Santo Antônio da Platina

Hospital Regional é alvo de novas denúncias

Falta de controle de patrimônio desde a abertura da instituição pode ter causado muitos prejuízos

Comerciante diz que negocia ‘sucatas’ do HRNP desde a abertura do hospital em 2006
CRÉDITO: Divulgação

Da Redação


Equipamentos do Hospital Regional do Norte Pioneiro (HRNP) em perfeitas condições de uso, mas classificados como sucata, vem sendo vendidos a um ferro velho de Sano Antônio da Platina desde que a instituição abriu as portas há mais de uma década. Este é o resultado de uma gestão sem controle do patrimônio, que pode ter gerado um prejuízo incalculável à comunidade regional, já que a instituição atende a uma população de mais de 200 mil habitantes de 22 municípios.

Uma denúncia feita esta semana por um grupo de funcionários da instituição, alerta que a venda de equipamentos tidos como inservíveis, mas perfeitamente utilizáveis, alguns seminovos, vem sendo feita sem os procedimentos legais que este tipo de transação impõem às entidades públicas, numa demonstração de absoluto descontrole patrimonial.

Imagens apresentadas pelos denunciantes mostram equipamentos como mesa de parto, camas novas, compressor, macas, cadeiras, armários de aço, escadas, suporte de soro entre outros, sendo carregados no caminhão da empresa “Dito Ferro Velho, do empresário Benedito Corrêa de Lima, que confirmou em entrevista por telefone celular que compra esse tipo de equipamento, inclusive embalagens como papelão, desde que o hospital foi aberto há cerca de 15 anos.

Ele disse que nunca participou de qualquer procedimento administrativo como licitação, ou dispensa. Sempre que acumula embalagens ou qualquer equipamento tido como inservível, ele é chamado, pesa o que vai levar e faz o pagamento em dinheiro para quem o atende no plantão. O empresário não assina qualquer documento que possa comprovar a transação.

“Esse hospital é a ‘casa da mãe Joana’, ninguém controla nada”, desabafou uma funcionária, utilizando a expressão popular que define uma situação de baderna, onde não há qualquer controle ou regra. Os denunciantes registraram dois carregamentos em 2018, sendo um realizado às 11h06 do dia 7 de novembro e, o segundo, às 18h21 do dia 7 de dezembro. Nas duas ocasiões os caminhões saíram lotados, conforme atestam as imagens.

Silêncio

Uma das funcionárias informou que as imagens e informações foram apresentadas ao Cisnorpi – Consórcio Intermunicipal de Saúde do Norte Pioneiro, antigo gestor do Hospital Regional, ao Ministério Público Estadual (MPE) e à Funeas – Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná, responsável pela administração do HRNP desde 2018. “A impressão que fica é que o caso foi abafado. Há um silêncio absoluto, ninguém fez nada”, desabafou uma denunciante. O grupo formalizou as denúncias na Tribuna do Vale na condição de que seus nomes sejam mantidos em sigilo, temendo perseguição.

Um fato curioso envolvendo essas denúncias foi revelado pelo próprio comprador dos equipamentos tidos como inservíveis. Benedito Corrêa de Lima afirmou à reportagem que, em 2018, numa das vezes em que retirou vários itens no pátio do Hospital Regional, no dia seguinte foi procurado por funcionários da instituição, em seu ferro velho, na época às margens da BR-153, que levaram de volta vários itens “porque não poderiam ter sido vendidos por estarem em condições de uso”. Esse detalhe revela a gravidade da situação.

Auditoria

Informado da situação pela Tribuna do Vale, o secretário de Saúde do Paraná, Beto Preto, foi taxativo em assinalar que a Funeas vai realizar uma auditoria envolvendo os últimos três anos da gestão do Hospital Regional e que, na sua administração da saúde paranaense, tudo vai ser investigado. “Não tenho compromisso com nada errado. Vamos levantar toda a situação”, assinalou, com vigor.

A diretora geral do HRNP, Ana Cristina Micó, em contato por telefone, disse que, desde que assumiu a administração, no início deste ano, não foram realizadas vendas de equipamentos tidos como inservíveis, apenas restos de embalagens como o próprio comerciante admitiu. Micó, todavia, admitiu que realizou doações de colchões condenados por avarias, mas sendo um procedimento normal. 

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