Jacarezinho

Júri absolve irmãos que ficaram dois anos presos acusados de homicídio

Gabriel e Juner Cunha foram apontados como autores do homicídio que vitimou Rogério de Oliveira em janeiro de 2017

Advogado Bruno Marcelino: “os irmãos Cunha aguardaram presos injustamente por mais de dois anos”
CRÉDITO: Divulgação

Luiz Guilherme Bannwart


Após aguardarem dois anos presos por julgamento, os irmãos Gabriel Antônio da Cunha e Juner Antônio da Cunha foram absolvidos no último dia 8 pelo Tribunal do Júri da Comarca de Jacarezinho. Eles foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPPR) pelo crime de homicídio qualificado, que vitimou Rogério de Oliveira, no dia 15 de janeiro de 2017, em sua casa, no Jardim Paraíso, em Jacarezinho.

De acordo com o Ministério Público, os irmãos mataram premeditadamente a vítima por motivo torpe, consistente em vingança em razão de suposta traição. A denúncia revela que os acusados invadiram o quintal da vítima, quebraram a janela do quarto onde ela dormia, e disseram: “mão na cabeça vagabundo, é a polícia”. Em Seguida, Rogério perguntou aos algozes se poderia acender a luz, pelo fato de sua esposa, que também estava no quarto, estar gestante. Ao apertar o interruptor, ele foi alvejado por um tiro certeiro de fuzil na cabeça e morreu na hora.

Para o advogado Bruno Carlos Marcelino da Silva, que defendeu o réu Gabriel Antônio da Cunha, os irmãos aguardaram presos injustamente por mais de dois anos até o julgamento no plenário do Tribunal do Júri da Comarca de Jacarezinho.

Segundo o defensor, desde o início do caso a acusação baseou-se em elementos indiciários de um inquérito policial que sequer seguiu os moldes legais para sua confecção, além de declarações vagas e contraditórias das testemunhas de acusação. A defesa, no entanto, produziu amplas e robustas provas a fim de negar a suposta autoria do homicídio. “O Gabriel (Antônio da Cunha) tinha o álibi perfeito! Quando a vítima foi assassinada ele comemorava seu aniversário em sua casa na companhia de sua esposa, de seu irmão (também acusado nos autos), alguns familiares e convidados que foram apresentados como testemunhas pela defesa em plenário”, salientou o advogado.

A sessão durou mais de 13 horas e, ao final, o Conselho de Sentença decidiu pela absolvição dos réus em razão da pretensão defensiva exposta na tese de não existir prova suficiente no processo para a condenação. Juner Antônio da Cunha foi defendido pelo advogado Thebas Vidal Veiga.

“Agora declaradamente inocentes, em que pese o tempo que passaram presos não poder ser recuperado, eles estão livres para seguir suas vidas com consciência tranquila e sem nada dever para a sociedade”, assinalou o advogado Bruno Marcelino.

Após a sentença foram expedidos os respectivos alvarás de solturas que já foram cumpridos pela autoridade competente.

O Ministério Público informou que iria recorrer da sentença ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).

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