Desemprego

Trabalhadores do transporte escolar pedem socorro

Pandemia afeta categoria. Já são 5 meses sem poder trabalhar e motoristas clamam por ajuda 

Parados por 5 meses “tios das vans” pedem ajuda das autoridades 
CRÉDITO: ANTÔNIO DE PICOLLI

Dayse Miranda, especial para Tribuna do Vale


Os motoristas do transporte escolar, de Santo Antônio da Platina, clamam por ajuda durante esse período de pandemia. Sem aulas desde o dia 20 de março, já somam 5 meses sem poder trabalhar. Diante do cenário de isolamento social, os clientes mantiveram algumas mensalidades em dia até o mês de abril, mas após esse período a suspensão dos contratos foi geral.

Os “tios das vans”, como são conhecidos pelas crianças e adolescentes transportados, chegaram a tentar um acordo com os clientes, oferecendo a proposta de reduzir o valor para 50%, na tentativa de não zerar a única renda que lhes restava, mas mesmo assim, a maioria dos motoristas teve 100% dos contratos suspensos. Como se não bastasse, no ato da suspensão, muitos clientes não pagaram as multas de rescisão contratual, alegando dificuldades financeiras.

O grupo de “vanzeiros” soma quase 40 pessoas, que em virtude do período de pandemia não podem nem fazer os “bicos” para tentar angariar uma renda, pois, não estão sendo realizados eventos. “Comumente, conseguimos fazer alguns ‘bicos’ levando famílias para eventos, casamentos, shows, mas nada disso está acontecendo. Está difícil. O veículo é a nossa única fonte de renda”, lamentou Marciano Martins Esteves.

Para piorar, os “tios das vans” relatam que nem todos conseguiram o auxílio emergencial oferecido pelo governo. Uns conseguiram receber somente duas parcelas, outros não conseguiram nem dar entrada. “A situação chega a ser constrangedora porque as contas estão chegando. A princípio pensávamos que era somente por uns dias, mas já estamos cinco meses sem trabalhar”, reclamou um dos “tios” que preferiu manter sua identidade preservada.

REUNIÃO COM PREFEITO – Sem ter a quem pedir por socorro, o grupo decidiu recorrer ao prefeito de Santo Antônio da Platina, José da Silva Coelho Neto, o Zezão. “Fomos conversar com ele para ver se poderia nos ajudar de alguma forma. Não estipulamos nada, nem valores, esperávamos que ele pudesse nos oferecesse algum tipo de ajuda, mas infelizmente foi humilhante. Recebemos um não que nunca mais esqueceremos. Ele nos disse que a prefeitura não tem obrigação de nos ajudar, pois não somos contratados pelo município”, relembrou o grupo.

A preocupação que assola o grupo são as dívidas acumuladas, pois, vários dos “tios” tem veículos financiados ou consórcio onde os bancos não estão sendo flexíveis em virtude do cenário econômico que o país enfrenta. “Estamos tentando renegociar o que conseguimos, mas tudo isso está acumulando com juros e correção. Ou seja, a nossa bola de neve está a cada dia maior. No início do ano temos muitas despesas com documentação e manutenção dos veículos, e essas despesas ainda estão em débito”, explicou Esteves.

OFÍCIO AO EXECUTIVO – Diante do cenário, o grupo decidiu que nos próximos dias vai enviar um ofício à prefeitura solicitando ao menos a isenção de taxas/impostos, bem como a ampliação de prazos para vistorias e flexibilização das fiscalizações até conseguirem organizar a situação financeira. “Somos autuados em vistorias por detalhes mínimos, somos autuados se pararmos na segunda faixa, quando nossa vaga está ocupada por veículos dos pais. Somos criteriosamente fiscalizados. Esperamos agora a contrapartida do governo municipal para com a nossa situação no momento”, detalharam os membros do grupo.   

VOLTA ÀS AULAS – Apesar de o Governo do Estado já assinalar a volta às aulas, os “tios das vans” não acreditam que voltarão a ter a mesma clientela. Porque além da crise financeira, muitos pais ainda têm receio de enviar os filhos para a escola, visto que ainda há um risco eminente de contágio do coronavírus.

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