Santo Antônio da Platina

Nova fuga em massa reabre debate sobre construção de presídio

Rebelião em Santo Antônio da Platina no fim de semana escancara fragilidade nas cadeias da região

Presos tomaram a cadeia de Santo Antônio da Platina na manhã de domingo (9)
CRÉDITO: Luiz Guilherme Bannwart

Luiz Guilherme Bannwart


Depen informou que a cadeia foi preservada e não haverá transferência de presos
CRÉDITO: Antônio de Picolli

Pela segunda vez em pouco mais de 60 dias a cadeia pública de Santo Antônio da Platina registrou fuga em massa, seguida de rebelião de presos. O motim durou pouco mais de 19 horas mobilizando grande efetivo do 2º Batalhão de Polícia Militar, tropa de Choque de Londrina, negociadores do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e agentes do grupo da Seção de Operações Especiais (SOE) do Departamento de Execução Penal (Depen) do Paraná, reabrindo a discussão sobre a importância da construção de um presídio para receber a população carcerária do Norte Pioneiro.

Na manhã de domingo (9) o agente carcerário que trabalhava na unidade foi surpreendido e dominado quando entregava o café da manhã aos presos, resultando na fuga de 35 dos 82 custodiados. Os detentos que não conseguiram escapar da unidade iniciaram uma rebelião que resultou na depredação de algumas alas da cadeia pública, todo o setor administrativo do Depen, e instalações da 44ª Ciretran, cuja edificação funciona anexa ao prédio da carceragem.

As negociações pelo fim do motim começaram no início da tarde com a chegada de uma equipe do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) de Curitiba e se estenderam até por volta das 22 horas, quando os trabalhos pela liberação do refém foram interrompidos e retomariam na manhã desta segunda-feira (10). Contudo, por volta das 2h30, a tropa de Choque da PM optou pela invasão da unidade considerando o risco iminente que os presos ofereciam a moradores vizinhos da cadeia e ao agente carcerário, que foi resgatado pelos policiais sem ferimentos.

Prédio da 44ª Ciretran foi destruído pelos presos durante a rebelião
CRÉDITO: Antônio de Picolli

Pela manhã o Setor de Comunicação Social do 2º Batalhão confirmou a fuga de 35 presos ratificando as informações divulgadas pela Tribuna do Vale e o Tá no Site, salientando que 11 fugitivos já haviam sido recapturados.

Em entrevista ao repórter Junior Queiroz, o coordenador regional do Depen, Reginaldo Peixoto, informou que os presos haviam reivindicado a transferência de um agente de cadeia lotado na unidade e reclamaram da qualidade da alimentação servida na prisão, sugerindo a motivação para a rebelião.

“O Departamento Penitenciário não se rende a reivindicações vazias de presos, portando a transferência de qualquer servidor neste sentido jamais ocorrerá. Quanto à reclamação sobre a alimentação fornecida aos detentos, o Ministério Público e o Poder Judiciário acompanham essa questão de perto e não há irregularidades”, assinala.

Peixoto concluiu dizendo que, apesar da destruição causada pelos detentos no setor administrativo do Depen e no prédio da 44ª Ciretran, a carceragem foi pouco danificada e não haverá transferência de presos. “Não foi transferido nenhum preso e também não será em virtude da rebelião ocorrida no fim de semana. Estamos estudando a possibilidade da mudança de perfil de presos para esta unidade, contudo dependemos ainda da aprovação do Poder Judiciário e deliberação efetiva da direção do Depen”, assinalou.

No dia 27 de novembro do ano passado uma fuga em massa seguida de rebelião na cadeia de Santo Antônio da Platina, semelhante à registrada na unidade no último fim de semana, terminou após 12 horas de negociações pela liberação do agente de cadeia refém e um saldo de 41 fugitivos, dos quais 18 foram recapturados até o momento. Os detentos escondiam revólveres e uma pistola nas celas.  

Debate sobre construção de presídio não avança

As fugas e rebeliões nas cadeias do Norte Pioneiro, em sua maioria motivadas por excesso de presos nas unidades, foi tema de ampla discussão no ano passado por representantes da classe política, Poder Judiciário, Ministério Público Estadual (MPPR), organismos de segurança e sociedade civil organizada, que debateram sobre a importância e urgência da construção de um Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) na região para desafogar as cadeias de vários municípios. Contudo, o assunto caiu no esquecimento quando a discussão se voltou para o município sede do presídio. 

Em março do ano passado, a Câmara de Vereadores de Jacarezinho discutiu o assunto visando a construção de um CDR na cidade. O projeto foi amplamente debatido, porém, na prática, não evoluiu. 

O juiz criminal da comarca, Renato Garcia, explicou à época que seriam necessárias mais de 2.500 vagas no Sistema Prisional para comportar todas as pessoas com sentenças somente do Norte Pioneiro. Entretanto, comerciantes e moradores se mostraram contrários à proposta avaliando de forma negativa a iniciativa em busca da solução para o problema que há décadas preocupa a população. 

Representantes do município de Ibaiti, que também sofre de forma severa as consequências da superlotação carcerária e fragilidade da cadeia pública, se manifestaram favoráveis à construção da unidade prisional na cidade, mas igualmente a Jacarezinho a opinião se divide quando o assunto é debatido com os moradores. 

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