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Isolamento esconde violência doméstica

Numape registra queda de 26,3% nos registros de boletim de ocorrência entre março e maio, comparados à 2019

Dayse Miranda, especial para Tribuna do Vale


O isolamento social, iniciado no Brasil desde março por conta da pandemia do novo coronavírus, tem ocultado a triste realidade das mulheres que são vítimas de violência doméstica. Como estão em constante contato com o agressor e automaticamente num estado de maior vulnerabilidade, dificulta as denúncias.

Esta é a constatação do Núcleo Maria da Penha (Numape) – Projeto de Extensão da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp) em Jacarezinho, vinculado ao Programa Universidade Sem Fronteiras da Secretaria de Estado da Ciência Tecnologia e Ensino Superior (SETI). Trata-se de um estudo apontando que por mais que a mídia tenha escancarado o aumento nos casos de violência doméstica, isso não é refletido nas aberturas de inquéritos policiais.

O levantamento do Numape mostra que entre os meses de março e maio, comparados à 2019, houve uma queda de 26,3% nos registros de boletim de ocorrência desta natureza. O órgão atribui essa redução ao isolamento social, onde a vítima passa mais tempo ao lado do agressor e dificulta o registro das denúncias.

Para a advogada do Núcleo, Isabele Cristina Duarte, é de suma importância entender esses números e respeitá-los, afinal, o isolamento social tem afetado a mobilidade de muitas mulheres que estão em situação de violência doméstica, juntamente com a falta de acesso à informação e consequentemente à justiça.

Diante desse quadro, o Numape continua realizando atendimento durante o período de isolamento. “No início era de maneira virtual, por meio das redes sociais, e-mail e telefone. Mas atualmente passamos a agendar horários para atendê-las pessoalmente. O nosso trabalho é feito por uma equipe multidisciplinar, que presta atendimento psicológico, jurídico e pedagógico de forma gratuita na Comarca de Jacarezinho para as mulheres, crianças, adolescentes e idosas em situação de violência doméstica e familiar”, detalhou Isabele.

AÇÕES NUMAPE – A equipe do Numape, busca conscientizar, prevenir e combater violências de natureza contra as mulheres, seja ela física, psicológica, patrimonial, moral ou sexual. “Devemos ter em mente que agressão não é só aquela que deixa marcas visíveis pelo corpo da mulher. As marcas invisíveis, são ofensas, muito mais dolorosas, pois ferem a liberdade, a autoestima, causando-lhes profundo constrangimento. Por isso é tão importante a quebra deste ciclo”, enfatizou. 

O Numape promove com frequência eventos e ações como forma de levar informação para a sociedade jacarezinhense e principalmente em ajudar mulheres a retomar sua liberdade, autonomia e empoderamento.

JUSTIÇA – Por mais que o fórum esteja com as portas fechadas, a justiça continua sendo feita em prol das mulheres. As medidas protetivas, por exemplo, estão sendo concedidas e aplicadas normalmente. “A mulher não está desamparada neste momento”, pontuou.

DENÚNCIA – Em caso de emergência, é possível discar 190 (Polícia Militar), 180 (Central de Atendimento à Mulher), (43) 3511-0600 (Delegacia da Mulher), ou (43) 3511-4352 (Numape). “A luta não para, não parou e não vai parar”, finalizou a advogada.

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