Jundiaí do Sul Policial

Reaberto inquérito sobre três mortes pela PM em Jundiaí do Sul

Famílias vivem uma longa angústia pelo desfecho de investigações que se arrastam há quase quatro anos

Da Redação


Ontem foi um dia especial na vida para o cabo da reserva da Polícia Militar, Antônio Aparecido Machado de Pontes, o Tunicão, pai de Danilo Morais de Pontes (32 anos), único sobrevivente de um suposto enfrentamento entre quatro jovens ocupantes de um carro que vinha de Curitiba com destino à Jundiaí do Sul, Norte Pioneiro do Paraná.  O caso, ocorrido na madrugada do dia 25 de setembro de 2016, passou a ser conhecido como a “chacina de Jundiaí do Sul”. Ele tomou conhecimento, nesta terça-feira (08), da reabertura do inquérito, arquivado deste agosto do ano passado, que apura as circunstâncias do caso.

São quatro anos que se arrastam, sem uma resposta à sociedade. Danilo, o único sobrevivente, escapou por milagre. Segundo seu pai, o rapaz era quem dirigia o veículo Celta, e teria sido alvejado por 22 dos 57 disparos, todos de armas de fuzil e pistolas .40, disparados contra o carro onde estavam ainda, Claudinei Pereira da Silva (único com passagens pela polícia), Júlio César Francisco Corrêa e Bruno Henrique Santana Conde, todos jovens com menos de 28 anos.

Depois de três anos se arrastando sem uma definição, em agosto do ano passado, o juiz da Vara Militar de Curitiba, Sergio Bernardinetti, determinou o arquivamento das investigação, a exemplo de outros inquéritos que apuravam a ação de PMs em várias regiões do estado, entre os quais, o que investigava as circunstâncias da morte do jornalista Andrei Francisquini, por Policiais Militares, fato ocorrido na madrugada do dia 12 de maio de 2019, igualmente desarquivado pela Justiça do Paraná. 

O caso

É uma angústia dolorosamente vivida pelos familiares de quatro dos quatro rapazes, todos com pouco mais de 25 anos, dos quais, três encontraram a morte trágica sob as balas dilacerantes disparadas por nove dos 12 policiais militares que montaram um bloqueio na PR-218, a menos de dois quilômetros do trevo de acesso a Jundiaí do Sul.

As vítimas estavam felizes porque reencontrariam seus familiares depois de meses trabalhando em Curitiba. Dos quatro ocupantes do veículo, o GM Celta dirigido por Danilo Pontes, o único sobrevivente, apenas um tinha antecedentes criminais, Claudinei Pereira da Silva, que, além de furtos e assaltos, havia se envolvido numa confusão com um policial militar de Ribeirão do Pinhal, fato visto como o motivo que o condenou a morte, levando consigo dois inocentes e um gravemente ferido, sem quaisquer envolvimento com ato delituoso.

Claudinei não fazia parte do grupo. Ele ficou sabendo que os amigos iriam visitar os familiares em Jundiaí do Sul e pediu carona. Pelas informações passadas pela pelo próprio comandante da operação, coronel Antônio Carlos de Morais, hoje subcomandante geral da PM paranaense, ele vinha sendo monitorado pelo serviço reservado (P2) da PM.

Para o cabo da reserva da Polícia Militar, Antônio Aparecido Machado de Pontes, pai do único sobrevivente, o agente de seguro Danilo Morais de Pontes, 28, os três outros jovens que estavam no carro do seu filho foram executados pelos policiais. A Polícia Civil confirmou que Danilo e outros dois jovens que morreram não tinham histórico de crimes.

Danilo Pontes levou mais de 20 tiros e, como sequela, perdeu os movimentos da mão direita, devido ao dilaceramento do pulso causado por um projétil. “Meu filho e dois dos passageiros nunca tiveram passagem pela polícia. Eles trabalharam o dia todo no sábado e decidiram vir para Jundiaí do Sul no início da noite, e aceitaram dar carona para o Claudinei (Pereira da Silva), que era procurado pela polícia. Foram dezenas de disparos de fuzil e ponto 40. Não sei como o meu filho está vivo”, desabafa.

Inquérito arquivado

Depois da dor da perda de três entes queridos, as famílias agora conviveram por mais um ano com a certeza da impunidade já que as investigações envolvendo o episódio estavam completamente paralisadas por decisão do juiz, Sérgio Bernardinetti, da Vara Militar da Capital, que declarou a total nulidade do inquérito policial sob alegação de que a competência para investigar delitos envolvendo militares em supostos crimes contra civis é competência exclusiva da Polícia Militar.

O Ministério Público do Paraná (MPPR) recorreu ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), e conseguiu reverter a decisão do juiz Bernardinetti. Agora a esperança pelo desfecho das apurações.

A advogada das famílias, Silvia Rosa estava no fórum de Ribeirão do Pinhal, sede da comarca, para apurar detalhes do novo quadro, mas pediu para falar do assunto após se atualizar sobre o processo.

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