Jacarezinho

MPF investiga mineradora por suspeita de lavra ilegal

Barragem de efluentes da atividade mineradora causa medo na população pela repercussão do acidente de Brumadinho (MG)

Rejeitos e manchas de óleo no Ribeirão Ouro Grande sugerem dano ambiental causado pela mineradora

Da Redação


Tramita na Procuradoria da República em Jacarezinho – Ministério Público Federal (MPF) – um inquérito civil que apura denúncias de suposta lavra ilegal de areia e argila pela Mineração Ouro Grande, localizada no bairro do mesmo nome, neste município. O inquérito ainda está em fase de instrução e aguarda mais documentos para confirmar a denúncia. De acordo com a assessoria de comunicação do MPF, o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) já foi acionado para apresentar a documentação, da mesma forma, o órgão requer dados da Agência Nacional de Mineração para concluir o processo.

Mineradora é acusada de destruir uma área de preservação permanente na encosta de um morro

O jornal Tribuna do Vale recebeu há duas semanas uma denúncia anônima informando que a mineradora sequer possui licença ambiental para o funcionamento, e que, há fortes indícios de que a empresa estaria causando danos ambientais no Ribeirão Ouro Grande. Além disso, a denúncia aponta que uma barragem de rejeitos da mineração (formada por lama) apresenta constantes vazamentos – o que coloca em risco a vida dos moradores que residem no entorno do local e do meio ambiente. O acidente ocorrido em Brumadinho, Minas Gerais, que causou a morte de mais de 300 pessoas, amplifica o medo dos moradores, que temem a ocorrência de acidente semelhante no local.  

Para averiguar a veracidade da notícia, a equipe de reportagem esteve no local onde está instalada a empresa para averiguar a ocorrência de crime ambiental, constatando a existência de uma grande mancha de óleo na margem do Ribeirão Ouro Grande e também uma densa espuma de coloração branca sobre da água, que segundo moradores, podem ser oriundos do porto de areia.

Os moradores que preferiram manter a sua identidade preservada alegam que o ribeirão, aos poucos, tem diminuído a vasão devido ao grande acúmulo de areia proveniente da mineradora, principalmente em dias de fortes chuvas. E ainda pior: afirmam ser rotineira a constatação de manchas de óleo no corpo hídrico. Em períodos chuvosos, quando a vasão aumenta, o rio transborda e atinge nascestes de água que abastecem as propriedades rurais, contaminando as minas e deixando os sitiantes sem água para consumo familiar e dos animais.

Testemunhas informam ainda que a constante contaminação do ribeirão está dizimando a vida aquática e a presença de peixes e outros animais é cada vez menor, possivelmente em decorrência de poluição.

O MPF já cobrou o IAP sobre eventuais danos ambientais causados no local, bem como infrações contatadas e licenças existentes, para análise do caso, porém, o Instituto ainda não apresentou os documentos ao órgão. Em contato com a assessoria de imprensa do IAP, o órgão informou que está realizando um levantamento sobre a mineradora, prometendo repassar as informações ao jornal até a próxima quinta-feira, 7.

Caso antigo

A exploração irregular de areia pela empresa investigada é notória e antiga. A mineradora, há anos vem sendo acusada de destruir uma área de preservação permanente na encosta de um morro, onde promoveu a destruição de uma vasta área de vegetação. Na ocasião o caso foi denunciado na imprensa, mas pelo que se percebe a atuação da fiscalização ambiental não tem sido efetiva dada à repetição de caso semelhante.

A reportagem não conseguiu contato com a empresa e seus representantes legais.    

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