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Pornografia vicia tanto quanto drogas

Afirmação foi por delegada em palestra proferida na Assembleia Legislativa

Da Assessoria


A disseminação da pornografia na internet, com acesso facilitado para crianças e adolescente pode ter um efeito devastador equivalente ao consumo de drogas, podendo causar dependência na mesma proporção que cocaína ou outra droga sintética. A avaliação foi feita pela ex-delegada do Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) e, atualmente, delegada do 12º DP de Curitiba, Aline Manzatto, durante palestra na Assembleia Legislativa quando falou sobre os efeitos da pornografia no cérebro de crianças e adolescentes.

Segundo a delegada, a pornografia está entrando na vida de crianças e adolescentes de forma silenciosa e cada vez mais violenta. “São fotos, vídeos… que tem cenas de sexo anal, estupro coletivo, pedofilia, incesto… aberrações e tudo isso que a criança e adolescente consegue encontrar na Internet, nas redes sociais de forma gratuita e o efeito pode ser devastador: pode acabar com vida de crianças e adolescentes”, afirmou.

A palestra da policial foi realizada na Comissão Permanente de Defesa dos Direitos da Criança, do Adolescente, do Idoso e da Pessoa com Deficiência (Criai), presidida pelo deputado estadual Cobra Repórter (PSD). A fala ocorreu na realização da primeira reunião,  esta semana, quando apresentou o Plano de Ação e o Regime de Metas da Criai em 2019. Durante

Violência

De acordo com a delegada, as estatísticas mostram que os principais consumidores de pornografia são crianças e adolescentes de 12 a 17 anos, sendo que 90% dos meninos acima dos 12 anos veem pornografia pela internet. A delegada explicou as consequências disso: “Nos meninos, podem ter dois efeitos: causar medo excessivo dos mais inseguros sexualmente uma vez que não tem a mesma desenvoltura encontrada nos vídeos, se retraindo e causando uma situação de disfunção erétil já na fase dos 19/20 anos. Já os mais confiantes imitam o que veem nos vídeos que é o abuso excessivo, o sexo violento… tornando-se potenciais agressores”.

Quanto às meninas, ela explica que se sentem fisicamente inferiorizadas, porque não conseguem estar à altura dos corpos perfeitos das atrizes, dos vídeos pornográficos. Para se tornarem atraentes, alteram as formas de agir, vestir… A delegada explica que, desta forma,  as garotas permitem fazer vídeos e “nudes”. “E, quando exposta por uma quantidade maior de pessoas através da disseminação do conteúdo impróprio delas pela Internet, isso causa transtornos emocionais, alimentares, isolamento e, até mesmo suicídios”, afirmou.

Ela contou que esteve à frente do Nucria, de 2013 a 2016. Em 2015, disse que percebeu um aumento significativo da violência sexual contra crianças e adolescentes e no número de casos de pedofilia. Foi aí que resolveu fazer um estudo de artigos e sites relacionados ao tema. Em sua pesquisa, a delegada conta que estudou os efeitos do consumo da pornografia no cérebro. “Através de ressonâncias magnéticas, foi constatado que há um aumento da atividade cerebral na área da recompensa que se equivale às pessoas que são viciadas em drogas como cocaína e heroína. A pornografia é viciante, é vista como a droga do século XXI”, disse Aline Manzatto.

A delegada conclui que esse cenário pode explicar o aumento da pedofilia, estupros, violência contra a mulher e, por fim, o feminicídio. “Com isso, uma sugestão para a Criai: que haja intervenção urgente sobre os efeitos da pornografia. Uma abordagem sexual para que sejam avisados dos malefícios e periculosidade que a pornografia é atualmente” disse Aline Manzatto.

O deputado Cobra Repórter disse que “são dados assustadores, que chocam, e temos a obrigação de fiscalizar, trabalhar para combater essa triste realidade”.  A Criai é formada por sete integrantes: o presidente deputado Cobra Repórter, a vice-presidente deputada Cantora Mara Lima, os deputados Alexandre Amaro, Luciana Rafagnin, Marcio Pacheco, Subtenente Everton e Luiz Carlos Martins.

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