Japira

Vereadores aprovam CPI contra o prefeito de Japira

Angelo Vigilato é acusado de improbidade na venda de sucatas e equipamentos inservíveis da prefeitura

Benedito Francisquini – Da Redação


A Câmara de Vereadores de Japira aprovou por seis votos a dois, em sessão realizada na noite de segunda-feira (17), a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncia em volvendo o prefeito da cidade, Angelo Marcos Vigilato, acusado de irregularidades da venda de sucata e equipamentos inservíveis pertencentes ao município.

Na mesma sessão os vereadores aprovaram a indicação dos membros da comissão, que terá 90 dias para apresentar o relatório final indicando ou não a culpabilidade do prefeito, quer corre risco de ter seu mandato cassado, a exemplo de antecessores que tiveram igual destino no Legislativo. 

A denúncia também foi formalizada pelo vereador Nivaldo Nicolau que levou o caso junto ao Gaeco –PR – Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado  e ao Ministério Público Estadual (MPE), através do Gepatria – Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa, com sede em Santo Antônio da Platina, e à Promotoria de Justiça da Comarca de Ibaiti.  O caso está sendo investigado. 

O prefeito Angelo Vigilato e o secretário de Obras do Município, Erivelton Borges da Silveira são acusandos de conluio, juntamente com outros servidores públicos, que teriam realizado a venda de peças e maquinários do Município sem a realização de procedimento licitatório, desrespeitando a legislação que norteia este tipo de procedimento, ferindo, principalmente o princípio da moralidade e legalidade.  

Nivaldo Nicolau acusa Vigilato e Borges de sonegarem informações sobre o procedimento de venda do patrimônio público, deixando ou retardando respostas aos questionamentos do Poder Legislativo. Os requerimentos encaminhados ao Executivo solicitaram informações sobre o edital de venda, bem como a listagem e valores individualizados dos equipamentos disponibilizados no leilão, mas o prefeito não teria atendido aos pedidos.

Para o denunciante, teria ocorrido fraude no processo de venda dos bens públicos e a não realização de procedimento licitatório caracteriza possível dano ao patrimônio público, requerendo a imediata intervenção do Ministério Estadual através de uma rigorosa investigação.

Intimidação

O vereador Nivaldo Nicolau acusa ainda o prefeito Angelo Vigilato “através de sua organização criminosa” estaria usando de “intimidação pessoal” numa tentativa de forçar testemunhas a modificarem seus depoimentos em que o gestor é apontado como responsável pelas supostas ilegalidades denunciadas.

Para comprovar a acusação Nicolau anexou à denúncia conversas gravadas em que uma das testemunhas relata pressões recebidas de uma pessoa ligada ao prefeito, ameaçando-o para que mudasse sua versão sobre a denúncia atingindo Vigilato.

Outro funcionário da Secretaria de Obras, Benedito Reimão do Vale, negou-se a assinar um depoimento em que incriminava o prefeito após ter sofrido ameaças.

Diante da gravidade da situação o vereador resolveu levar o caso ao Gaeco e ao MPE solicitando que as denúncias sejam apuradas visando a preservação do patrimônio público.

Prefeito nega irregularidade

O prefeito de Japira, Angelo Marcos Vigilato, em entrevista por telefone, negou a ocorrência de irregularidade na venda de bens de propriedade do município considerados inservíveis. Ele alega que foi realizado um levantamento de peças e equipamentos inservíveis, mas que o procedimento de venda não teria ocorrido.

Diante da denúncia do vereador Nivaldo Nicolau ele informa que determinou a abertura de uma sindicância para apurar se ocorreu venda de sucata sem autorização do Executivo, mas foi categórico quer em afirmar que este tipo de transação não foi realizado.

Vigilato esclarece que não sonegou informação ao vereador denunciante, assinalando que os requerimentos enviados por ele, “não deixaram claro qual o objetivo dos questionamentos”. 

O prefeito afirma que até esta segunda-feira não foi notificado de qualquer investigação por parte do Ministério Público Estadual, mas que se coloca a disposição das autoridades para qualquer esclarecimento.

Deixe um Comentário