Paraná Policial

Preso é assassinado em presídio da Lava Jato

Cela no interior do Complexo Médico Penal, em Pinhais
Foto: CMP

Redação Bem Paraná


Um homem morreu na manhã desta segunda-feira (26) dentro do Complexo Médico Penal de Pinhais (CMP), na região metropolitana de Curitiba, onde ficam os presos da operação Lava Jato. De acordo com o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen-PR), Willian Ribeiro Machado, de 38 anos, que estava preso desde dezembro por roubo, foi encontrado morto por volta de 10h30 com marcas de agressão.

Os agentes ouviram outros detentos pedindo socorro por volta das 10h3 e ao chegar à cela encontraram o Willian caído. O órgão não informou se ele já estava morto ou chegou a ser atendido com vida. O departamento afirma que abriu inquérito para apurar o caso.

Os presos da Lava Jato ficam em outra ala do complexo. Entre eles estão o ex-ministro José Dirceu e o ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, que é suspeito de ser operador de propina do PSDB.

Motim

No último dia 16 de agosto, um princípio de rebelião na cadeia da Lava Jato deixou dois agentes penitenciários feridos. Segundo o Depen, ao retirar um detento para atendimento médico, presos da 3ª galeria tentaram fazer um agente refém, mas a situação foi controlada.

A advogada Isabel Mendes, que preside o Conselho da Comunidade de Curitiba, que é vinculado ao sistema penitenciário e cuja atuação prevê a garantia da integridade dos detentos, atribuiu os problemas na cadeia da Lava-Jato à superlotação. Segundo Mendes, o presídio tem hoje 980 presos para uma capacidade de 599. “No complexo não tem problema de facção e nem disputa entre grupos. A situação começou a sair de controle recentemente por causa da superlotação”, afirmou ela ao jornal Extra.

O complexo também é alvo de diversas denúncias de irregularidades. “Agentes do SOE (Seção de Operações Especiais) agridem apenados. Após o controle do motim no dia 13 de agosto, o SOE espancou os presos que começaram a revolta. Presos ameaçam uma nova rebelião na unidade por causa da postura do chefe de segurança”, relata uma fonte ao jornal Bem Paranpa.

“Uma antiga cadeia no Escritório Social foi transformado na 8ª Galeria do CMP e o local abriga presos detidos pelo não pagamento de pensão alimentícia. A 8ª Galeria não tem estrutura para abrigar detentos. Celas não têm forro. Chuveiro não tem água quente. Houve fuga na primeira semana. Preso saiu pelo telhado. A 8ª Galeria tem dois agentes por plantão. Não há enfermaria na 8.ª Galeria. Insulina é guardada na geladeira da cozinha da unidade. Há um enfermeiro”, aponta.

No dia 16, o Sindicato de Agente Penitenciários do Paraná reclamou do número de funcionários no sistema penitenciário do estado e falta de contratação de novos agentes por parte do governo. Há 4.131 vagas, mas apenas 3.069 estão preenchidas atualmente. Segundo o sindicato, além dos postos remanescentes, seria necessária a contratação de mais 4.300 funcionários para atender a atual demanda de 21 mil presos no Paraná.

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