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Morte de jovem gera denúncia sobre exercício ilegal da medicina

Acusado é formado na Bolívia e, sem registro no Brasil, estaria atuando dentro do Hospital Nossa Senhora da Saúde

Da Redação


A morte de um paciente de 24 anos, ocorrido no dia 22 de março, no Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Santo Antônio da Platina está gerando uma série de denúncias, entre as quais, a suspeita de exercício ilegal da profissão de médico, cujo suposto profissional estaria atuando livremente na instituição.

Adriano Pelegrini Coimbra, mais conhecido por Podosky, foi operado da vesícula no dia 18. Inicialmente o procedimento, realizado pelos cirurgiões Cassiana Dias dos Reis e seu pai, Luciano Dias dos Reis, seria por laparoscopia com uso de laser, mas complicações durante a operação obrigou os profissionais a se valerem dos meios tradicionais de corte abdominal.

Apesar desses problemas no decorrer da cirurgia, segundo relato de Luciano Reis, o procedimento transcorreu normalmente e o paciente, no dia seguinte, já se mostrava bem. Porém, ao longo dos dois dias seguintes, Adriano apresentou problemas respiratórios agravados e acabou morrendo diagnosticado com embolia pulmonar.

A morte do jovem causou polêmica na cidade. A família do rapaz acusa a médica Cassiana Reis de ter viajado no mesmo dia da cirurgia e, para acompanhar a evolução do paciente, outro médico de nome Alex Antônio de Paula, mas que não poderia estar exercendo medicina, pois é graduado por uma universidade da Bolívia, porém sem registro no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM).

O médico Luciano Dias dos Reis, em entrevista por celular, desmentiu esta versão, assinalando ele mesmo acompanhou a evolução do paciente, inclusive até a manha do dia de sua morte e que o médico indicado para acompanha Podosky, seria Orlando Papi.

No entanto, há suspeitas de que Dr. Alex, como é tratado dentro do hospital, efetivamente acompanhou o paciente, pois a própria família faz referencia a ele como o médico que ficou no lugar da cirurgiã que havia viajado.

Mas o que complica a versão de Luciano Reis é que o médico Orlando Papi desmente sua versão. Em entrevista na noite desta terça-feira (2) ele disse que teve apenas um contato com o paciente, tendo sido chamado pelo hospital em razão do agravamento de seu quadro clínico. “Fui chamado pelo hospital na tarde do dia 21 (de março). Ao chegar ao quarto do paciente, lá estava o Alex, que me relatou a gravidade. Fizemos todos os exames e procedimentos, inclusive cogitamos transferi-lo para a UTI da Santa Casa de Jacarezinho, mas o paciente acabou morrendo”, relatou.

Entre os familiares de Podosky há um clima de choque e inconformismo. A família contratou a advogada Lídia Ferreira que, neste momento, cuida de outros assuntos jurídicos gerados com a morte do jovem, mas admite a possibilidade de uma ação por danos morais e até na esfera criminal. Ela informou nesta terça-feira que já está de posse do prontuário médico do paciente, mas que ainda não analisou o documento.

Uma fonte de dentro do Hospital Nossa Senhora da Saúde procurou a reportagem da Tribuna do Vale, sob a condição de sigilo, e desabafou sobre fatos que vem acontecendo há tempo na instituição e ninguém toma providencias ou finge não ver!

Segundo esta fonte, durante o pós-operatório de Adriano Podosky, os cirurgiões teriam deixado o paciente por conta de um suposto médico para realizar os cuidados que, por sinal, são de extrema importância para a recuperação do paciente.

O referido médico seria Alex Antônio de Paula, graduado em medicina por uma universidade da Bolívia há aproximadamente 3 anos, tendo retornado ao Brasil, mas que até agora não conseguiu revalidar seu diploma de médico através do processo Revalida, sendo assim, diante da legislação vigente pode-se afirmar tratar-se de um falso medico. A reportagem confirmou que Alex não possui registro no CRM.

A mesma fonte admite que há bastante tempo o falso médico ajuda em cirurgias, passa visita, e prescreve medicação, faz orientações a pacientes de outros profissionais, e agora, como se não bastasse, passou a cuidar de alguns pacientes de médico cirurgião.

Campanha

Para reafirmar a condição de ilegalidade de Alex de Paula, a reportagem teve acesso a uma campanha lançada no facebook promovendo uma vaquinha para ajudar a custear o processo de revalidação do diploma do acusado.

A reportagem ouviu todas as partes envolvidas com o hospital. O diretor clínico, o médico Cláudio Luiz mostrou-se preocupado com a situação, mas pediu para responder aos questionamentos nesta quarta-feira (3). O diretor administrativo Francisco Edno da Silva diz que não tem acesso às informações na área médica, mas admitiu que a denúncia é muito grave e merece uma apuração rigorosa.

O diretor e delegado regional do Conselho Regional de Medicina (CRM) José Mario Lemes, orientou a família de Adriano Podosky a formalizar uma denúncia na sede do órgão, que fica no segundo andar do Palácio do Comércio, no centro da cidade. “Sem a formalização de uma denúncia não temos como investigar o caso. Em relação ao suposto exercício ilegal da profissão, a denúncia deve ser levada ao Ministério Público Estadual (MPE)”, orienta.

Procurado pela reportagem, o acusado de exercício ilegal da medicina, Alex Antônio de Paula não quis falar com a reportagem e desautorizou a atendente do Hospital Nossa Senhora da Saúde a fornecer o número de seu celular. A telefonista, referindo a ele como “Dr. Alex”, informou que o médico sem registro no Brasil estava “a campo”, numa referência de que o mesmo participava de mais sessão no Centro Cirúrgico da instituição.      

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