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POLÊMICA: Para professor UENP virou comitê eleitoral

Aguinaldo do Carmo, um dos líderes do movimento pela instalação do curso de Medicina na região, afirma que estão usando universidade na campanha

Da Redação

Aguinaldo do Carmo: “Quem deveria ter cuidado com a ética e a responsabilidade faz exatamente o contrário”
CRÉDITO: Antônio de Picolli/Arquivo


Às vésperas de eleições é comum candidatos utilizarem estratégias para aumentar seu eleitorado, e nem sempre os métodos são os mais éticos. No entanto, o que está acontecendo com a Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) é algo que extrapola os limites do bom senso e respeito. Esta é a opinião manifestada ontem (24), em entrevista à Tribuna do Vale, pelo professor Aguinaldo do Carmo, um dos líderes do movimento pela instalação do curso de Medicina em Santo Antônio da Platina, há cerca de anos. Para ele, o atual governo e lideranças ligadas à governadora Cida Borghetti (PP) estão transformando a universidade num comitê eleitoral.

“Tenho acompanhado através da imprensa essa correria dos dirigentes de Cornélio Procópio e também as convocações da Reitoria da nossa UENP para a instalação, a toque-de-caixa, do curso de Medicina naquele campus, em detrimento de Jacarezinho e Santo Antônio da Platina”, assinala. Ele se refere à universidade como “nossa”, explicando que a instituição “é de todos os nortepioneirenses, instituída como pilar de desenvolvimento para esta região que há décadas sofre com a falta de grandes investimentos por parte dos governos”.

Aguinaldo do Carmo: “Quem deveria ter cuidado com a ética e a responsabilidade faz exatamente o contrário”
CRÉDITO: Antônio de Picolli/Arquivo

O professor desabafa observando que o movimento para levar o curso de Medicina para Cornélio superou todos os limites e deveria ser visto pela Justiça Eleitoral como tentativa de cooptação ilegal de votos. “A forma como está sendo conduzida a instalação do curso de Medicina por políticos e a reitoria da universidade é lastimável, com todo respeito à magnífica reitora e aos Conselhos de nossa preciosa UENP, é vergonhoso se prestar a um papel digno de cabos eleitorais as vésperas das eleições usando o nome de uma instituição que representa nossa riqueza educacional”, desabafa.

Para professor Aguinaldo, a velocidade com que os trâmites da implantação do curso de Medicina estão sendo conduzidos, com planejamento financeiro superficial e localização do curso discutível, não levou em conta que a estrutura do Centro de Ciências da Saúde está em Jacarezinho e tampouco que a construção do hospital escola está longe de ter acabado.  Por outro lado, segundo ele, em Santo Antônio da Platina está o Hospital Regional com duas UTIs (neonatal e adulta) e estadualizado. “Propor um curso de Medicina longe destes locais é simplesmente indefensável; e ainda as vésperas de uma eleição, este fato pode ter sérias consequências. Justamente quem deveria ter cuidado com a ética e a responsabilidade com a coisa pública, faz exatamente o contrário”, critica.

Aguinaldo frisa que existem informações de acadêmicos e professores do campus de Jacarezinho que faltam materiais básicos para o funcionamento da instituição, que cursos podem ser fechados por falta de recursos. “No passado tivemos exemplos como o curso de Medicina da UEPG, que foi implantado sem o devido planejamento financeiro, sem um hospital universitário, acabou sendo fechado temporariamente, causando sofrimento e transtornos aos estudantes e suas famílias, isso por pura  irresponsabilidade dos gestores da universidade e do governo que autorizou o curso e deixou a bomba para o governo posterior”, relembra.

Ele assinala ainda que tem presenciado declarações da reitora reproduzidas Fátima Padoan em jornais de que a implantação é a pedido da governadora Cida Borghetti. “Em uma universidade que se preze, em primeiro lugar pela a autonomia, ao invés de se atender a interesses eleitoreiros”, critica. Na sua avaliação, o Ministério Público Eleitoral (MPE) com certeza deve estar atento a isso, pois a universidade é autônoma, porém deve seguir o caminho da ética e da legalidade devendo discutir junto com toda a comunidade acadêmica e regional os projetos que vem de encontro para a melhoria da qualidade de vida das pessoas onde seus cursos estão ou serão inseridos. “Será que Jacarezinho, Santo Antônio da Platina, Ibaiti, Siqueira Campos, Wenceslau Braz, cidades polos do Norte Velho e todos os municípios que compõem a Amunorpi participaram das discussões para implantação do referido curso?”, questiona.

Professor Aguinaldo sustenta que curso de Medicina é uma necessidade para região e o Norte Pioneiro não deve desistir. “Fui um dos precursores na luta pela implantação do curso como vereador em Santo Antônio da Platina. Acredito que é imprescindível para o desenvolvimento social e econômico do Norte Pioneiro, mas isso tem que ser conduzido com responsabilidade e ética, e sobretudo no devido tempo”.

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