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O desafio da Cobertura Mais Universal em Saúde no Brasil

*Maira Caleffi
 


Neste dia 12 de dezembro, em todo o mundo, milhares de pessoas se mobilizam no Dia da Cobertura Universal de Saúde. Esta é uma data para reunir esforços pela implementação de sistemas de saúde que possibilitem a todas as pessoas o acesso sem que lhes incorram comprometimentos financeiros onerosos – uma demanda global encarda como prioridade máxima para o desenvolvimento sustentável pela Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os anos, mais de 1 bilhão de pessoas, ao redor do mundo, não podem arcar com o custeio de médicos, remédios ou cuidados essenciais sem se colocarem em situação econômica de risco.
 
Aqui no Brasil, nossa constituição assegura o acesso gratuito à saúde como um direito fundamental, o que não quer dizer que não tenhamos grandes dificuldades. O Sistema Único de Saúde (SUS), seus trabalhadores e usuários convivem cotidianamente com falta de recursos, gestão ineficiente e carência de políticas públicas eficazes de médio e longo prazo. No âmbito da oncologia a situação é ainda mais grave apesar de constantes esforços de grupos médicos e de profissionais da saúde em vários hospitais que atendem câncer no país inteiro.
 
A gestão do paciente com suspeita ou com o diagnóstico de câncer precisa ser reestruturada dentro de uma perspectiva universal de cobertura. A jornada desse tipo de doença precisa ser repensada, desde a prevenção nos tipos de câncer como colo uterino até os cuidados de suporte do paciente que vive com a doença. O câncer é a segunda causa de morte no Brasil, podendo chegar em 2030 como a primeira causa de óbito. No aguardo da regulamentação da Lei dos 30 dias, sancionada dia 30 de outubro pelo Presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, o câncer tem que ser uma questão também de atenção primária.
 
Dados do Tribunal de Contas da União (TCU) apontam que a espera por diagnósticos podem chegar a 200 dias – prazo longo o suficiente para a doença se desenvolver, atingir estágios mais avançados e, consequentemente, tratamentos mais agressivos, caros e com menor chance de sucesso. Num momento de importantes discussões sobre escassez de recursos públicos, aumento da parcela mais pobre da população com ainda menor qualidade de vida, o compromisso com o diagnóstico precoce e tratamento em até no máximo 60 dias dependem de vontade política e aumento de infraestrutura para coibir o desperdício do já sobrecarregado serviços de saúde e, o mais trágico, de vidas.
 
Aumentar o financiamento do SUS, um dos maiores exemplos de sistema de Cobertura Universal de Saúde é urgente. Precisamos, até 2030, garantir que funcione em todo seu potencial social, político e econômico. Nossos indicadores de mortalidade são altos em relação ao número de casos novos. A sociedade precisa se mobilizar para que a cobertura em saúde seja cada vez mais universal no Brasil, incluindo toda a cadeia de atenção aos pacientes com diagnóstico de câncer.
 
Conheça a campanha #SaúdeParaTodos: Mantenham a Promessa em http://uhc.femama.org.br/ e participe.
 
*Maira Caleffi, presidente voluntária da FEMAMA (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama), Chefe do Serviço de Mastologia do Hospital Moinhos de Vento e Líder do Comitê Executivo do City Cancer Challenge Porto Alegre.
 

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