Economia

Sobra vaga, mas falta profissional

Mercado de trabalho em Tecnologia da Informação e Comunicação vai precisar de 420 profissionais até 2024

Raquel Cardoso – Assessoria 


Em um cenário de mais de 13 milhões de brasileiros desempregados, sobram vagas no setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TICs) por falta de profissionais qualificados. É um mercado que respondeu por 7% do PIB de 2018 e demandará 420 mil novos empregos entre 2018 e 2024, segundo relatório da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). Diante desse quadro, as necessidades e perspectivas da educação e capacitação digital preocupam as empresas, que para driblar esse impasse seguem gigantes do setor, como o Facebook, e investem em treinamento dentro de casa.

É o caso da Flex Relacionamentos Inteligentes, que, através de parcerias com instituições de ensino, busca capacitar seus colaboradores dentro de casa. Junto com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) Florianópolis, a empresa acaba de lançar o programa Geração de Talentos Tech. A primeira edição do projeto ofertou 25 vagas para a formação de analistas de bancos de dados e desenvolvedores de softwares e foi destinada somente a funcionários que não contam com background de tecnologia.

Apesar de o processo seletivo ter sido realizado apenas internamente, a procura foi grande, quase dez vezes maior que o número de vagas ofertadas. “O projeto ainda está no piloto, mas a quantidade de inscritos demonstra que há interesse dos nossos profissionais em se capacitar para atuarem nesta área. Florianópolis se tornou um polo tecnológico e a demanda por especialistas em TI é crescente. Optamos por desenvolver os talentos internamente”, diz Angela Casali, diretora de RH.

Segundo a executiva, a capacitação interna possibilita a maior retenção de talentos, pois dá oportunidade de os funcionários constituírem carreira dentro da empresa. “Muitas das profissões que conhecemos hoje não serão mais as mesmas ou sequer existirão nos próximos anos. Este é o momento de buscarmos nossa capacitação, qualificação e crescimento. Com isso, estaremos mais perto de nos tornarmos a empresa e os profissionais do futuro”, complementa.

Outra iniciativa da Flex que vai além do foco em tecnologia, é o Programa de Incentivo à Educação (PROED), que subsidia até 100% dos cursos tecnólogo, graduação e pós-graduação ofertados por universidades parceiras reconhecidas pelo MEC. O programa foi iniciado no 2º semestre de 2014 e, desde então, participaram mais de mil profissionais. Atualmente, são oferecidos 140 cursos em diversas áreas, porém, o foco em TI será estimulado.

“Com essa oportunidade, a Flex cresce e desenvolve seu capital humano de forma coerente, consistente e sustentável. A possibilidade de crescimento dentro da Companhia se reflete em menores taxas de turnover e os resultados aparecem para nossos clientes, colaboradores e comunidade”, afirma Angela. A iniciativa reforçou a Política de Seleção Interna e de valorização dos profissionais da Flex, aumentando o volume de aprovados por seleção interna, se comparado com seleções externas.

Atualização constante

Áreas digitais precisam de atualização constante, porque em tempos de grandes investimentos em big data, aumentou em muito a quantidade de dados disponíveis para ajudar executivos a tomar decisões em seus negócios. Ainda assim, boa parte da liderança reclama que não tem acesso aos dados que realmente precisam de maneira completa, e atribui esse atraso, principalmente, à falta de talentos na área.

A inteligência artificial, impulsionada pelo crescimento das HRTechs no mundo todo, tem sido bastante utilizada para auxiliar no recrutamento das grandes empresas. Mas os benefícios dos algoritmos para a gestão de recursos humanos nas corporações transcendem a etapa de seleção, e urgem alcançar um processo ainda mais estratégico para as companhias: a formação e a retenção de talentos. A análise é de Susana Falchi, CEO da HSD Consultoria em RH e criadora do PSIT, App que mapeia percepções para autodesenvolvimento dos colaboradores.  “A tecnologia leva a correções de rota que tornam o desenvolvimento do indivíduo mais leve, mais dinâmico e mais maduro”, diz.

Mas um dos maiores problemas para formação e retenção de talentos na área digital é a desconexão geográfica de onde se forma e onde se demanda. Obstáculo que a Neurotech conseguiu solucionar graças à proximidade com as universidades, conforme explica Rodrigo Cunha, diretor da empresa que fica abrigada no Porto Digital, em Recife (PE). “Fica mais fácil recrutar talentos diretamente de dentro das salas de aula”, diz.

Mas as universidades conseguem suprir apenas 25% dessa demanda, segundo a Brasscom. E ainda existe outro problema: os currículos das instituições de formação estão atrasados em relação à velocidade de avanço da tecnologia, que se atualiza permanentemente.

Os currículos, por sua vez, têm certa rigidez nos seus processos, principalmente os de ensino superior. Há um engessamento que não permite essa atualização de acordo com o que o mercado está exigindo.

Mudança de carreira

Esse quadro tem levado muita gente a buscar qualificação fora das universidades para mudar de carreira, conforme destaca Felipe Ferraz, coordenador do curso e head de Cloud Computing da CESAR School. O aumento da procura de pessoas interessadas em fazer essa transição, fez a escola de inovação do CESAR remodelar o seu curso de extensão NEXT – Nova Experiência no Trabalho, que antes era voltado para profissionais em busca de atualização, que já tinham experiência em TI.

Atenta à demanda de mercado, a instituição incluiu na grade curricular uma disciplina preparatória com foco em Introdução à lógica de programação e pensamento computacional para quem deseja mudar de carreira e ingressar na área de TIC.

Isso porque o próprio centro sente na pela o apagão de um dos países que menos forma profissionais na área de tecnologia, engenharia e matemática –  apenas 17% das matrículas nas universidades brasileiras são em cursos do segmento – o que coloca o país atrás até de outras economias em desenvolvimento, como China (40%) e Índia (35%). “Temos mas de 100 vagas abertas em tecnologia que incluem jornada flexível e homeoffice”, diz a gerente de Gente e Gestão do CESAR, Andrea Queiroz.

A empresa busca desenvolvedores de sistemas em todos os níveis para os cargos como engenharia de testes, de software e UX designer. Os candidatos devem possuir graduação superior em Ciência da Computação, Engenharia da computação, Sistemas de Informação e áreas afins.

Deixe um Comentário