Jacarezinho Saúde

Situação da UENP é precária denuncia diretor de Centro

Outras fontes internas da universidade acusam que criação do curso de Medicina é jogada política

Da Redação


Professor diz que a UENP não conseguiu sequer concluir a montagem do curso de Odontologia
CRÉDITO: Antônio de Picolli

Através de um artigo que está sendo publicado na edição deste fim de semana da Tribuna do Vale, o diretor do Centro de Ciências Humanas e da Educação da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), Campus Jacarezinho, Alfredo Moreira da Silva Júnior escancara uma realidade que não vem sendo mostrada pela direção da instituição, preocupada em garantir a criação do curso de Medicina no campus de Cornélio Procópio, enquanto a estrutura atual encontra-se em situação precária.

Com o título “Medicina na UENP e a alegoria da caverna de Platão” o diretor traça um paralelo entre a obra do filósofo grego e o comportamento daqueles que manobram na surdina para garantir a criação de um curso em um dos campi da universidade, enquanto vários centro da universidade, notadamente Jacarezinho, vivem à minga.

“O que a alegoria da caverna tem de Platão a ver com a nossa amada universidade? Explico: entre o mundo das sombras representado pelo embate sobre aonde será implantado o curso de medicina, se desnuda uma realidade diametralmente oposta à possibilidade de implantação de um novo curso”.

Na sequência, Alfredo Moreira denuncia que “tal realidade pode ser constatada no fato de que dezenas de docentes aprovados em concurso públicos realizados há mais de três anos ainda não foram nomeados pelo governo do Estado, que alega falta de recursos”. “Nosso tão aguardado curso de Odontologia do Campus Jacarezinho não possui nenhum professor efetivo em seus quadros, embora seja composto por professores muito qualificados, estes profissionais dedicam-se ao magistério, à pesquisa e ao atendimento à população, sem o devido reconhecimento dos órgãos de governo que lhes nega o acesso a carreira”, critica.

Precariedade

O diretor do centro de Humanas vai mais longe ao relatar “o estado precário dos prédios que abrigam a maioria dos cursos ofertados na UENP, em especial no Campus Jacarezinho, “beiram a ruína e a penúria”. “Não obstante a esta realidade de absoluta falta de recursos financeiros e de recursos humanos, anuncia-se investimentos da ordem de R$ 38 milhões nos primeiros seis anos do curso e a contratação de 99 docentes e 20 agentes universitários! Quem arcará com esta fatura se o governo do Estado sequer nomeia os aprovados nos concursos?”, questiona.

Alfredo comenta na sequência: “Ainda que se argumente que os recursos financeiros e humanos serão destinados especificamente para o curso de Medicina, bem sabemos que sairão dos mesmos cofres de onde saem os recursos para atender as demandas da educação, da saúde, da segurança e, sobretudo, das demandas dos municípios que há tempos são os que mais sofrem com os desmandos de alguns de nossos governantes e da crise financeira que assola o país”.

O diretor conclui que “contraditoriamente, o próprio decreto de criação do curso de Medicina (Decreto Estadual 11.685/2018) está atrelado à Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Federal 101/2000) e Lei de Controle Orçamentário (Lei Federal 4.320/1964), ou seja, fica evidenciado o engodo, não se trata de: aonde será implantado o curso, mas sim de quem arcará com a conta! Eis o mundo das sombras e o mundo real: resta-nos escolher em qual devemos permanecer”.

Realidade escondida

Outro professor, que pede que sua identidade seja mantida em sigilo diz que até agora a UENP não conseguiu concluir a montagem do curso de Odontologia. Faltam ainda no auditório as poltronas, tela de projeção, projetor e ar condicionado.

No Centro Cirúrgico faltam mobiliário, ar condicionado, projetores e cortinas. No Laboratório de Próteses ainda inexistem mobiliários, ar condicionado e equipamentos. Situação semelhante ocorre nos laboratórios de micro, radiologia, patologia.

Dos dois elevadores programados, apenas um foi instalado até agora e não funciona.  Mais grave: portadores de deficiência física estão sendo penalizados. Falta acessibilidade. Em outros centros vivem situação ainda pior, causando revolta em professores e alunos.

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