Jacarezinho

Revendas preveem dificuldades mesmo após abertura do comércio

Setor tem negócios completamente estagnados e registra demissões em toda região 

Com portas fechadas, revendas ficaram no prejuízo com a pandemia do coronavírus
Crédito: Lucas Aleixo

Da Redação


Reduções salariais, demissões e até fechamento de lojas, em casos extremos. Esta é a previsão de alguns lojistas do ramo de revenda de carros usados, setor, que embora pouco comentado, tem sido um dos maiores prejudicados pela pandemia de coronavírus e as consequentes sansões visando o isolamento social. 

Fechadas, as garagens viram as vendas diminuir drasticamente, e em alguns casos até zerar. Apesar de não haver dados oficiais sobre este segmento específico na região, sabe-se que é um setor que cresceu bastante nas duas últimas décadas e até o início da crise empregava centenas de pessoas no Norte Pioneiro. 

Dois comerciantes deste ramo entraram em contato com a reportagem da Tribuna do Vale para relatar os problemas. “Claro que não somos serviços essenciais, mas também geramos muitos empregos e o fechamento do comércio está afetando nossos negócios de uma forma violenta como eu nunca vi antes na minha vida. Acredito que vai ter muito garagista que não vai sobreviver. Se o cidadão tem uma estrutura grande, não consegue manter por muito tempo sem vendas, porque tem despesa alta. Se o cidadão tem estrutura pequena, o capital de giro não vai durar muito”, afirma o proprietário de uma revenda de usados em Jacarezinho. 

Um segundo lojista ratifica as reclamações do colega. “Praticamente todos os donos de revenda que eu conversei nesses dias já fizeram demissões, assim como eu também já fiz. E tem um problema maior que não vejo as pessoas falando, principalmente no nosso ramo: quando abrir as portas a tendência é de pouquíssimas vendas. Como que com tudo isso de gente desempregada ou sem trabalhar alguém vai trocar de carro? Eu acredito que vai mais de ano para a situação voltar ao normal nas revendas. Gente que até o mês passado tinha cinco, seis funcionários, vai ter que aprender a se virar com metade disso ou sozinho mesmo. Infelizmente a realidade é essa”, projeta. 

Outro ponto abordado é sobre a comissão dos funcionários que atuam como vendedores, que representa uma parcela significativa dos negócios no setor. Segundo os dois proprietários, muitos vendedores têm salários mínimos como base, ou às vezes nem isso, ficando com as comissões como responsáveis pela fatia maior da renda. Com as vendas completamente estagnadas, quem tem a felicidade de não perder o emprego dificilmente vai ter a felicidade de não ter redução nos ganhos mensais. 

VENDAS ONLINE

Uma alternativa seria as vendas online, através de anúncios em sites e redes sociais, entretanto, ambos os comerciantes relatam dificuldades mesmo com esta ferramenta. “Eu vejo que esse negócio de Facebook é bom e tem os sites, mas nas cidades pequenas o maior movimento mesmo é pessoalmente, as pessoas querem ver o carro, testar o carro, mas com medo de sair de casa a última coisa que alguém pensa é nisso. No meu caso, faz 10 dias que não vendo absolutamente nada, parou tudo, mesmo fazendo alguns anúncios na internet. A gente vê quem mexe com mercado e farmácia tendo até aumento nas vendas, em compensação alguns negócios estão à beira da falência, que é o nosso caso, e eu duvido que vá ter algum tipo de medida dos governos pra ajudar”, finaliza. 

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