Jacarezinho Santo Antônio da Platina Siqueira Campos

PERIGO: Museus da região estão irregulares

Fiscalização do Corpo de Bombeiros aponta que prédios estão em desacordo com normas de segurança contra incêndio

Estação Ferroviária de Joaquim Távora tem 90 dias para se adequar ao laudo
Foto: Antônio de Picolli

Museus do Norte Pioneiro se encontram em situação irregular, em desacordo com as normas de segurança contra incêndio, exigidas pelo setor de vistoria do Corpo de Bombeiros. As unidades fiscalizadas na região foram o Museu Histórico de Siqueira Campos, a Estação Ferroviária de Joaquim Távora e a Estação Ferroviária de Jacarezinho, as duas últimas uma espécie de “casas de memória” onde as comunidades mantêm guardadas peças referentes à colonização desses municípios.

Nenhum dessas edificações possui sequer alvará de funcionamento. Como se trata de um espaço público, com a possibilidade de grande circulação de pessoas, é necessário o cumprimento de algumas medidas de segurança. Os locais terão 90 dias para se adequar aos requisitos solicitados no laudo.

A iniciativa da operação partiu do comando do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Londrina, que orientou as unidades da região a levantar o número de museus no Norte Pioneiro e relatar quais as condições em que se encontram as edificações. A ação foi necessária após o incêndio que destruiu o Museu Nacional, em São Cristóvão, no Rio de Janeiro. A instituição tinha 200 anos de história, foi residência da família real e sede da 1ª Assembleia Constituinte do Brasil. A maior parte do acervo, de cerca de 20 milhões de itens, foi totalmente destruída. Fósseis, múmias, registros históricos e obras de arte viraram cinzas. 

Museu Histórico de Siqueira Campos necessita de projeto de prevenção contra incêndio
FOTO: Gênesis Machado

SIQUEIRA CAMPOS – Diante desta tragédia, a equipe de vistoria esteve no Museu Histórico de Siqueira Campos, prédio construído em 1940, e o único da região que resgata a memória dos pioneiros e preserva o legado cultural de um povo. São mais de 100 anos de história preservada, desde os tempos da Colônia Mineira, antigo nome da localidade. O local recebe visitas diárias de estudantes, pesquisadores e a comunidade em geral. Comporta em seu acervo peças como fotografais antigas, documentos, artesanato, utensílios dos primeiros moradores e a farda do tenente Antônio de Siqueira Campos, além de vários outros objetos. De acordo com o laudo, por se tratar de um espaço público foi solicitado pela vistoria um projeto de prevenção contra incêndio, pois o prédio não segue as exigências necessárias do Corpo de Bombeiros.

Estação Ferroviária de Joaquim Távora tem 90 dias para se adequar ao laudo FOTO: Antônio de Picolli

JOAQUIM TÁVORA – Outro prédio fiscalizado foi a Estação Ferroviária Affonso Camargo, de Joaquim Távora, que completou 92 anos neste mês. Tombada como patrimônio histórico do município também já foi alvo de um incêndio em 2013, em que as chamas consumiram completamente a estrutura em madeira. Restaurada no ano passado, a arquitetura do prédio,

toda em madeira, buscou preservar os detalhes da edificação original. Interessante que, mesmo com o acidente, a edificação não possui os mecanismos necessários para evitar a propagação de chamas, em caso de outro incêndio.

De acordo com o laudo emitido pelos Bombeiros, o prédio está sem alvará, e devido à estrutura de madeira é necessária a aplicação de um verniz antichamas. Além disso, instalação de extintores, de corrimãos nas escadas de acesso (caso a escadaria não seja utilizada como acesso, é preciso assinatura de um termo de compromisso), sinalização de emergência e realização de um projeto de prevenção aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Mesmo que o prédio não seja da prefeitura, o usuário do espaço deve se adequar às normas para garantir a segurança do público.

Estação Ferroviária de Jacarezinho está em desacordo com as normas contra incêndio FOTO: Divulgação

JACAREZINHO – Construída em 1930, a Estação Ferroviária de Jacarezinho ficou por muitos anos abandonada e recentemente foi restaurada. Em 2000, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) realizou o tombamento da estação depois de vários apelos e sinais de alerta de técnicos e moradores preocupados com o futuro local. Uma vez que após a dissolução da entidade comunitária de preservação, o local se encontrava abandonado e preso aos usos indevidos. Atualmente o prédio é de responsabilidade da prefeitura municipal de Jacarezinho e foi vistoriado pelo Corpo de Bombeiros de Jacarezinho, que apontou falta de alguns itens como: iluminação em sinalização, instalação de extintores e colocação de antiderrapante em rampa.

De acordo com o major Wilson Oliveira Paulino, do 3º Grupamento do Corpo de Bombeiros de Londrina, os órgãos públicos têm até 90 dias para se adequarem. Após este prazo, em caso de descumprimento os imóveis serão notificados. “Vale destacar que nunca exigimos o máximo dos espaços públicos, apenas o mínimo para oferecer mais segurança à população nestes locais, mas nem isso eles cumprem”, lamentou o major.

SANTO ÂNTÔNIO DA PLATINA – Um dos patrimônios históricos mais importantes de Santo Antônio da Platina é a Casa da Cultura Antônio de Freitas. Fechada por mais de 10 anos por problemas estruturais, foi oficialmente interditada em 2009, por conta de infiltrações e rachaduras. Havia o risco de desabamento de parte da estrutura do prédio. Durante este período, o salão foi tomado pela sujeira causada por pombos que invadiram a edificação. A estrutura abandonada provocou vários protestos da comunidade até que, em 2016, finalmente foi restaurada e entregue ao uso público.

A Casa da Cultura Platinense é o único prédio da cidade tombado pelo Patrimônio Histórico Cultural do Município. O edifício foi construído há mais de 60 anos e hoje concentra as atividades culturais do município.

De acordo com o Corpo de Bombeiros de Santo Antônio da Platina, desde a sua inauguração, o Certificado de Vistoria ainda não foi liberado para o prédio porque a estrutura ainda precisa de algumas adequações, tais como, colocação de piso antiderrapante na rampa, apresentação do certificado de treinamento de brigadistas, apresentação Atestado de Responsabilidade Técnica da parte de tapeçaria com a constatação que o produto é antichamas e, a regularização das travas antipânico das portas de emergências.

Segundo o secretário de Esporte, Cultura e Lazer, Marcos Gilmar Amaral, a prefeitura já está providenciando as adequações para solicitar nova vistoria ao Corpo de Bombeiros. “Já estamos providenciando toda documentação e reparos não só na Casa da Cultura, mas também em outros locais que acomodam grande púbico. Estamos providenciando a regularização também no Ginásio de Esportes Henrique Schimidt. Além disso, já está em trâmite a viabilidade de fazer seguro por imóvel público no município. Por tanto, vou providenciar uma solicitação de orçamento para que a Casa da Cultura tenha seguro contra incêndio”, detalhou Amaral.  

Crédito: Dayse Miranda, especial para Tribuna do Vale

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