Paraná Política

Oito candidatas não eleitas receberam R$ 2 milhões dos partidos no Paraná

Foto: Fabio Pozzebom/Agência Brasil

Redação Paiquerê


Oito candidatas não eleitas para a Assembleia Legislativa do Paraná nas eleições de 2018 receberam pelo menos R$ 2 milhões dos seus partidos para a campanha. Os valores estão disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo levantamento feito pela reportagem da Paiquerê 91,7, a candidata Eliana Fuzari (PSD), mesmo partido do governador Ratinho Junior, recebeu R$ 540 mil encaminhados pelo partido. Ela fez apenas 1,5 mil votos para deputada estadual, mesmo tendo investido o impressionante valor de R$ 405 mil em atividades de militância, segundo a prestação de contas.

Outro exemplo é a vereadora de Londrina, Daniele Ziober (PP), que recebeu do partido R$ 435 mil por meio do fundo partidário e do fundo especial. Ela fez 6,9 mil votos, bem longe de alcançar a vaga na Assembleia. Adriana Aguillera (PP), recebeu R$ 414 mil e fez 2,1 mil votos.

Apenas como comparação, o deputado do PP eleito com 60 mil votos, Gilberto Ribeiro, teve receita de R$ 119 mil do seu partido. Na prestação de contas, a principal atividade de campanha das mulheres que tiveram votação baixa foi gastos com pessoal. Daniele Ziober por exemplo, teve mais de R$ 200 mil em ‘gastos com pessoal’, que também foi o maior investimento de Adriana Aguillera (R$ 165 mil para atividades de militância)

Daniele Ziober disse que a doação dos partidos para as mulheres ocorre mais por obrigação legal do que por incentivo à participação feminina.

A reportagem também tentou falar com o deputado federal e líder do PP no Paraná, Ricardo Barros, mas ele não atendeu as ligações.

O subprocurador-geral do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Lucas Rocha Furtado, pediu fiscalização para apurar medidas e providências adotadas pela Justiça Eleitoral para coibir desvio de dinheiro público para candidaturas de mulheres que seriam “laranjas” nas eleições de 2018.

Conforme o procurador, há fortes indícios de desvio de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha em benefício de partidos e políticos. Na representação de cinco páginas, o procurador lembra que o Supremo determinou percentual mínimo de 30% dos valores nas candidaturas de mulheres, o que foi regulamentado pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Furtado frisou que reportagens jornalísticas têm demonstrado o desvio da aplicação. Ele citou que ao jornal “Folha de S.Paulo” indicou que “potenciais laranjas” receberam R$ 15 milhões de verba pública de 14 partidos. Na avaliação do procurador, os casos sugerem que os partidos teriam lançado candidatas de pouca ou nenhuma expressão política para desviar dinheiro.

Deixe um Comentário

%d blogueiros gostam disto: