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Reabertura do comércio na região preocupa profissionais da saúde

Médico diz que medida deve ser cumprida por pelo menos mais 15 dias e alerta para falta de leitos de UTI 

Ibaiti reabriu o comércio nesta segunda-feira (6) com grande fluxo de pessoas nas ruas
CRÉDITO: Divulgação

Luiz Guilherme Bannwart 

Os municípios de Cambará e Ibaiti (no Norte Pioneiro paranaense) reabriram o comércio ontem (6), em meio à pandemia de coronavírus e recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para que a população fique em casa para evitar a propagação da doença. Os novos decretos assinados pelos prefeitos Haggi Neto (MDB) e Antonelly Carvalho (PSDB) estabelecem critérios para o funcionamento das empresas, mas preocupam os médicos que alertam para o risco iminente da disseminação da covid-19 nas próximas semanas e o colapso do sistema de saúde na região.

De acordo com o médico coordenador do Pronto Socorro Municipal de Santo Antônio da Platina e plantonista da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de Jacarezinho, Diego Ralph Burani, pós-graduado em medicina de Urgência e Emergência e Terapia Intensiva pelo Hospital Israelita Albert Einstein e Amib (Associação Brasileira de Medicina Intensiva) é preciso obedecer às recomendações da Organização Mundial de Saúde.

Conforme o médico, a covid-19 é uma doença dinâmica que pode apresentar alterações a qualquer momento. Portanto a situação ainda é de muita cautela, devendo ser obedecidos critérios científicos, recomendações do Ministério da Saúde e protocolos da Organização Mundial da Saúde.

“É preciso serenidade, responsabilidade e competência com a forma a qual vem sendo orientada a população em relação às medidas preventivas contra a covid-19. Ainda é muito precoce a reabertura do comércio, pois é sabido que a chegada da doença é inevitável e precisamos estar preparados para conduzir os casos de acordo com a disponibilidade dos leitos”, alerta médico acrescentando. “Hoje não temos estrutura suficiente na região para atender os casos graves, o sistema entraria em colapso. Portanto é necessário permanecer em isolamento por mais 10 a 15 dias até ocorrer o que chamamos de ‘achatamento’ na curva epidemiológica e abertura de mais leitos de UTI em nossa região”, conclui.

Na manhã desta segunda-feira a área central de Ibaiti parecia um dia normal, com muita gente transitando pelas ruas e pontos de aglomeração de pessoas, como, por exemplo, em frente às agências bancárias. Na semana passada a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) confirmou o primeiro caso positivo de covid-19 no município.

Em Cambará, comerciantes e moradores procuravam seguir as recomendações dos organismos de saúde evitando pontos de aglomeração de pessoas, se protegendo com máscaras cirúrgicas e caseiras e orientando uns aos outros sobre a importância dos cuidados com a higiene pessoal. 

Nos demais municípios da região da Amunorpi prevaleceu o entendimento dos gestores e associações comerciais pelo funcionamento parcial do comércio, autorizando apenas a abertura de empresas consideradas essenciais para a manutenção dos moradores. Contudo, os decretos foram flexibilizados pelos prefeitos e muitas empresas também reabriram suas portas nesta segunda-feira.

Em Santo Antônio da Platina, a Defesa Civil, o Departamento Municipal de Fiscalização e a Vigilância Sanitária intensificaram as fiscalizações aos estabelecimentos comerciais no fim de semana. O empresário que descumprir as determinações será notificado e caso reincida será multado em 13 URMs (Unidade de Referencia do Município) – R$ 988. Se ainda assim houver persistência, o alvará de funcionamento da empresa será cassado pela prefeitura.

Contudo, na manhã desta segunda-feira havia bastante movimentação de moradores no centro da cidade. Os pontos com maior concentração de pessoas foram observados nas agências bancárias e lojas de departamentos, que abriram suas portas aos clientes para o pagamento de carnês e faturas de cartão de crédito. 

O mesmo cenário foi observado em Jacarezinho e Joaquim Távora. Pontos de aglomeração de pessoas em vários locais das cidades, exatamente na contramão do que recomendam os organismos de saúde.

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