Policial

Perícia e testemunha indicam que Andrei foi executado por policiais

INVESTIGAÇÃO
Laudo não aponta digitais da vítima em arma e depoimento de testemunha comprova que jornalista era alvo da PM

Da Redação

O laudo elaborado pelo Laboratório Papiloscópico do Instituto de Identificação do Paraná, a pedido da delegada Daniela Correa Antunes Andrade, que preside o inquérito da Polícia Civil que apura a morte do jornalista e publicitário Andrei Gustavo Orsini Francisquini (35 anos), ocorrido da madrugada do dia 12 de maio, na Praça da Estanha, em Curitiba, mais o depoimento de uma testemunha, jogam por terra a versão dos PMs e tudo leva a crer que houve uma execução sumária.
Os policiais que realizaram a abordagem da vítima tentam caracterizar um suposto confronto, pois Andrei estaria armado com uma pistola 9 mm. O laudo da Identificação deu negativo. Não há impressões digitais da vítima na arma, reforçando a suspeita da família e do advogado que a representa, Paulo Cristo, de que a arma foi plantada no colo do jornalista para indicar que teria havido enfrentamento.
Para agravar ainda mais a situação dos PMs perante as investigações, uma testemunha que depôs na delegacia afirmou categoricamente que os policiais, logo após a morte de Andrei Francisquini, lhe disseram que a perseguição ao jornalista havia iniciado na Avenida Vicente Machado quando reconheceram a placa de seu veículo. Os policiais relataram à testemunha que Andrei já havia fugido de outra abordagem dias antes, indicando que ele era alvo da Polícia Militar mesmo antes de ter ocorrido a primeira abordagem quando os PMs desferiram cinco tiros contra o carro, mas omitiram este fato no Boletim de Ocorrência.
Tudo leva a crer que a PM já tinha Andrei Francisquini como alvo por conta da fuga a uma suposta abordagem ocorrida no dia 30 de março. O próprio BO da corporação relata que o rapaz teria dado tiros para o alto em pleno centro de Curitiba. Curioso é que este ato caracteriza crime, mas nenhuma ocorrência aparece no sistema e, mesmo sabendo quem seria o suposto autor, que tinha endereço fixo, trabalhava numa emissora de TV e, decorridos mais de um mês do suposto fato, ele jamais foi indiciado.
Para o advogado Paulo Cristo, o depoimento da testemunha deixa claro que a PM estava à procura daquela placa, o veículo já estava sendo perseguido na cidade de Curitiba, o que derruba a tese apresentada até agora pela corporação.
Imagens
A Polícia Civil está enfrentando dificuldades nas investigações e uma delas é a obtenção das imagens de uma câmera instalada num totem da Praça da Espanha. O equipamento, que funciona em 360 graus, poderia esclarecer detalhes do momento em que os policiais atiraram contra Andrei Francisquini. Ocorre que a PM alega não possuir tais imagens porque o contrato que mantinha com a empresa de monitoramento venceu e que os sinais dessa câmera não estariam disponíveis à corporação.
Esse fato amplifica as desconfianças da família, mas sabe-se que a delegada pediu as imagens diretamente à empresa. No entanto, tudo isso torna mais difícil a conclusão do inquérito policial.

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