Jundiaí do Sul

Moradores reclamam da falta de policiamento em Jundiaí do Sul

Comando da PM diz que aguarda a formação de novos soldados para recompor efetivo, mas que não existe falta de atendimento à população  

Vereador Donizete Aparecido de Carvalho, o Doni (PSD), diz que os moradores estão preocupados com a falta de policiamento na cidade
CRÉDITO: Lucas Aleixo

Lucas Aleixo, especial para Tribuna do Vale


Os moradores de Jundiaí do Sul reclamam de um grave problema de segurança pública: a falta de efetivo policial. Segundo a população local, a falta de policiais militares no município tem sido um chamativo aos criminosos de cidades vizinhas.

No município é fácil notar o clima de temor por parte da população e, principalmente, dos comerciantes, que se organizam em comboios após o fim do expediente para retornar a suas casas com medo de abordagens. 

O medo, segundo eles, vem de uma série de furtos e assaltos durante os últimos anos associado a atual suposta falta de PMs em tempo integral no município. “A gente vive sem policial militar aqui. Até nossa viatura vive cobrindo os municípios vizinhos. Praticamente todos os comerciantes já foram assaltados.

Tem um caso de um morador que veio de São Paulo porque queria fugir da violência da cidade grande, mas fechou a loja dele e vai voltar para São Paulo porque achou aqui perigoso. Hoje a gente se reúne e faz escolta uns aos outros porque a população está com medo. Os policiais que eram daqui estão nas cidades vizinhas e a gente com esse problema todo”, relata o vereador Donizete Aparecido de Carvalho, o Doni (PSD). 

O comerciante Pedro Marques diz que seu posto de combustíveis já foi alvo de criminosos várias vezes
CRÉDITO: Lucas Aleixo

“Quando tem policial aqui, na maioria das vezes é um só. Muitas vezes não tem nenhum. Eu já reclamei para o governo do Estado, o prefeito e o vice também já procuraram a Secretaria de Segurança Pública do Paraná. Alguém precisa tomar uma providência. O governador fala que as cinco maiores cidades do Paraná são seguras, mas a custo das cidades pequenas que estão ficando sem efetivo policial”, continua o vereador.

Durante a tarde desta segunda-feira (5) a equipe da Tribuna do Vale foi até o Destacamento da Polícia Militar em Jundiaí do Sul, mas o local estava de portas fechadas. “Fica assim na maior parte do tempo”, relata o vereador.

A tensão também está nas palavras do comerciante Pedro Marques, dono do único posto de combustíveis da cidade. “A gente se sente refém da vagabundagem. Aqui já foram várias vezes. Outro dia uma conhecida que trabalha em uma barraca de lanche falou que as vendas por telefone cresceram, mas pessoalmente diminuíram. Isso porque o cidadão tem medo de sair de casa e quando voltar encontrar a casa arrombada, ou pior: ser abordado por algum bandido”. 

A aposentada Cleonice Ribeiro dos Santos afirma que tem evitado sair de casa durante a noite. “A gente tem medo por tudo que o pessoal tem falado. Eu nunca fui roubada, mas um vizinho meu já foi. Agora não saio mais depois que escurece. Fecho toda a casa e só vou abrir de novo na manhã do dia seguinte”. 

PM EXPLICA 

De acordo com o comandante do 2º Batalhão de Polícia Militar, tenente-coronel José Luiz de Oliveira, existe um efetivo de policiais inferior ao ideal na região, mas Jundiaí do Sul registra poucos crimes e não há falta de atendimento à população ou prejuízo no atendimento a ocorrências.

“Existe nessa reclamação algumas informações desencontradas. Jundiaí do Sul tem baixo índice de ocorrências e é um dos municípios com menos crimes registrados na região. Têm ocorrido algumas situações, mas em nenhum momento está havendo prejuízo no atendimento à população.

O que tem acontecido é uma situação em nível de outras unidades também, que são grandes turmas de policiais fechando seu tempo na ativa e que se aposentam, então quando o policial sai a maneira de recompor é uma nova escola de soldado, quando isso não é possível o que o Batalhão faz é o remanejamento e operações com Rotan e policiais de cidades vizinhas”, pontua o comandante.

“Temos previsão de curso de soldado para esse ano e esses policiais irão recompor o efetivo. Então tem essa dificuldade. Não posso tirar um policial de outro município senão vou descobrir lá. E pode haver um reforço de uma viatura em algum município vizinho que necessite, mas não existe falta de atendimento à população.

Aqueles municípios com escala mais apertada, as viaturas do município mais próximo tem feito patrulhamento e atendimento da ocorrência. A gente pede um pouco de paciência para recompor o efetivo. Até que isso aconteça vamos fazer operações e a população deve continuar fazendo suas denúncias para que a polícia possa fazer as autuações”, complementa. 

Por fim o tenente-coronel cita os números do Batalhão de Polícia Militar neste último ano. “Temos números positivos, quase 60% de redução de homicídios e crescimento de apreensões e prisões drogas e armas. Trabalho eficiente mesmo com as dificuldades, e acredito que o quanto antes vamos resolver essas questões pontuais”, conclui.

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