Jacarezinho

Jacarezinho debate a construção de presídio

Unidade visa desafogar a inseguras e superlotadas cadeias do Norte Pioneiro

Reunião aconteceu na segunda-feira (25) Câmara de Vereadores de Jacarezinho
CRÉDITO: Marcos Junior

Marcos JuniorJacarezinho


Reunião realizada na última segunda-feira (25), na Câmara de Vereadores de Jacarezinho, com a participação de membros do Judiciário, Executivo e Legislativo, mais uma vez para debateu a construção de um Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) no município, assunto que vem polarizando debates na comunidade local. O encontro durou mais de duas horas, com foco na urgência do empreendimento, uma vez que as cadeias da região abrigam mais de 2.500 presos sentenciados, que pela lei deveriam estar em penitenciárias.

O juiz Criminal Renato Garcia explicou que atualmente na delegacia de polícia de Jacarezinho, localizada na área central da cidade, estão 119 presos (até a noite de segunda-feira) num espaço para 40 detentos. A situação é ainda pior em Santo Antônio da Platina e Ibaiti. São cadeias inseguras e que não oferece qualquer estrutura para os presos, gerando seguidas rebeliões e fugas. “Com a construção do CDR, o prédio onde está a delegacia, na área central, seria desativado e poderia ter uma outra finalidade para o poder público”, explicou o Juiz Renato Garcia.

Segundo outro juiz, que também atual na comarca de Jacarezinho, Alarico Francisco Rodrigues de Oliveira Junior, o local onde deverá ser construído o Centro de Detenção e Ressocialização deverá ter no mínimo dois alqueires, com rede de esgoto próxima e alguns pontos técnicos para a segurança.

Outro ponto enfocado pelo representante do Judiciário é que a construção vai demandar um investimento de aproximadamente R$ 27 milhões somente na construção (com materiais e mão de obra) e seriam abertas aproximadamente 300 vagas de empregos diretos através de Concurso Público. “Seriam centenas de famílias de funcionários que iriam alugar casas ou construir na cidade, utilizar farmácias, supermercados, entre outros pontos do comércio que iriam estimular na economia local”, enfatiza.

Vereadores

Os vereadores questionaram os magistrados em assuntos ligados as áreas econômica, de segurança e social. O vereador Nilton Stein comparou a discrepância sobre o custo de um preso numa penitenciária e o que se gasta para manter um aluno em sala de aula. Para o vereador Edílson da Luz a iniciativa é importante e precisa de debate amplo.

O Juiz Dr. Alarico Francisco explicou que a construção do CDR iria proporcionar a abertura de aproximadamente 750 vagas no sistema prisional. “Seriam presos da microrregião que seriam transferidos, abrangendo até as cidades de Bandeirantes, Siqueira Campos e Ibaiti”, informou.

O presidente da Câmara Fúlvio Boberg lembrou que no ano de 2013 os vereadores realizaram uma visita até o município de Cruzeiro do Oeste. “Lá também aconteceu a construção de um CDR. Estivemos na unidade prisional conversamos com moradores, comerciantes e lideranças. Eles foram positivos com o aumento da segurança e também o giro no comércio local”, analisa.

População

Moradores da cidade também participaram da reunião. Para o empresário Paulão Paraná a medida é extremamente importante. “Conheço as cidades de Avaré e Bernardino de Campos. E elas são extremamente seguras”, argumenta.

A empresária Carla Doriana também destacou que aprova a ideia da construção do CDR. “Além da segurança que será ampliada, temos que destacar que nossa cidade está há anos sem a abertura de um local com tantas vagas de emprego. Isso irá ampliar o giro no comércio de nossa cidade”, argumentou.

Local

O local que poderia ser indicado para pela vistoria do Departamento Prisional (Depen) ainda é o ponto mais debatido. O juiz Alarico Francisco lembrou que isso ainda não está definido, mas já existe a possibilidade de um terreno que seria vendido pela Mitra Diocesana, próximo ao bairro de Marques dos Reis.

“É uma possibilidade. Mas, precisamos entender que se a construção acontecer neste local. As pessoas que forem trabalhar no CDR irão estarão a 4 km da cidade de Ourinhos e 20 km de Jacarezinho. Com isto, eles irão morar na cidade paulista, adquirir seus produtos lá e também investir onde residem e não em Jacarezinho”, observou.

Durante a reunião foi sugerida a criação de uma comissão para acompanhar o projeto, com a participação de representantes dos três poderes, comunidade e interessados.

Também participaram da reunião o prefeito Sérgio Eduardo de Faria, o Bispo Diocesano Dom Antônio Braz, o presidente da Subseção da OAB, Dirceu Rosa e o juiz federal, Rogério Cangussu.

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