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Traficante morto a facadas vivia como cidadão comum

Mário Sérgio Arias era líder do Comando Vermelho em São Paulo e um dos maiores traficantes do Brasil

Crédito: Divulgação

Da Redação

Popularmente chamado de Serjão, o homem, de aparência simples e cordial, vivia como um cidadão comum. Comprava e revendia gado, dono de propriedades rurais, frequentador de locais públicos. Aparentemente mais um cidadão que saiu da cidade grande para viver na paz do interior. No entanto, atrás daquele homem afável escondia-se um criminoso cruel, procurado pelas polícias de vários estados, acusado da morte de, pelo menos, sete policiais.

O cidadão em questão era Mário Sérgio Arias, mais conhecido no mundo do crime como Panelão, um dos maiores traficantes do país, assassinado neste fim de semana após uma briga de bar em São José da Boa Vista. O que chama a atenção, porém, é o fato de ele ter vivido por anos na região como um “cidadão comum” até a prisão de seu genro em 2010 na cidade de Atibaia (SP) com um avião cheio de cocaína.

Ao que tudo indica Serjão, como era conhecido por aqui, conviveu por mais de 15 anos na região sem levantar suspeitas. Chegou a ter residência fixa em São José da Boa Vista. Entre outros, também era proprietário de um pesque pague (atualmente desativado) em Tomazina. De convivência pacífica com vizinhos e colegas, tinha uma vida de alto padrão.

Hoje a desconfiança é que a região era usada para lavagem de dinheiro desde a década de 90. Os negócios, até onde se sabe, sempre honrados e muitas vezes pagos em dinheiro vivo, seriam uma forma de legalizar o dinheiro que vinha do tráfico.

“Por mais de uma vez negociei gado com ele. Nunca imaginei que se tratasse de um traficante. Pra mim e pra todo mundo era uma pessoa como qualquer outra”, afirma um sitiante de São José da Boa Vista que por motivos óbvios prefere não ter o nome revelado.

Outras fontes ouvidas dão relatos parecidos sobre Arias: um cidadão comum, acima de qualquer suspeita. Entretanto, esta vida pacata era fachada para um dos maiores traficantes de drogas do Brasil e apontado como líder da facção criminosa Comando Vermelho no Estado de São Paulo.

A primeira prisão de Arias por envolvimento com tráfico é de 1977. Em 93 uma reportagem da Folha de São Paulo o aponta como líder do Comando Vermelho em São Paulo e relata uma fuga espetacular durante uma consulta médica quando 12 homens armados com metralhadoras fizeram a abordagem.

Reportagens diversas também atribuem a Arias uma movimentação de uma tonelada de drogas por mês. Tinha avião e hangar próprios, trazendo a cocaína de países vizinhos. Era suspeito do mandar matar pelo menos sete policiais no Estado de São Paulo. Também conseguiu fugir de uma penitenciária ao que tudo indica contando com ajuda de carcereiros. Enfim, um vasto currículo criminoso com denúncias de homicídios, roubos, associação criminosa, entre outros.

MORTE

A morte de Arias aconteceu na madrugada de domingo (21) após uma discussão em um bar no centro de São José da Boa Vista. Segundo testemunhas, todos os envolvidos tinham consumido bebida alcoólica e um morador da cidade teria feito uma provocação ao traficante, dizendo que era integrante do PCC (Primeiro Comando da Capital), facção rival do Comando Vermelho.

Irritado, Arias teria desferido um tapa no rosto deste rapaz e, com a ajuda de pelo menos mais uma pessoa, teria continuado as agressões. Um amigo da pessoa agredida tentou intervir e esfaqueou Arias na região do tórax, próximo a axila.

Ferido, Arias ainda dirigiu cerca de 20 quilômetros até Wenceslau Braz para ser atendido no hospital local, onde deu entrada com vida, porém acabou morrendo pouco tempo depois. Ao que se sabe, o assassino, morador da zona rural de São José da Boa Vista, não sabia do histórico criminoso do traficante e continua foragido.

Mário Sérgio Farias era natural de São Paulo capital e tinha 62 anos de idade.

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