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Mudanças climáticas: considerações necessárias

Por Isabel Grimm

foto: divulgação

Considerada um desdobramento da crise ambiental, a mudança climática pode ser um dos maiores desafios globais que a sociedade hodierna enfrenta. Ela exerce pressão sobre a estrutura social e política, de comunidades no mundo inteiro, em face ao cenário de incertezas sobre o escopo exato e a velocidade dos próximos passos necessários para remediar suas causas e efeitos, especialmente no plano global.

Previsões destacam que, para cada grau de aumento da temperatura média global, ocorrerá uma queda de 20% na disponibilidade de recursos hídricos para 7% da população mundial. Se as emissões de gases do efeito estufa seguirem subindo, no pior cenário, até o fim do século XXI o número de pessoas expostas a grandes enchentes será três vezes maior do que se as emissões tiverem sido reduzidas. Além disso, será maior a possibilidade de mortes resultantes de ondas de calor, as pessoas estarão expostas a doenças transmitidas pela água e por alimentos. Para completar, o aquecimento global colocará em risco a produtividade pesqueira e os serviços ecossistêmicos dos oceanos.

Tais consequências irão recair tanto quanto aos povos que menos contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, uma das causas da mudança do clima. Portanto, seriam as variações climáticas um novo fenômeno de injustiça global? Considerando que as atividades humanas, em relação às mudanças climáticas, podem ser desprezíveis em relação a uma perspectiva global e de cronologia geológica, como supõe alguns cientistas, deve-se ter em conta, porém, que a ação conjunta destas com outros agentes atmosféricos são relevantes.

Assim, são importantes as reflexões sobre mudanças climáticas e possíveis futuros, construindo cenários que avalie causalidades, tendências e ciclos do passado, o que ocorre no presente e pode se estender ao futuro. Nesse momento, é cabível observar que as hipóteses sobre mudanças climáticas devem ser analisadas considerando-a como um fenômeno complexo, relativo, volátil e compatível com a importância do princípio da incerteza e da precaução.

*Isabel Grimm, pós-doutora em Gestão Urbana e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento, é coordenadora do Programa de Mestrado Profissional em Governança e Sustentabilidade do ISAE Escola de Negócios.

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