Policial

Laudo aponta que Andrei Francisquini não estava sob efeito de álcool ou drogas

Outro laudo mostrou que os tiros que atingiram Andrei Francisquini saíram de pelo menos duas pistolas diferentes

Caso ocorreu na Praça da Espanha, em Curitiba, na madrugada deste domingo (12)
Foto: Tony Mattoso/RPC

G1/RPC – Com Redação


Um laudo da Polícia Científica do Paraná revelou que Andrei Gustavo Orsini Francisquini Francisquini, morto a tiros por policiais militares na Praça Espana, em Curitiba, não estava sob o efeito de álcool nem de drogas na noite em que morreu.

O caso aconteceu na madruga de 12 de maio. Andrei tinha 35 anos e estava sozinho no carro quando foi abordado pelos PMs, na Avenida Vicente Machado. Nesta primeira abordagem, conforme revela câmeras de monitoramento no local, os policiais disparam cinco tiros contra o carro do rapaz, mas omitiram tal fato no Boletim de Ocorrência distribuído à imprensa.

A perseguição terminou na Praça da Espanha, onde Andrei levou vários tiros e morreu antes da chegada do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). No dia, a PM informou que Andrei foi morto porque fugiu e portava uma arma.

No dia da morte do rapaz, a PM informou que ele não obedeceu a uma abordagem policial. Os policiais também afirmaram que uma arma foi encontrada com ele. A família dele nega que ele estivesse com uma arma.

O que reforça a tese da família é que outra perícia realizada pelo Instituto de Identificação do Paraná não constatou a existência de digitais na arma, nos cartuchos intactos e no carregador.

A defesa dos policiais militares que estavam na ação naquele dia afirmou que o exame “comprova que a ação dos policiais foi correta porque, não estando bêbado e nem sob efeito de drogas, Francisquini fugiu porque portava uma arma”.

A família de Andrei classifica a tese da defesa dos policiais mais um jogo de pirotecnia na tentativa desesperada de defender uma versão que não se sustenta. Se a vítima estava com uma arma, como explicar que nenhuma digital foi encontrada na pistola que ele supostamente portava?

“Como explicar o depoimento no inquérito da Polícia Civil de uma testemunha que afirmou ter ouvido dos policiais que estavam no local da morte do jovem que ele vinha sendo monitorado pela PM desde 30 de março, dia em que supostamente teria fugido de uma blitz?”, questiona o pai de Andrei, o jornalista Benedito Francisquini.

Outro laudo  

RPC teve acesso com exclusividade a outro laudo da Polícia Científica, que analisou três pistolas e os carregadores dos policiais militares que participaram da ação na Praça da Espanha.

De acordo com o laudo, é possível afirmar que os tiros foram disparados de, pelo menos, duas armas diferentes de policiais militares.

Materiais encontrados no corpo de Andrei e no carro dele também foram analisados pela Polícia Científica.

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