Ribeirão Claro

Mário Pereira persegue servidores e quem paga indenizações é o povo

Ações contabilizam mais de R$ 200 mil dos cofres públicos que ainda não foram reembolsados pelo atual gestor

Prefeito Mario Pereira, envolvido em mais uma polêmica.

RIBEIRÃO CLARO 

Da Redação


Não é de hoje que o atual prefeito de Ribeirão Claro, Mário Augusto Pereira, tem fama de perseguidor. Suas ações autoritárias e descabidas ao perseguir servidores municipais que caem na desgraça de desagrada-lo, acarretaram muitos prejuízos aos cofres públicos. 

Em apenas duas das condenações apuradas pela reportagem, o município de Ribeirão Claro desembolsou mais de R$ 200 mil em indenizações, uma delas, no valor de R$ 107.159,36, que Mário não reembolsou o município em virtude da prescrição do prazo para a apresentação de ação neste sentido. 

Em outra ação no valor de R$ 94.917,48, o contribuinte teve mais sorte, pois foi feito o pedido de ressarcimento, mas Mário Pereira recorreu para não se responsabilizar pelo reembolso aos cofres públicos. Os prejuízos pagos com o dinheiro do povo ainda vão além, em outras ações que a reportagem ainda não conseguiu apurar. 

O teor das ações, envolve demissão, troca de cargos em um curto período de tempo, e, inclusive, expos à situação vexatória um ex-servidor ao determinar que sua nova função era empurrar um carrinho de limpeza da cidade contendo a indicação de nº14, exatamente o número da legenda partidária em que a vítima concorreu à época. 

Como se não bastasse esse histórico, o atual vereador de Ribeirão Claro, Vanderlei Luiz Carvalho (PSB), mais conhecido como Vanderlei da Saúde, que é concursado como motorista da prefeitura, denunciou à equipe de reportagem da Tribuna do Vale que vem sendo alvo de Mário Pereira há bastante tempo. Ou seja, novamente a história se repete. 

O vereador e motorista da prefeitura Vanderlei Carvalho é uma dos servidores que sofre intensa perseguição por parte de Mário Pereira CRÉDITO: ARQUIVO 

O parlamentar alega que a primeira ação de Pereira ao assumir o mandato, em 2017, foi fazer um termo de alteração contratual, onde exercia a função no sistema 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso, na Santa Casa de Misericórdia. 

Com isso, remanejou o servidor do cargo na Saúde, que ocupava desde 2008, para a Secretaria Municipal de Obras. Carvalho, transportava pacientes para tratamento em várias regiões do Paraná e São Paulo e afirma que era um funcionário exemplar e qualificado, pois tinha realizado cursos para prestar um bom atendimento à população.  

Ele lembra que foi remanejado sem sequer ser comunicado previamente. Segundo o servidor, a justificativa que Mário Pereira usou foi incompatibilidade de horários, em virtude de ocupar uma cadeira no Legislativo em Ribeirão Claro.

“A minha saída da saúde foi um choque para todos. Sempre tive reconhecimento por causa do tratamento que eu dava para os pacientes. Fiz cursos de qualificação para prestar um bom atendimento. Cursos custeados pelo município e esses investimentos foram por água abaixo, em virtude da decisão do prefeito”, desabafou.

ADVERTÊNCIA 

Carvalho conta que registrou imagens e postou em sua rede social, mostrando a precariedade das condições de trabalho dos funcionários na usina de reciclagem, em meio à poluição. Mas o servidor foi punido pela publicação em redes sociais, com abertura de um inquérito e posteriormente advertência, por ter feito os registros em horário de trabalho. “Eu só poderia ter feito isso no meu horário de serviço, então fazer o que, fui punido, mas pelo bem dos trabalhadores”, diz. 

ATRIBUIÇÃO DE CULPA 

No mesmo ano, o vereador, no uso de suas atribuições como fiscalizador do Executivo, denunciou na Vigilância Sanitária a falta de higiene, do local em questão, onde os funcionários da Secretaria Municipal de Obras tomavam o café da manhã. O vereador pediu na denúncia para que o lanche fosse servido em um local mais adequado. Afinal, segundo imagens registradas por ele, mostram a mesa suja com fezes de pombos, sujeiras que caiam em cima dos alimentos devido aos ninhos no teto e diversas outras irregularidades. 

Diante disso, o parlamentar conta que Mário Pereira, além de interromper o fornecimento do lanche aos funcionários, atribuiu a culpa pela suspensão ao vereador – que na verdade só havia solicitado um local mais apropriado para o fornecimento da refeição. 

“Eu fiz a denúncia com intuito de oferecer condições sanitárias dignas aos trabalhadores, mas ele preferiu me colocar contra a categoria. Hoje ao invés do café da manhã, os funcionários de obras recebem um vale refeição, mas na época, ele distorceu os fatos da minha denúncia só para manchar minha imagem”, critica. 

A reportagem da Tribuna do Vale entrou em contato com a assessoria de comunicação do prefeito Mário Pereira a quem relatou o teor das denúncias feitas contra ele, mas até o fechamento desta edição não houve retorno do Executivo. 

FALTA INJUSTIFICADA 

Outro conflito entre o vereador Vanderlei Luiz Carvalho  e o prefeito Mário Pereira, foi quando uma pessoa próxima a ambos, em virtude da sua experiência no setor da saúde, solicitou o deslocamento de uma paciente para São Paulo para tratamento de um câncer de pele muito agressivo. Segundo Vanderlei Carvalho, Mário Pereira autorizou esse deslocamento verbalmente. A viagem se prolongou durante quatro dias úteis. 

De acordo com Carvalho, no retorno da viagem, Mário não honrou sua palavra, e puniu o servidor com falta injustificada – descontando os dias trabalhados do seu salário. “Trabalhei até em horários a mais do que o devido para que a paciente realizasse os exames. E por esse motivo a pessoa me deu uma gratificação de bom grado pelos serviços prestados. Com isso, Mário Pereira quando ficou sabendo, achou que como eu já tinha recebido, eu não deveria receber duas vezes e descontou do meu salário. Um verdadeiro absurdo”, desaprovou

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 

Vanderlei Luiz Carvalho enviou um ofício ao Executivo solicitando a liberação para participar da comissão de finanças, em média de uma hora semanal, e Mário Pereira autorizou através do sistema de compensação. 

Mas, posteriormente, cerca de três meses depois, Mário Pereira protocolou uma denúncia contra o vereador no Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria), com sede em Santo Antônio da Platina. “Mas ele se esqueceu de que eu tinha a documentação que provava que tinha a autorização dele para esse afastamento em regime de compensação”, conta.  

Como se não bastasse, o secretário de administração, Afonso Degeval da Silva, protocolou mais um inquérito administrativo no Departamento Jurídico da prefeitura em busca de penalizar o servidor da mesma forma, por improbidade administrativa.  “Os dois pareceres foram favoráveis à minha pessoa e com arquivamento porque eu tinha esse documento em minha defesa. Como ele sendo secretário de administração, não sabia que eu tinha essa autorização?”, questiona o vereador. 

OBRAS PARADAS

Em fevereiro de 2019 Vanderlei Carvalho fez uma representação no Gepatria contra a gestão de Mario Pereira, em virtude de 11 obras que estavam paralisadas e sem a devida conclusão. Em contrapartida, Mário Pereira ajuizou dois processos, sendo um pedindo uma indenização por danos morais no valor de R$ 39 mil e o outro por difamação. 

Segundo Carvalho, o processo por difamação foi arquivado por vencimento do prazo decadencial. E o outro julgado improcedente e arquivado. “No decorrer desse arquivamento, Mário entrou com mais um termo circunstanciado no mesmo teor no Juizado Especial Criminal de Ribeirão Claro, onde após a audiência de conciliação não foi aceita a denúncia e consequentemente arquivado”, detalha. 

PEDIDOS DE CASSAÇÃO 

Em 2019, dois pedidos de cassação foram impetrados contra o vereador Vanderlei Carvalho, sendo um deles pelo suplente, Caio Henrique Molini Silvério, e o outro por Mário Pereira, ambos com o mesmo teor. Os pedidos são em virtude das representações contra o Executivo, alegando abuso de poder como função de vereador. 

O parlamentar conta que ambos os processos foram arquivados após apresentação de vasta documentação e comprovantes.  “Com base em todas essas ações movidas contra minha pessoa, tanto pessoal quanto como agente político, se caracterizam como perseguição política, porque sempre procurei ser atuante como vereador, cobrando e mostrando a situação que o município se encontra. Ele tentou denegrir minha imagem perante a população, porque fui atuante e provavelmente nunca ocorreu dentro do município alguém que o encarece de frente, devido o coronelismo dele de gerir o município. E isso prova o porquê de tudo ter ficado estagnado durante três anos e agora ele está na corrida para entregar tudo no período pré-eleitoral”. 

Vanderlei Carvalho detalha que todas as ações que Mário Pereira moveu contra ele, o fortaleceu ainda mais como pré-candidato e como pessoa. “Me sinto fortalecido porque honrei com o compromisso como vereador e sempre tive a justiça ao meu favor. Com minhas ações mostrei que podemos viver sem o cabresto e temos a seguir o caminho que escolhemos. A população de Ribeirão Claro merece o melhor e o gestor que é eleito pelo povo, deve gerir desde o primeiro dia de gestão e não deixar abandonada para realizar tudo somente no último ano de gestão”, alfinetou Carvalho.

Carvalho: “Me sinto fortalecido porque honrei com o compromisso como vereador e sempre tive a justiça ao meu favor”

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