada das aulas presenciais no estado de São Paulo

Universitários da FIO que moram em Jacarezinho precisam usar transporte coletivo para chegar até a faculdade: coletivo lotado
(foto: ônibus estudantes)

Santo Antônio da Platina

Dayse Miranda, especial para Tribuna do Vale


Após anunciada a possível retomada das aulas presenciais pelo governo de São Paulo, no próximo semestre, acadêmicos do Norte Pioneiro do Paraná relatam que ainda se sentem inseguros com a medida. Cerca de 700 estudantes da região antes da pandemia, atravessavam o estado para estudar principalmente em Ourinhos (SP) e estão afastados das instituições de ensino desde março.

A previsão do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), é que a retomada aconteça no dia 8 de setembro, de maneira gradual e com 35% da capacidade máxima (a medida vale para educação infantil, ensinos fundamental, médio e superior). Porém, a curva de contágio ainda segue crescente nos dois estados. Atualmente o Paraná tem mais de 26 mil casos confirmados e São Paulo já passou de 300 mil casos confirmados.

A acadêmica de Santo Antônio da Platina, Marjoare Carla Barbosa de Siqueira, do 6º termo de Artes Visuais, relata que mesmo com a falta das aulas presenciais, a maior preocupação é como as instituições vão se adequar para evitar o contato com alunos de outras cidades. Mas apesar da insegurança na volta às aulas, a universitária detalha que não pode ser prejudicada e precisará se expor ao risco se necessário. “Minha maior preocupação não é com a volta, mas sim como será essa volta. No ônibus, por exemplo, é impossível fazer o distanciamento social porque o transporte que eu vou está com a capacidade máxima. Na minha opinião as aulas devem continuar suspensas até que tenha um controle da doença ou uma vacina disponível para maior segurança. Eu acho que o estado, bem como todos os estabelecimentos de ensino deveriam dar opção de escolha para os alunos para quem quer seguir de forma remota, até porque cada um sabe do seu caso e suas limitações. Todos nós queremos e desejamos que volte tudo ao normal, mas para que isso aconteça temos que fazer o certo sempre”, detalhou.  

O universitário de Quatiguá, Nicolas Gabriel Cazaroto da Rocha, do 4ª termo de Medicina Veterinária, avalia que a escolha do governo de São Paulo na retomada das aulas põe em risco a segurança dele e também de seus colegas e familiares. Afinal, o acadêmico reside a aproximadamente 80 quilômetros da instituição e mesmo com todas as medidas preventivas na universidade, ele estará em constante risco em virtude do deslocamento diário. “Estaria me sujeitando a um risco diário, ambiente pouco arejado por um longo período e sem o devido distanciamento social. Ao chegar na universidade, atravessar corredores lotados e correndo risco de tocar em corrimão e outros objetos contaminados. Se eu for infectado, estarei levando o vírus para minha casa, colocando em risco todos que convivem comigo”, desabafou.

Cazaroto ainda acrescenta que não se sente seguro para essa retomada, mas prezando pela saúde e vida dele e seus familiares, acha mais viável manter os acadêmicos com aulas remotas durante o próximo semestre, já que o Ministério da Educação autorizou até o fim do ano letivo. “Ou então dar opção de escolha para os alunos que preferem se manter em isolamento social, sem ter que pensar em trancar o curso por medo da infecção”, finalizou.

Na opinião da acadêmica de Santo Antônio da Platina, Deiziani Calixto da Silva, do 10º termo de Psicologia, anunciar data para essa possível retomada é precipitado porque os dados não estão positivos e a estimativa é que só aumente os casos de Covid-19 tendo em vista que no Paraná está sendo feito o possível para achatar a linha de contágio. “Nos colocarmos em contato tão prematuramente para testar uma teoria de que devemos ‘voltar ao normal’ é inconsequente. Estar indo para a faculdade dentro de um ônibus estudantil com mais de 40 pessoas, ficar em uma sala fechada com a mesma quantidade de alunos, mesmo utilizando todas as formas de prevenção e cuidados, não tem como saber de onde virá o vírus. A faculdade é um ponto de encontro de mais de 20 cidades (Norte do Paraná e interior de São Paulo) e com isso, o risco aumenta potencialmente”, pontuou.

Deiziane faz parte da Associação dos Estudantes e detalha que o ônibus estudantil é cedido pela prefeitura para a associação, mas não há nenhuma ajuda de custos (combustível, mecânica, motorista), desta forma, é preciso dos alunos para que o ônibus tenha condições de rodar. Diante disso, a acadêmica adianta que não há possibilidade de rodar com uma quantidade reduzida de alunos para poder atender as medidas de isolamento social. “As aulas remotas aos poucos estão mais eficazes, porém a minha instituição não disponibilizou sequer um desconto aos alunos, com isso, muitos alunos estão trancando os cursos por falta de recursos para manter a mensalidade”, lamentou.

A universitária finaliza abordando que é do grupo de risco e nesse plano de volta as aulas deveria haver opção de escolha para os acadêmicos em participar de aulas presenciais ou seguir com aulas remotas. “Voltar mesmo com as medidas de proteção e cuidados me coloca diretamente na linha de contágio, jogando fora mais de cinco meses de isolamento social”, finalizou.

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