Carlópolis

Para Pezão, atual gestão de Carlópolis abandoou o povo

Ex-prefeito diz que saúde e área social estão esquecidas e o município estagnado

Da Redação


O ex-prefeito de Carlópolis e pré-candidato ao mesmo cargo, Marcos Antônio David (Pros), o Pezão como é mais conhecido pela população, esteve na manhã de segunda-feira (27) na redação da Tribuna do Vale, acompanhado de Guga Salles (PSL), pré-candidato a vice-prefeito e o ex-prefeito Roberto Coelho (PSDB), o Robertinho, oportunidade em que falou do projeto político que reúne também 52 pré-candidatos a vereadores  de quatro partidos, entre os quais o PV.

Pezão deve enfrentar o atual prefeito, Hiroshi Kubo (PSD), que vai manter sua atual vice-prefeita, a médica Ana Lúcia Moreno da Silva (PSD), esposa do ex-prefeito da cidade, o também médico, Isaac Tavares da Silva. Aliás, fora o vice de Pesão, Guga Salles, a campanha deste ano vai repetir o confronto das eleições anteriores, quando Pezão concorreu à reeleição, contra o atual dirigente do município.

Questionado sobre a motivação que o levou a encarar mais uma disputa municipal, Pezão foi direto ao assinalar que a população de Carlópolis está sendo vítima de uma propaganda enganosa ao eleger um empresário com imagem de empreendedor, mas que na gestão pública comportou-se como amador, abandonando o povo que precisa dos governos, os mais carentes, os agricultores e a população que acreditou na geração de emprego e melhoria na qualidade de vida.

“O povo de Carlópolis, decorridos esses mais de três anos e meio da atual gestão, está frustrado. O município encolheu, perdeu empresas e eliminou empregos. O setor de saúde é uma tragédia, não temos estradas rurais e a população dos bairros está abandonada. Vemos um governo voltado para uma meia dúzia que se apoderou da administração”, analisa com acidez o ex-prefeito.

A novela do hospital

Dividindo a situação atual por setores, Pesão analisa a atual gestão como um equívoco. “Venderam uma esperança para o povo e entregaram a frustração. A população foi enganada com um discurso de progresso e desenvolvimento social que nunca aconteceu. Ele cita como exemplo o hospital, uma novela que se arrasta há muitos anos e que ainda está indefinido ao fim da atual gestão.

“Quando assumi a prefeitura o hospital já estava fechado. Tentei uma solução pela via da terceirização. Estava indo tudo bem com, além de um convênio que assinamos com o Hospital Nossa Senhora do Rocio, de Campo Largo. Todos os postos de saúde funcionavam regularmente. Uma intensa rejeição da maioria dos vereadores, que eram da oposição, minou nosso trabalho. Mesmo assim não faltou atendimento ao nosso povo”, relembra.

Segundo ele, a atual gestão fez campanha vendendo a ilusão de que o hospital estaria funcionando em três meses, o que não ocorreu até agora. “O convênio com o Hospital Nossa Senhora do Rocio foi cancelado sem que fosse apresentada alternativa para a população. O projeto de restauração e ampliação do hospital foi elaborado na minha gestão. Fui o responsável pela compra do imóvel e restituição da posse do terreno ao município, tudo isso por R$ 756 mil”, relembra, concluindo que o atual prefeito refez a transação, elevando o custo para os cofres do município a R$ 1,5 milhão na compra do terreno.

Uma cidade mais pobre

Decorridos praticamente 43 meses da atual administração, o cenário que se vê é de uma cidade que encolheu. Suas duas principais vocações, a agricultura e o turismo passaram ao largo das prioridades da atual gestão, diz Pezão. Segundo ele, a zona rural está abandonada e o setor de turismo, simplesmente inexiste. “Venderam a ideia que o projeto Angra Doce seria a redenção econômica de Carlópolis. Na verdade, até agora, não passa de uma ‘angra amarga’ pelo absoluto abandono do setor”, alfineta.

Sobre o setor agrícola ele diz que os produtores rurais e todos que vivem da renda no campo, estão abandonados “Não temos estradas rurais. A atual gestão contrata por aluguel, a valores milionários, máquinas que outros municípios conseguem a fundo perdido. A obra mais visível da atual gestão foi a compra, também por valor milionário, de um carro de luxo para uso do gabinete do prefeito. Enquanto isso o povo sofre pela inércia administrativa.

No campo econômico, Pezão não é menos ácido. Ele lembra que a cidade vive momentos angustiantes pela falta de opções de empregos. “Conquistas de minha gestão se perderam nos últimos três anos. A principal perda foi a indústria da Yazaki, que fechou há poucos meses, deixando desempregados centenas de carlopolenses. Mas essa não é a única perda que nos aflige”, constata.

Resgate da autoestima

Projetando o futuro, Pezão fala de sua dobradinha com Guga Salles, que deixou uma importante função no Porto de Paranaguá, para atuar na atual administração, a quem pretendia colaborar com seus conhecimentos. Segundo o próprio Guga, tudo não passou de uma grande frustração. “Impossível realizar um trabalho eficiente quando a gestão é centralizadora. Por esse motivo resolvi deixar o governo. Inicialmente pensei apenas em organizar meu partido, o PSL para elaborar um plano de trabalho. Vendo que muitas de nossas ideias convergiam nas mesmas propostas do Pezão, aceitamos o convite para unir forças”, explica.

Pezão, por sua vez, assinala que uma gestão eficiente se constrói com humildade e participação popular. Um desses reflexos é o compromisso que assumiu com os produtores rurais do município. Eles vão indicar o ocupante da Secretaria de Agricultura do Município. “São eles, os produtores rurais, que sabem quem é efetivamente o nome mais indicado para administrar a Pasta”, observa.

Finalizando, Pezão e Guga deixam claro que a construção do programa de governo para sua gestão será o resultado de ampla participação popular. “Professores, funcionários da Educação e pais de alunos serão os responsáveis pela política do setor. O mesmo buscaremos em todos os seguimentos sociais. Vamos construir um plano de governo     que represente os desejos da comunidade e não uma visão centralista em que a decisão do governante se sobreponha à vontade do povo”, finaliza.   

Deixe um Comentário