Agronegócios

Paraná perde quase R$ 1,5 bilhão em arrecadação no 1º semestre

Redução só não foi maior em razão do desempenho econômico de janeiro e fevereiro


Agricultura apresentou alguma variação positiva nesse período, mas  abaixo de 1%.

CRÉDITO: AEN 

Curitiba

Agência Estadual


A perda de receitas do Governo do Estado chegou a R$ 1,498 bilhão entre janeiro e junho. O volume arrecadado é 9,4% menor em comparação com o primeiro semestre de 2019. A redução só não foi maior em razão do desempenho econômico de janeiro e fevereiro, mas o surgimento da Covid-19 provocou forte retração em março (-6,3%), abril (-16,5%), maio (-29,8%) e junho (-12,8%). No cálculo sem o primeiro bimestre, retrato mais fiel dos impactos da pandemia nas contas estaduais, as receitas caíram R$ 1,7 bilhão.

Os dados constam no boletim conjuntural elaborado pelas secretarias da Fazenda e do Planejamento e Projetos Estruturantes publicado nesta quinta-feira (9). Essa edição especial de fim de semestre traz um comparativo de arrecadação, vendas e produtos mês a mês para medir os impactos da crise sobre as contas públicas e a sociedade. Todos os valores estão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A análise de arrecadação é feita com base no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal tributo do Estado e termômetro da movimentação econômica, e inclui as empresas do Simples Nacional, que tiveram os prazos de pagamento dilatados para julho, agosto e setembro. Em relação à Lei Orçamentária, por exemplo, a queda foi de R$ 433 milhões em abril, R$ 853 milhões em maio e R$ 336 milhões em junho.

Na avaliação setorial, que engloba os nove principais grupos da economia, as quedas variaram de 4,1% a 60,8% entre abril e junho, no período mais agudo da crise até o momento. O setor de agricultura e extração apresentou alguma variação positiva nesse período, assim como o setor de energia em maio, mas todos abaixo de 1%.

Entre abril e junho os setores que menos arrecadaram em valores brutos foram o de combustíveis, com perdas na casa de R$ 483 milhões (-60,8% apenas em maio); automóveis, com redução de R$ 244,7 milhões (R$ 112,7 milhões a menos somente em maio); indústria, com arrecadação inferior de R$ 180,8 milhões (perda de R$ 77,8 milhões em abril); e os segmentos atacadista (-R$ 180,2 milhões) e varejista (-R$ 120,7 milhões) do comércio.

O boletim também traz um cenário ajustado do ICMS, com os valores recolhidos por empresas de combustíveis redistribuídos de acordo com as vendas do mês anterior, o que reduz a volatilidade causada por questões operacionais e variação cambial. Nesse quadro, as perdas em junho foram maiores, mas o resultado é o mesmo, com queda de R$ 1,498 bilhão.

A soma dos recursos que deixaram de entrar nos cofres públicos já atinge quase 78% da ajuda que o Paraná começou a receber do governo federal, de cerca de R$ 1,9 bilhão (além de R$ 563 milhões da suspensão da dívida com a União). As perdas também impactam diretamente os municípios, que recebem 25% da arrecadação do imposto.

NO NORTE DESTAQUE É O COMÉRCIO

A emissão de notas fiscais subiu entre 29 de junho e 05 de julho na comparação com abril em todos os principais segmentos (comércio varejista, comércio atacadista, indústria de alimentos e demais atividades manufatureiras). A indústria de alimentos opera em 103,6% do nível pré-pandemia (ganho real de 3,6%), enquanto a indústria alcançou 99,7%, crescimento constante que ajudou a impulsionar o indicador de crescimento em maio divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (8).

Na macrorregião de saúde Leste (do Centro-Sul ao Litoral, passando por Curitiba, Campos Gerais e Região Metropolitana), o funcionamento da indústria de alimentos alcançou entre o fim de junho e o começo de julho 103,5% e da indústria em geral 97,1%. O comércio atacadista cresceu para 86,2%.

Na macrorregião Noroeste (região de Maringá e Umuarama), a indústria de alimentos já opera com 116,4% da capacidade e a indústria geral com 109,7%, ante apenas 70,7% de abril. O comércio varejista opera no patamar de 98,5%, enquanto o comércio atacadista ficou na casa de 84,8%.

Na macrorregião Norte (Londrina e região) o destaque é o comércio atacadista, que opera com 98,3%, ou seja, aumento de mais de 20% em relação ao começo da crise. No Oeste (Cascavel e Pato Branco), indústria de alimentos e indústria geral operam entre 101,5% e 105,7% (respectivamente), enquanto a atividade no comércio atacadista se recupera em relação a junho.

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