Siqueira Campos Wenceslau Braz

Moradores de Wenceslau Braz e Siqueira Campos clamam por duplicação da PR-092

Rodovia registra alto índice de acidentes no trecho que corta os dois municípios

Da Redação


É raro passar uma semana sem acidente nos perímetros urbanos da PR-092 em Wenceslau Braz e Siqueira Campos. Os municípios são cortados pela rodovia e, os trevos, todos com cruzamento em nível, são palcos de alto índice de colisões – muitas com mortes. Há anos os moradores esperam pela (várias vezes prometida, mas nunca cumprida) duplicação deste trecho da estrada.

Nos últimos dias foram registrados acidentes em Wenceslau Braz. Apesar de não haver mortes, a retirada dos veículos envolvidos acabou por paralisar o trânsito causando longas filas de congestionamento nos dois sentidos. 
A duplicação da rodovia, porém, já é pauta há anos nos dois municípios e o clamor para que as obras saiam finalmente do papel é grande. 

Luiz Carlos Moreira mora na zona rural de Wenceslau Braz e trabalha na Pro Tork, em Siqueira Campos, usando desta forma a rodovia diariamente para ir e voltar do trabalho para casa. Ele cita as promessas feitas por políticos e a frustração pelas obras que nunca aconteceram.

“Eu lembro quando o Beto Richa foi candidato à reeleição e prometeram para a gente que iam duplicar pelo menos o trecho perto da fábrica para dar mais segurança para os trabalhadores, mas isso nunca aconteceu. Ele foi reeleito, já saiu, já entrou outro, e agora estamos ouvindo eles falarem disso de novo, mas estou duvidando que aconteça. Perdi dois amigos que eram irmãos em um acidente de moto e vi vários colegas sofrerem acidente na entrada da fábrica. Dirigir-se para o trabalho virou uma aventura”, pondera.

O morador do bairro Olho D’Água, às margens da PR-092, em Wenceslau Braz, Jamil Alves, relata seguidos acidentes e freadas bruscas vindas da rodovia. “Rapaz, vou te dizer que só aqui na porta de casa já vi mais de 50 acidentes nos 10 anos que moro aqui. Vi gente morrendo, carro que capotou, moto que entrou de baixo de caminhão, vi de tudo. Só não vi deixarem essa estrada boa. Só quem mora perto da pista sabe a quantidade de freada e buzina que tem aqui, fora os acidentes”.

Para a professora Juliana Marques dos Santos, moradora em Siqueira Campos, a PR-092 reflete uma espécie de “sucateamento proposital” dos bens públicos. “No Brasil a gente sabe que os serviços são primeiro sucateados para depois serem privatizados.

Por quatro anos saí de Siqueira Campos todo dia para fazer faculdade em Jacarezinho e vi muitos acidentes. Aí quando as pessoas cansam de cobrar uma solução que não vem, começam a aceitar a ideia de privatizar, que é pagar para uma empresa fazer o serviço que é obrigação do Estado. Só que a empresa vai ter lucros exorbitantes em cima da população. Mas depois de falar tudo isso, eu tenho que admitir que prefiro ter uma rodovia duplicada e pedagiada do que continuar como está”. 

Semana passada o governo do Paraná oficializou o início dos estudos para concessões das rodovias paranaenses, que prevê a privatização da uma série de rodovias paranaenses, entre elas a PR-092 no trecho de Jaguariaíva a Santo Antônio da Platina. A princípio imagina-se que as concessões tenham início no ano que vem.  

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