Ibaiti Paraná

Rebelião reforça urgência de presídio no Norte Pioneiro

Unidades carcerárias da região estão superlotadas e sob o risco iminente de uma tragédia

Presos da cadeia de Ibaiti se rebelaram no fim de semana causando pânico e destruição na unidade
CRÉDITO: Divulgação/PM

Luiz Guilherme Bannwart


A rebelião ocorrida no fim de semana na cadeia pública de Ibaiti reforça a necessidade com urgência da construção de um CDR (Centro de Detenção e Ressocialização) no Norte Pioneiro. A unidade carcerária construída na década de 1950 para receber no máximo 30 presos vive superlotada, e novamente, desta vez com 83 homens e mulheres custodiados, não suportou a pressão e ‘explodiu como uma bomba-relógio’ na tarde de sábado (22) deixando rastro de pânico e destruição.

Este não é um problema específico de Ibaiti. Todas as unidades prisionais da região estão superlotadas. São cadeias frágeis, que facilitam as fugas, colocando as comunidades sob risco iminente de tragédias, o que poderia ter ocorrido neste fim de semana na cadeia ibaitiense, onde presos, além de fugirem, tomaram um agente como refém e se apoderaram de armas de grosso calibre.

Os presos fizeram o agente de cadeia como refém por volta das 17 horas, e em poucos minutos tomaram a unidade prisional que funciona de forma compartilhada com prédio da 37ª Delegacia Regional de Polícia Civil. A edificação, que recentemente havia sido reformada em razão dos estragos causados pelos presos em outra rebelião, foi totalmente depredada pelos detentos, que também incendiaram três viaturas.

No interior da Delegacia, os presos arrombaram um cofre onde havia armas e munições apreendidas em decorrência de investigações policiais e armamentos de grosso calibre (espingardas calibre 12 e submetralhadora) utilizados pelos próprios investigadores.

Equipes da Polícia Militar, especializadas em negociações de rebeliões, chegaram à cidade no início da noite e, por volta da 1 hora de domingo (23) convenceram os presos a entregarem as armas. Pouco tempo depois, perto das 5 horas, os detentos liberaram o agente de cadeia mantido como refém, e a contagem revelou 11 dos 83 presos haviam fugido, sendo três deles recapturados horas depois do fim do motim.

INTERDIÇÃO

As fugas na cadeia de Ibaiti viraram rotina, e motivaram, por mais de uma vez, pedidos de interdição da unidade pelos riscos que ela oferece à população e aos próprios servidores. Contudo, até o momento, tudo continua do mesmo jeito, restando aos moradores aguardar por medidas do Estado que possam sanar definitivamente o problema.

CDR

Uma das alternativas apresentadas ao Poder Público e também à Justiça pela Comissão de Direitos Humanos da Subseção de Ibaiti da Ordem dos Advogados do Brasil foi a construção de um CDR (Centro de Detenção e Ressocialização) no município ou em outra cidade da região, para transferência imediata de presos custodiados em cadeias que funcionam anexas a Delegacias no Norte Pioneiro.   

No dia 2 de março, a Câmara de Vereadores de Jacarezinho debateu o assunto visando a construção de um CDR no município. Representantes do Legislativo, Executivo e Judiciário discutiram o projeto por mais de duas horas mostrando a importância de uma unidade prisional na região. 

O juiz criminal Renato Garcia explicou que, à época, na cadeia pública anexa à Delegacia de Polícia, na área central da cidade, havia 119 presos num espaço construído para 40 detentos. Um dado alarmante que ele destacou foi que seriam necessárias mais de 2.500 vagas no Sistema Prisional para comportar todas as pessoas com sentenças somente do Norte Pioneiro. “Com a construção do CDR, o prédio que atualmente está a Delegacia na área central seria desativado e poderia ter outra finalidade para o Poder Público”, ponderou o magistrado.

Os vereadores questionaram sobre vários aspectos. Edílson da Luz ponderou que a iniciativa é importante, mas precisa de um debate mais amplo. “Uma das grandes preocupações da população é sobre o local de origem desses presos que viriam para Jacarezinho, e em relação às suas famílias”, exemplificou o parlamentar.

O presidente da Câmara Municipal, Fúlvio Boberg (MDB), lembrou que no ano de 2013 os vereadores realizaram uma visita ao município de Cruzeiro do Oeste (PR) para conhecer o CDR construído no município. “Estivemos na unidade prisional e conversamos com os moradores, comerciantes e lideranças. Eles foram positivos com o aumento da segurança e também em relação ao crescimento no comércio local”, analisa.

Moradores estiveram presentes na reunião para ouvir sobre a proposta da construção do Centro de Detenção e Ressocialização em Jacarezinho e, muitos deles, se manifestaram favoráveis à construção do presídio.

Durante a reunião foi sugerida a criação de uma Comissão para acompanhar o projeto, com a participação de representantes dos três Poderes, comunidade e interessados. Contudo, até o momento não há novidades sobre a tão aguardada obra no Norte Pioneiro para solucionar um problema que há décadas provoca transtornos, prejuízos e pânico na população.

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