Abatiá

Precariedade da frota escolar põe em risco a vida de alunos

Ônibus da prefeitura estão em péssimas condições de manutenção e são perigo iminente de acidentes

Da Redação

Pais de alunos das redes municipal e estadual de Abatiá estão preocupados com a situação de precariedades da frota de veículos do Município, utilizada no transporte escolar. Há um clima de medo entre os familiares de alunos, que entraram em contato com a reportagem da Tribuna do Vale, enviando imagens e informação sobre o estado caótico da frota.

Todos os denunciantes que entraram em contato com o jornal pediram anonimato com medo de retaliações, pois dependem do poder público para que seus filhos frequentem as escolas do município. “Tenho medo de, a qualquer momento, acontecer uma tragédia com nossos filhos, mas não temos saída. Não existe outro meio de transporte”, lamenta uma mãe, em visível desespero.  

Segundo um dos pais, em tom de apelo, diz que as crianças estão em risco permanente com a precariedade do transporte, pois, a maior parte da frota, segundo ele, tem mais de 30 anos de uso. Do total de sete veículos relacionados por ele, dois ônibus são do ano 1987, um do ano 1990, outros dois ônibus de 2009 e mais dois veículos com ano de fabricação de 2011 e 2013.

Os pais estimam que mais de 600 alunos são transportados nos três turnos escolares, a maior parte no período da manhã. Os veículos mais velhos andam superlotados e, em muitos casos, com alunos viajando de pé, o que é proibido por lei.

Ele critica que, enquanto o prefeito Nelson Garcia gratifica servidor com 100% e contrata cargos comissionados, negligencia totalmente a manutenção da frota. Ele assinala que faltam cintos de segurança, vidros, tacógrafo para controle da velocidade, faixa escolar padrão, iluminação na parte exterior superior, freio estacionário, sistema de freios ruins, precariedade da direção, e, ruídos acima do tolerável, com riscos à audição dos motoristas.

O denunciante cita também que a parte elétrica dos veículos, até mesmo dos ônibus amarelinhos, mais novos, está danificada, sem contar o estado precário dos pneus. “Fazemos um apelo à Polícia Militar para que proceda a uma vistoria na frota escolar de Abatiá. É um caso de calamidade pública. Apelamos também ao Ministério Público Estadual”, desabafou.

Creio que uma matéria na Tribuna do Vale ajudará muito a comunidade abatiaense, assim como a denúncia será encaminhada ao MP. Peço às autoridades que venham presenciar a situação. Das 8h às 12h os veículos ficam estacionados na rua em frente à Escola Municipal Dom Bosco”, orienta.

Outro pai de aluno afirma que a situação de abandono da frota municipal de ônibus escolares chega a tal ponto que os veículos não são lavados por falta de produtos como intercap e solupan.

Legislação

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é claro ao estabelecer normas para o transporte escolar. Em seu Art. 136 estabelece que “os veículos especialmente destinados à condução coletiva de escolares somente poderão circular nas vias com autorização emitida pelo órgão ou entidade executivos de trânsito dos Estados e do Distrito Federal, exigindo-se, para tanto, registro como veículo de passageiros; inspeção semestral para verificação dos equipamentos obrigatórios e de segurança; pintura de faixa horizontal na cor amarela, com quarenta centímetros de largura, à meia altura, em toda a extensão das partes laterais e traseira da carroçaria, com o dístico ESCOLAR, em preto, sendo que, em caso de veículo de carroçaria pintada na cor amarela, as cores aqui indicadas devem ser invertidas.

O Código exige ainda equipamento registrador instantâneo inalterável de velocidade e tempo (tacógrafo, entre outros).

Outro lado

No início da noite de quinta-feira (11), o prefeito Nelson Garcia entrou em contato com a reportagem através do aplicativo WatsApp. Ele informou que estava retornando de um evento em Sertaneja e que não tinha conhecimento da denúncia, assinalando, ainda, que a secretária de Educação do município não havia feito qualquer comentário a respeito do problema com o transporte escolar. Garcia, por outro lado, prefere pronunciar-se sobre o assunto após a veiculação desta reportagem.

Deixe um Comentário