Brasil

País pode dar passo atrás na redução de poluentes

Câmara do Conama estende para 2023 prazo para caminhões e ônibus reduzirem  poluição do ar

Da Assessoria


Apesar da pressão da sociedade e dos ambientalistas, a Câmara Técnica de Qualidade Ambiental do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) aprovou hoje prazos excessivamente longos para que o Brasil adote medidas visando reduzir a poluição provocada por veículos. Uma das providências mais importantes discutida na reunião, que faz parte do Programa de Controle de Poluição Veicular (Proconve), foi a necessidade de adaptação dos motores, principalmente dos ônibus e caminhões, ao modelo adotado na Europa, o euro VI, menos poluentes.

A proposta vencedora, com o prazo até 2023, foi defendida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Confederação Nacional de Transportes (CNT), com apoio dos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e associação dos municípios. Os ambientalistas e os Ministérios da Saúde e Meio Ambiente defendiam o prazo final em 2022, ou seja, daqui a três anos.

Com a aprovação na Câmara Técnica, a proposta segue agora para a plenária do Conama. “Se for aprovada, permitirá a entrada de frotas poluentes por mais um ano, ou seja, milhares de veículos pesados como ônibus e caminhões que circularão por mais 25 a 30 anos, a vida útil desses veículos”, afirma Carlos Bocuhy, presidente do Proam, uma das entidades que atuaram contra a extensão do prazo. Bocuhy é também conselheiro do Conama.

Atualmente, conforme o Proam, a ausência de atualização tecnológica dos motores a diesel e a falta de filtros adequados nos escapamentos dos veículos causam a morte de quatro mil a cinco mil paulistanos por ano, além de 17 mil em todo o Estado, dos quais a maioria crianças e idosos. Um estudo nesse sentido foi feito por especialistas da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Além disso, os gastos do Estado de São Paulo por problemas de saúde decorrentes da poluição chegam a R$ 300 milhões por ano. O nível de poluição de ar na cidade de São Paulo, conforme estudos recentes, é o dobro do que recomenda a OMS.

 A proposta do Proam, em conjunto com o Ministério Público Federal, é de que os padrões de qualidade do ar sejam atualizados, conforme as normas da OMS, em três etapas, em um prazo total de nove anos. “Há um encaminhamento mais próximo com os Ministério do Meio Ambiente e da Saúde, no sentido de adoção de prazos mais curto”, afirma Bocuhy.

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