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PM recomenda arquivamento do inquérito do caso Andrei

Encarregado do Inquérito Policial Militar contra PMs não vislumbra qualquer ato que incrimine os três policiais indiciados 

Da Redação


O 1º. Tenente da Polícia Militar, Flares Frederico Boell, encarregado pelo Inquérito Policial Militar (IPM) que apura o incidente ocorrido na madrugada do dia 12 de maio, na Praça da Espanha, centro de Curitiba, que resultou na morte do jornalista e publicitário Andrei Gustavo Orsini Francisquini, por tiros disparados por três policiais, concluiu ontem (9) o relatório das apurações indicando à Corregedoria da Polícia Militar o arquivamento dos autos, entendendo que os indiciados agiram no estrito cumprimento do dever, não se caracterizando excessos nem dolo (intenção de matar).

O resultado do IPM não surpreende os advogados que representam a família de Andrei Francisquini, Bruno Landarin Horn e Paulo Cezar de Cristo, que classificam o relatório como parcial, claramente em defesa dos policiais, deixando claro que o verdadeiro foco se direciona ao inquérito da Polícia Civil, que vem sendo conduzido de forma absolutamente imparcial pela delegada do 3º Distrito Policial da Capital, Daniela Corrêa Antunes Andrade.

O relatório do encarregado do IPM, após analisar as provas produzidas nos autos, conclui que “há indícios de crime” para os soldados, Rodrigo Otavio Mena Barreto Pereira, Edson de Oliveira e Antonio Taborda Rosa Junior, “não se vislumbrando transgressão disciplinar nos envolvidos”.

“Por fim analisando o todo, este Oficial é do parecer que, embora tenha ocorrido a conduta típica, a mesma se fez conforme dos procedimentos do Pelotão Rotam, conforme as Diretrizes PMPR do uso da força e conforme ordenamento legal”, excluindo a hipóteses de ilicitude, sendo sugestionado o arquivamento dos autos, não havendo crime a ser punido ou transgressão disciplinar a ser apurada, recomendando ao comandante do 12º BPM, tenente-coronel Valmor Anderson Pereira o arquivamento do processo.

O relatório do IPM discorreu longamente sobre a vida pregressa de Andrei Francisquini, como se a justificar a ação desastrada dos três policiais que fizeram a abordagem e atiraram no jornalista, provocando sua morte.

O Boletim de Ocorrência (BO) divulgado pela PM horas após o incidente, omitiu a tentativa de abordagem ao jornalista na Avenida Vicente Machado, quando dois PMs dispararam cinco tiros contra o carro de Andrei, sendo que um dos projeteis teria ricocheteado e os estilhaços atingiram um jovem que participava de uma festa.

Também não explicou a versão inicial de que Andrei Francisquini estaria manipulando uma arma de fogo, uma pistola 9 mm, que, após perícia, se constatou não haver qualquer sinal de impressão digital da vítima. Da mesma forma outra perícia constatou que o rapaz não apresentou indícios de consumo de bebida alcoólica ou drogas.

Manipulação

Toda a história envolvendo este caso está envolta em situações suspeitas. Como explicar que, um dia depois do incidente ocorrido no início da madruga do Dia das Mães, dois funcionários da empresa Helper Tecnologia de Segurança S/A, por volta das 16 horas do dia 13, abriram o totem mantido pela PM na Praça da Espanha, onde estão instaladas câmeras que monitoram todo o entorno do local e poderiam ter registrado o momento da abordagem que resultou na morte do jornalista. Eles manipularam os equipamentos por 51 minutos.

O representante legal da empresa, Rogério Alberto dos Reis, que presta serviço de monitoramento para a PM, em depoimento à delegada Daniela Andrade, justificou a intervenção dos funcionários partindo de sua preocupação em verificar se as câmeras haviam registrado o momento da abordagem, mas alegou que o equipamento, há tempo está sem conexão remota (link de dados), impossibilitando a empresa de acompanhar sua funcionalidade.

Esse depoimento deixa claro que não há imagem captada no totem da PM, envolvendo o caso em mais suspeitas. A delegada realizou a apreensão dos equipamentos para perícia.

A escrivã Vivian Roche Loures de Souza, em conversa telefônica com o pai de Andrei, jornalista Bendito Francisquini, informou que a delegada Daniela Andrade requisitou várias perícias, que por sua natureza, devem dilatar o prazo de encerramento do inquérito da Policia Civil até o fim deste ano. Nada tem sido feito com pressa, mas com a segurança de uma investigação sólida, para apurar a veracidade dos fatos.       

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