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Jacarezinho corre o risco de repetir alta infestação do mosquito da dengue

Forrest Brasil Tecnologia luta junto às autoridades para manter e expandir o projeto de Controle Natural de Vetores

O projeto piloto da Forrest em parceria com o Tecpar atuou nos bairros Aeroporto, Novo Aeroporto e Vila Leão
CRÉDITO: Antônio de Picolli

Da Assessoria  


A população de Jacarezinho corre o risco de ficar novamente exposta à epidemia de Dengue, com a falta de definição das autoridades sobre a manutenção e a necessária expansão do projeto Controle Natural de Vetores desenvolvido pela multinacional de biotecnologia Forrest Brasil Tecnologia, em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a prefeitura do município. O problema é que a Secretaria Municipal de Saúde até o momento não definiu se vai renovar o contrato que permitiu a redução histórica de infestação do mosquito Aedes aegypti, causador da doença.

O Paraná soma 819 casos confirmados de dengue neste ano, de acordo com os últimos resultados apresentados pelo Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Jacarezinho, no Norte Pioneiro, já esteve entre as cidades com epidemia da doença e mudou esse cenário após o trabalho pioneiro de Controle Natural de Vetores, realizado pela Forrest Brasil Tecnologia, em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a prefeitura. A cidade registrou reduções superiores a 90% no número de mosquitos na área contemplada pelo projeto. 

O projeto piloto da Forrest atuou nos bairros Aeroporto, Novo Aeroporto e Vila Leão. Após a eficácia comprovada da tecnologia inédita, a empresa assinou um contrato com a Prefeitura Municipal de Jacarezinho para expandir o trabalho para a Vila São Pedro – bairro mais afetado pela dengue no município. “O contrato da Forrest com a prefeitura termina no dia 31 de dezembro deste ano. Estamos buscando, junto às autoridades locais, a continuidade desse trabalho e a expansão dele para outras regiões da cidade”, revela a diretora da empresa, Elaine Cristina dos Santos.

A Forrest Brasil atua em Jacarezinho desde 2017. “Neste período, realizamos grandes investimentos de tempo, energia e recursos financeiros com o objetivo de desenvolver e testar a nossa solução para o combate ao mosquito Aedes aegypti. Conseguimos evitar uma epidemia de dengue, que eclodiu no início deste ano, nas áreas contempladas pelo projeto. No entanto, sabemos que o ideal seria programar esse trabalho em toda a cidade. Dependemos disso para evitar a elevação dos índices de infestação do mosquito e a potencial recorrência da dengue. Estamos entrando na alta temporada de infestação do Aedes aegypti e tratar apenas um bairro não será suficiente para combater uma possível epidemia”, alerta. 

Com o Controle Natural de Vetores, a consequência foi a redução dos mosquitos e a queda no registro da doença na área atendida pelo projeto: em2019, até abril, quando o projeto foi encerrado, a região do Aeroporto registrou apenas três casos de dengue. O número representa menos de 5% do total de registros na cidade no mesmo período. Esta mesma área, em epidemias anteriores apresentou um elevado número de doentes. Foram 340 casos de dengue em 2015 e 52 em 2011, representando respectivamente 10% e 30% do total de casos da doença registrados na cidade nesses anos. 

“Sabemos que a maioria dos criadouros do mosquito Aedes aegypti está nas residências, por isso nosso trabalho alia tecnologia à educação. Os dados comprovam que esse trabalho contribuiu para a redução significativa dos índices de infestação do Aedes aegypti, e mais importante, pela primeira vez um método foi comprovadamente eficaz na prevenção da dengue. Estamos levando esses resultados para autoridades de outras cidades que enfrentam o mesmo problema e buscam soluções sustentáveis para combater a dengue e outras doenças relacionadas a esse mosquito”, conta Elaine. 

A Forrest Brasil está preparada para expandir as operações imediatamente e cobrir toda a cidade de Jacarezinho. “A população necessita de segurança nessa questão e por isso cobramos do município compromissos claros e formais, para que possamos continuar trabalhando a partir de janeiro de 2020”.

A técnica pioneira desenvolvida pela Forrest Brasil é natural e consiste em esterilizar mosquitos machos e soltá-los na natureza. “Como a fêmea copula uma única vez durante a vida, se a cópula for com um macho estéril então não haverá descendentes. Já se a cópula acontecer com um macho não estéril, uma fêmea pode gerar até 500 ovos, que vão resultar em novos mosquitos”, explica a cientista Lisiane de Castro Poncio, coordenadora do projeto. Além desse trabalho, a empresa atua diretamente com os moradores, visitando residências e orientando sobre a prevenção, além de fazer um intenso trabalho de conscientização nas escolas.

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