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Turismo ainda ruim


Mario Eugenio Saturno*

Recebemos no INPE um jovem alemão para um estágio tecnológico. Quando ele quis visitar a cidade de São Paulo, perguntou-me pelos pontos turísticos… Depois de pensar, lembrei-me do Planetário – que quero visitar novamente, já que o visitei em 1972-, do zoológico, que é muito bom, com passeio melhor que os de Orlando e Tampa, pensei na Sé e alguns prédios arquitetônicos e no Museu do Ipiranga que está fechado. Em suma, tive dificuldade. Ao contrário do Rio de Janeiro que tem o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, São Paulo não tem um ícone marcante, além do Monumento às Bandeiras.

O Turismo no Brasil é outro gigante adormecido, com um potencial gigantesco, sol e praias de beleza inacreditável, turismo religioso, histórico, de aventura e cultural, Floresta Amazônica, Caatinga, Pantanal, dunas… Mas com desempenho de envergonhar os responsáveis da área.

E foi divulgado que, em 2018, nenhuma das cem cidades mais visitadas por estrangeiros no mundo era brasileira, uma piora em relação ao ano anterior, já que o Rio de Janeiro era a única cidade na lista e ocupava a 94ª posição, agora, é a 101a.

Ao que parece, a Olimpíada e a Copa do Mundo, que expuseram bem o Brasil, não produziram um resultado expressivo, visto que, em 2017, 6.588.770 visitaram o país, pouco mais que na Olimpíada de 2016 (com 6.546.696 de turistas) e na Copa do Mundo de 2014 (com 6.429.852). Ainda estamos perdendo feio para a Torre Eiffel que é visitada por sete milhões de pessoas todo ano.

Entre os que vieram, 2,6 milhões eram argentinos, e foi 14% a mais do que em 2016. Depois, recebemos dos Estados Unidos 475 mil viajantes, registrando uma queda de 7%, e o Chile com 342 mil pessoas, 5% a mais.

Pelo estado de São Paulo, entraram um terço (2,14 milhões) de todos os turistas estrangeiros. O Rio de Janeiro fica em segundo lugar com 1,36 milhão ou um quinto do total e o Rio Grande do Sul em terceiro com pouco menos de um quinto ou 1,27 milhão.

A maioria dos turistas vieram por avião (63,5%), pelas estradas, vieram 2,25 milhões de visitantes e, por navios, 52,5 mil turistas.

Em fevereiro do ano passado, o Brasil passou a adotar o visto eletrônico para Austrália, Japão, Canadá e Estados Unidos, que provocou uma procura maior de pedidos de autorizações de entrada no país. O “e-Visa” facilitou a concessão de vistos para turistas e reduziu o custo, de US$ 160 para US$ 40 (além de uma taxa de US$ 4,24) e o prazo médio, que era de 30 dias, caiu para até cinco dias. Veremos se produziu algum resultado plausível.

De qualquer forma é preciso atacar o custo altíssimo do Brasil, especialmente para estimular o turismo interno, fomentar mais empresas de turismo, especialmente as individuais que promovem o turismo religioso e de festas locais em larga escala. É preciso ainda criar algum seguro para garantir o turista. Para o turista estrangeiro, o governo poderia articular um retorno em espécie ao turista para gastar no país. Ou ainda facilitar pagamento, através de empréstimos nos moldes da venda de aviões e outros produtos. Enfim, precisamos de muita criatividade.

*Mario Eugenio Saturno (cientecfan.blogspot.com) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e congregado mariano.

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