Jundiaí do Sul

O drama de uma jovem estuprada e impedida de estudar e trabalhar

Vítima apresenta graves sequelas psicológicas, enquanto criminoso está solto e ainda faz ameaça à família

Família fala em deixar Jundiaí do Sul
CRÉDITO: Antônio de Picolli / Arquivo

Da Redação


Ela era uma adolescente normal e cheia de vida. Com 15 anos, estudava e ajudava a família que reside numa chácara nas proximidades do perímetro urbano de Jundiaí do Sul, norte pioneiro do Paraná. Tudo corria bem até que um dia, quando retornava para sua casa, depois das aulas, foi abordada por um criminoso conhecido da polícia, condenado por estupro e protagonista de agressões e consumo de drogas.

Armado com uma faca o agressor subjugou a vítima, levando-a a um lugar ermo, distante cerca de sete quilômetros de sua casa. Nesse local ela sofreu todo tipo de abuso, sempre tendo contra si a certeza da morte.

Depois de consumar a violência sexual, o agressor teria pedido dinheiro, sem o qual prometeu matá-la. Desesperada, a menina prometeu que conseguiria a quantia pedida, R$ 1,5 mil.

O pai da adolescente conta que o agressor, afastando-se alguns metros como se fosse embora, mudava de ideia e retornava com a faca em punho, dizendo que iria matá-la porque não ela conseguiria o dinheiro. “Em pânico, minha filha jurava que iria arrumar o dinheiro, até que o estuprador resolveu abandoná-la no local”, conta o pai, cuja identidade a reportagem mantém em sigilo para preservar a adolescente.

Depois de algumas horas a família conseguiu localizar a adolescente, que foi levada ao médico, mas até hoje, com quase 18 anos, convive com as sequelas da violência. “Minha filha faz tratamento psiquiátrico, mas continua vivendo pesadelo da violência que sofreu. Não estuda, nem sai de casa. Tem medo de ser vítima novamente. Acorda à noite gritando! Às vezes penso em mudar daqui, numa tentativa de devolver a minha filha, a vida normal que tivera até o dia em que sofreu esta violência”, diz o pai, visivelmente penalizado com a situação da filha.

O criminoso foi preso logo depois do crime. Ficou na cadeia por cerca de seis meses, mas acabou sendo solto. O pai diz que o acusado já tem uma condenação também por estupro, além de outros crimes em que se envolveu. Ele admite que não sabe detalhes do processo envolvendo o caso de sua filha e nem porque o criminoso foi liberado.

Ameaças

O problema é que o estuprador, não satisfeito com a violência que praticou contra uma adolescente, ainda se dá ao prazer mórbido de ameaçar a família. O pai conta que no dia 24 de fevereiro deste ano, o criminoso foi à chácara da família e, novamente armado com uma faca, disse que fora ao local para matar o pai daquela que havia estuprado há mais de dois anos. O fato foi acompanhado por uma testemunha arrolada pelo chacareiro no Boletim de Ocorrência que lavrou da Delegacia de Polícia de Ribeirão do Pinhal, sede da comarca.

O chacareiro conta que o agressor partiu para cima dele com a faca. Para evitar o pior, entrou na residência, fechou a porta, mas o criminoso ainda tentou arrombá-la. O amigo da vítima, que presenciou o episódio, evitou o pior ao armar-se de taco de sinuca, indo para cima do agressor, que fugiu em direção a uma mata.

A Polícia Militar foi acionada. Segundo o denunciante, chegando a disparar dois tiros, mas o criminoso conseguiu escapar e desde então se encontra foragido.

O denunciante demonstra-se cansado com a situação. Por conta do drama envolvendo a família diz estar com a saúde agravada, que o levou a um Acidente Vascular Cerebral (AVC), mais conhecido por derrame cerebral, cujas sequelas limitam seus movimentos.

Ele fala da filha com um sentimento de dor e desolação. Diz que não consegue entender como um criminoso tão cruel continua livre e ameaçando aqueles a quem quase destruiu. “Minha filha, na flor da idade, é uma prisioneira, impedida de estudar, trabalhar e ter vida social. É vítima de um trauma que a tortura todos os dias. Que mundo é esse, meu irmão?”, finaliza, num desabafo.

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